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O ex-jogador que virou sócio de 'parça' de Neymar e hoje veste astros de Corinthians, Palmeiras e até Endrick na Seleção

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Personal stylist de Endrick em chegada à seleção elogia astro e detalha como foi escolha de look de luxo (1:57)

Gustavo Veríssimo é stylist de atletas de alto nível e falou com exclusividade à ESPN (1:57)

Há um elo que conecta a festa de aniversário de Memphis Depay à roupa que Endrick se apresentou à Seleção Brasileira – e não é o futebol. A mesma ligação também aproxima destaques dos atuais elencos de Corinthians e Palmeiras, deixando até a rivalidade (quase) em segundo plano.

Ele responde por Gustavo Veríssimo, personal stylist que usa a moda para se conectar com diferentes personagens do futebol. Ele conversou com a ESPN para contar um pouco mais sobre sua atuação.

O profissional é dono da “Veríssimo Criative”, um HUB de moda que inclui serviço de personal shopper e criação de roupas exclusivas. Ele já foi responsável por vestir alguns dos principais nomes do futebol brasileiro e quer conscientizar mais atletas sobre a importância do cuidado com a própria imagem.

“A parte do personal shopper é quando você sai para fazer as compras para o cliente. Desde joia, roupas, óculos, compras em geral. O personal stylist monta tudo isso para um look completo. E a parte de imagem é direcionar isso para a parte estética do atleta. Forma de se comportar, de falar, um trabalho um pouco mais completo”, explicou Veríssimo, sobre sua atuação.

“Cheguei a gastar R$ 150 mil em uma única compra. Mas gastei isso em cinco peças, no máximo. É um mercado muito maluco. Para alguém que ganha um salário de jogador, é ok. Eu acho relativo. Meu papel é mesclar. Não precisa se encher de marca para estar bem-vestido. Dá para estar bem-vestido sem gastar muito. Minha filosofia vai neste sentido. O bem-vestido não estar sempre de grife”, seguiu.

Além do próprio trabalho, Gustavo Veríssimo quer derrubar alguns “tabus”. Ele vê que ainda existe muito preconceito, de torcedores, com atletas que cuidam da imagem, principalmente em relação ao uso de roupas de grife e aparições que vão além do mundo do futebol.

“Eu vejo que muitos atletas acompanham os nomes fora do Brasil. Lá, eles romperam isso. Se preocupam com a imagem. Aqui no Brasil, culturalmente, ainda soa como algo fútil, desnecessário.”

“Vou dar um exemplo: o (Jude) Bellingham. Ele é muito mais do que um atleta, é uma empresa. O próprio Vinicius Jr. Desde o momento que ele começou a se preocupar com a imagem, fechou contratos publicitários. Os atletas começaram a entender que tem um mercado que eles podem atender”.

“Mas o preconceito do torcedor é tão forte em relação à imagem do atleta, que faz com que eles fiquem retraídos e com receio de se posicionar. Tem um bloqueio disso”, explicou Veríssimo.

“Quando me procuram, é por que eles querem furar essa bolha. Querem entender qual o passo a passo disso. Culturalmente, não temos esse ensinamento do que comprar, de como se vestir, a gente vai se uma forma intuitiva. E, para atingir o fato de uma marca te procurar, você vai precisar da ajuda de um profissional da área”, complementou o personal stylist.

Carreira como jogador e negócio com ‘parça’ de Neymar

Gustavo Veríssimo tem uma ligação intrínseca com o futebol. O profissional chegou a ser jogador, com passagens por clubes como Grêmio Barueri, Desportivo Brasil, Juventus-SP, São Carlos e até mesmo pelo Mosta FC, de Malta.

Apesar de não ter conseguido se tornar um atleta de sucesso, Gustavo encontrou no futebol o “networking” necessário para criar sua primeira marca com um sócio com grande entrada no meio: Gil Cebola, “parça” e braço-direito de Neymar.

“Eu sou ex-atleta de futebol. Sou dublê de jogador. Isso abriu portas para mim. Mantive alguns contatos com atletas da minha época e isso ajudou a abrir portas. Mas, antes deste trabalho agora, eu tive uma marca que muitos atletas usavam. Um dos meus sócios era o Gil Cebola.”

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Responsável por vestir atletas de Corinthians e Palmeiras foi sócio de Gil Cebola e conta como conheceu Endrick

Gustavo Veríssimo é stylist de atletas de alto nível e falou com exclusividade à ESPN

“Ele tem um networking absurdo, a marca fez um barulho nacional, o Neymar usava, Gabriel Jesus... Isso abriu portas para eu ser conhecido nessa área. Mas, quando a marca fechou, e eu mirei nesse campo, eu vi que foi uma forma meio orgânica”, explicou Veríssimo.

“O Murilo Paim (do Palmeiras) é meu cliente acho que desde a base do Cruzeiro. Ele consumia a marca, tivemos uma amizade e, quando ele volta para o Brasil, comecei a ajudar ele em algumas coisas. Através dele que passei a vestir o Endrick. O boca-a-boca funcionou bem. A entrada nesse mercado foi assim.”

Trabalho com Endrick na Seleção Brasileira

Em março de 2024, já vendido pelo Palmeiras ao Real Madrid, Endrick foi convocado para a Seleção Brasileira para amistosos na Europa contra Inglaterra e Espanha. O atacante embarcou para Londres na época com um look bastante luxuoso, que chamou atenção e virou assunto nas redes sociais.

Gustavo Veríssimo esteve por trás da escolha da vestimenta e rebateu à ESPN críticos do atacante. Disse que, se Endrick “fosse francês”, não teria recebido as mesmas mensagens das redes sociais.

“Fui eu (que escolhi). O Endrick é um menino muito diferente. Atendo muitos atletas, mas ele tem uma mentalidade muito diferente em relação aos meninos da idade dele. É admirável. Ele foi na contramão. Às vezes, os atletas querem algo muito espalhafatoso, mas ele foi para um lado mais sóbrio.”

“A mala era o único ponto chamativo. A ideia era fazer ele não perder a juventude dele. A gente quis mesclar, mas mostrando que ele era diferente. Colocamos um sapato social, uma calça de alfaiataria, um suéter, a mala. Era uma coleção do Pharrell Williams com a Louis Vuitton.”

“Chamou muita atenção porque as pessoas têm muito acesso. Tenho certeza de que se ele fosse um francês, não teria tido crítica nenhuma. Enfim... Sempre entra nesse conflito. Desta vez, tiveram muitos elogios, mas pessoas que não conseguem entender a imagem do atleta.”

Clientela atual, looks para festa de Memphis e Corinthians x Palmeiras

“Tenho atletas fixos em contratos de seis meses, um ano. Hoje estou fixo com o Marlon Freitas, Talles Magno, Helinho e tem quem consome mais algum produto do HUB mensalmente”, explicou Veríssimo.

“Tem o Garro, Raniele, Tchoca, Luiz Henrique, da Seleção Brasileira, Pedrinho (Zenit), Jhon Jhon, Claudinho, Murilo, Carlos Miguel, tem bastante atleta. Ainda mais agora nesse período de férias, é o meu dezembro, é onde os atletas viajam com a família, eu faço mala, ou vão estar aqui no Brasil, aí eu organizo algumas coisas...”

À ESPN, Gustavo Veríssimo revelou a única “regra” na hora de vestir jogadores de Corinthians e Palmeiras: “Sempre tomo cuidado com cores de rivais. Do Corinthians, não tem verde; do Palmeiras, não tem preto e branco”, brincou.

Em fevereiro deste ano, Memphis Depay, astro do Corinthians e da seleção holandesa, comemorou seus 32 anos com uma festa temática “All Black Matrix”, em alusão ao filme. Gustavo Veríssimo foi o responsável por vestir alguns dos jogadores do Timão na ocasião.

“O Memphis não é meu amigo pessoal, mas tenho um amigo que trabalha com ele e, pelos próprios atletas do Corinthians, falam que ele entendeu isso (importância da imagem). Pensa fora da caixa, se preocupa com a parte social, faz sua parte com crianças, acho que falta isso nos atletas.”

“Tento trazer esse papel de conscientização do tanto que eles podem conscientizar as pessoas. O Brasil é um país carente de ídolos, eles podem ir muito além. Imagina a diferença que três ou quatro fariam na vida de vários moleques. Do mínimo ao macro, o Memphis sempre pensa fora da caixa.”

“Teve cara que nunca nem viu o filme Matrix. Aí ele mandou um convite, um dress code das vestimentas, mas ninguém usou verde. Quase todos foram de all black. A gente usou muito couro, textura, óculos de sol. Nesta festa eu vesti o Garro, Raniele, André Ramalho e o Tchoca. Em resumo, foi isso. Eles trazem a ideia, eu desenho, e eles aprovam. Aí seguimos”.