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Osorio, técnico do México, vira manchete no 'The New York Times': 'Por que querem sua demissão?'

Enquanto se prepara para a estreia na Copa do Mundo 2018, contra a Alemanha, neste domingo, às 12h (de Brasília), o técnico da seleção do México, Juan Carlos Osorio, viu seu nome virar manchete no The New York Times, mais importante jornal do mundo.

Entitulada "Ele tem um histórico vencedor. Então, por que os torcedores do México querem ver seu treinador demitido?", a reportagem conta a história de vida de Osorio desde os tempos de universidade nos Estados Unidos até sua chegada à seleção tricolor.

A matéria ainda ressalta a enorme pressão que o colombiano enfrenta no cargo desde que assumiu a equipe, em 2015, sendo inclusive tirado do São Paulo, time no qual fazia sucesso.

Veja alguns trechos destacados da reportagem:

"O México abre sua Copa do Mundo neste domingo, contra a Alemanha, e tenta avançar às oitavas de final pela primeira vez desde 1986. Mas isso pode não acontecer. E se não acontecer, não há mistério algm sobre quem a nação irá culpar por outra performance decepcionante: seu treinador nascido na Colômbia e educado nos Estados Unidos"

"Osorio vem sendo constantemente atacado desde que assumiu o México, na primavera de 2015. Lendas da El Tri formaram uma espécie de coral trágico para detonar a escolha, zombando dele como um 'professor de educação física' (o que ele de fato foi no início da carreira', colocando aspas em seus 'títulos' e insistindo que havia dúzias de opções melhores na própria liga mexicana".

"Nos dois anos e meio desde que assumiu, Osorio ganhou mais de dois terços dos jogos. No entanto, os cantos de 'Fuera, Osorio!' na torcida só ficam mais altos"

"Os fãs reclamam que Osorio é muito analítico - eles o chama de 'Professor', mais como zombaria do que com respeito. Eles dizem que Osorio só vence equipes de segunda categoria, e fixam sua atenção nos poucos jogos que ele perdeu. E, mais do que tudo, reclamam que ele não é mexicano"

"Osorio claramente já chegou ao seu limite. Durante uma entrevista em maio, ele foi bastante claro sobre a instabilidade da sua posição: 'Eles não ficam contentes se a gente vence. Nós temos que vencer e humilhar o adversário. Não há país no mundo onde existe mais pressão em cima do técnico da seleção nacional do que o México'"

"Como treinador, Osorio é muito mais um produto dos Estados Unidos que da América Latina. Seus treinos de alta intensidade, centrados em situações de jogo, foram modelados a partir de treinos do Chicago Bulls de Michael Jordan que ele conseguiu assistir enquanto morava em Iowa. E ele vem tentando importar um pouco do jogo físico e da competitividade da cultura dos esportes americanos para o México"

"Ele está sempre mudando sua escalação, colocando com frequência as estrelas da equipe no banco, tanto para melhorar explorar as fraquezas do adversário quanto para evitar que seus atletas fiquem acomodados. No entanto, essa é outra fonte de sua fraca popularidade no México, já que o público vê nesse método uma estratégia para não se comprometer com um grupo fechado de jogadores, ou até mesmo como mostra de falta de confiança na equipe"

"Estilisticamente, Osorio é tudo que seu amado predecessor, Miguel Herrera - aquele mesmo que foi demitido por agredir um repórter de TV - não era. Osorio escreve notas em papeis durante o jogo usando canetas coloridas, cada uma com uma função. Ele cita autores como o argentino Jorge Luis Borges, e por vezes faz longas digressões sobre a química do cérebro humano"

TÉCNICO DEVE SAIR

Na Copa-2018, Osorio tem parada duríssima. O grupo da sua seleção tem a Alemanha, atual campeão do mundo, além de Suécia e Coreia do Sul.

Caso o México passe em segundo lugar, o cenário que parece mais provável, deve enfrentar ninguém menos que o Brasil, um dos grandes favoritos ao título na Rússia, caso o time de Tite cumpra o esperado e avance como líder de sua chave.

Independetemente da colocação que termine o torneio da Fifa, porém, é pouco provável que o colombiano siga no cargo depois do Mundial, já que a pressão continua infernal - e deve ficar ainda pior em caso de mais um resultado decepcionante do México em Copas.