Em apenas dois anos como treinador do Real Madrid, Zinédine Zidane venceu títulos como Uefa Champions League, Mundial de Clubes da Fifa, Campeonato Espanhol, Supercopa da Europa e Supercopa da Espanha.
Curiosamente, quando ainda era jogador, o francês dizia ter planos completamente diferentes para quando pendurasse as chuteiras.
"Ele nunca nos disse que gostaria de ser treinador. Na verdade me surpreendeu. O Zidane dizia que queria parar de jogar futebol e pegar o barco dele para ficar viajando e curtindo a família. Pelo perfil que demonstrava à época eu apostava mais que virasse um diretor ou representante da seleção francesa", disse Cicinho, atualmente jogador do Brasiliense, em entrevista ao ESPN.com.br.
O brasileiro conheceu Zizou em 2006, quando foi contratado pelo time merengue após ser campeão do Mundial de Clubes pelo São Paulo. A equipe espanhola vivia a era dos galácticos, com astros como astros como Ronaldo Fenômeno, Raúl e Figo.
"De todos eles, o Zidane era o mais impressionante. O [presidente do clube] Florentino Pérez falava depois dos jogos: 'Zizou, você deveria jogar de terno, tamanha a elegância'. Eu sou um privilegiado", elogiou.
Todos os dias após os treinos, Cicinho testemunhava um show de habilidades do francês. Roberto Carlos e Beckham ficavam de um lado do campo dando lançamentos de longa distância para testar o domínio de Zizou.
"Tinha vezes que parecia que a bola ia passar muito longe, mas ele ia lá e 'matava' de uma forma incrível. Teve uma vez que ele só dominava com a sola do pé. A bola caía paradinha na frente dele. Eu pensava: 'Como esse cara faz isso?' Era totalmente diferenciado", recordou.
Fora de campo, Zidane não fazia o tipo xerifão no vestiário.
"Ele era muito tranquilo. Na minha época não era de falar muito. Era simples e objetivo. Ele respeitava muito os capitães, que eram Raul, Roberto Carlos e Casillas. Ele só falava quando era chamado. Fora de campo era bem família e sempre que possível estava conosco", analisou.
'ELE DRIBLOU A PRESSÃO'
Após uma carreira vitoriosa, Zidane se aposentou dos gramados depois de ser derrotado com a França na final da Copa do Mundo de 2006 para a Itália. Algum tempo depois, começou a fazer curso para treinador até ser chamado para ser auxiliar técnico de Carlo Ancelotti no Real Madrid, em 2013.
No ano seguinte, virou o comandante do time B do clube merengue. Teve problemas por não ter a certificação exigida na Espanha. Em janeiro de 2016 foi efetivado como treinador da equipe principal após Rafa Benítez ser demitido.
Apesar das dúvidas pela inexperiência e falta de grandes resultados na equipe B, mas em pouco tempo empilhou taças no Santiago Bernabéu.
"Zidane mostrou aos jogadores do Real Madrid que tem que ser alegre jogando futebol. Ele driblou a pressão e a desconfiança e formou o time que tinha em mente para conquistar os objetivos", afirmou Cicinho.
"O sucesso quando ele assumiu todos que o conhecemos já imaginávamos. Não tanto assim, mas já imaginávamos um sucesso. Um cara com essa cabeça e qualidade que tem sobre futebol simplesmente implantou isso", analisou.
Mesmo assim, Zidane tem seu trabalho contestado nesta temporada. Foi eliminado na Copa do Rei para o Leganés, é apenas o quarto colocado no Espanhol (19 pontos atrás do líder Barcelona) e enfrenta o Paris Saint-Germain nas oitavas da Champions League.
O próximo desafio da equipe merengue será contra o Levante no estádio Ciutat de Valencia, neste sábado (03/02), às 17h45 (de Brasília), em jogo válido por LaLiga.
Para driblar o seu momento mais difícil no comando clube, o treinador terá que mostrar as mesmas habilidades dos tempos de jogador.
