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Membros da Comissão de Arbitragem da CBF têm mais jogos que os árbitros; veja quanto cada um fatura por partida

Péricles Bassols durante partida do Brasileirão de 2017 Alexandre Schneider/Getty Images

Não basta falar em profissionalizar os árbitros para se ter uma arbitragem melhor. É necessário profissionalizar quem cuida dos árbitros, ou seja, a comissão.

Uma comissão, que atua de forma amadora, dificilmente fará as melhorias necessárias para a categoria.

Como focar no desempenho, em análises, melhorias, avaliações, escalas, reuniões, se está constantemente em jogos, viagens, em torneios internacionais, no projeto "Arbitragem Sem Fronteiras" entre outros?

Ter profissionais que atuam de forma integral à comissão com estrutura de suporte adequada é fundamental. Assim, como uma arbitragem independente, profissionais capacitados, sem indicações “políticas”.

Ao analisar as escalas de alguns membros da comissão, através do site da CBF, podemos observar que muitos estão mais escalados do que os próprios árbitros.

Além dos seus cargos no regime CLT na CBF, a maioria atua como inspetor, assessor, instrutor, observador VAR e ganha valores extras para esses afazeres.

As taxas do Brasileirão Série A para o Observador VAR FIFA/Master são de R$1.970,00, enquanto o Observador CBF fatura R$1.320,00. Para um inspetor é de R$1.460,00 por jogo. Para assessor o valor é de R$1.540,00. Já o gerente de qualidade embolsa R$870,00.

Um inspetor de arbitragem acompanha os árbitros para dar suporte no geral, fazer anotações, relatórios como dos assessores e dar um retorno de como ocorreu tudo no jogo. O observador VAR também faz relatórios e acompanha os jogos dentro da cabine.

Relação de alguns membros da Comissão e a quantidade de escalas em 2025:

  • Rodrigo Martins Cintra, presidente da comissão: 14 jogos (inspetor)

  • Marcelo Van Gasse, vice-presidente da comissão: 51 jogos (inspetor e observador VAR);

  • Péricles Bassols, responsável pelo VAR: 58 jogos (observador VAR);

  • Eveliny de Almeida: 53 jogos (inspetora e assessora);

  • Regildenia de Holanda Moura: 52 jogos (inspetora e observadora VAR);

  • Rodrigo Joia: 54 jogos (observador VAR);

  • Fabricio Vilarinho: 47 jogos (inspetor);

  • Luiz Flavio de Oliveira: 30 jogos (inspetor);

  • Alicio Pena Junior: 42 jogos (inspetor e observador VAR);

  • Luiz Carlos Camara Bezerra: 42 jogos (inspetor);

  • Mikael Silva de Araujo: 81 jogos (gerente de qualidade).

Enquanto isso, os árbitros FIFA, que não têm vínculo CLT com a CBF diferentemente dos membros da comissão, têm em média 27 escalas em 2005 até aqui. Onde a comissão está investindo seu tempo? Essa prática não é recente e isso traz um pouquinho da realidade da arbitragem e o quão fundo é o “buraco” do qual a arbitragem precisa sair para realmente evoluir.