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Racismo no futebol: Hofman questiona Fifa, detalha casos e defende perda de pontos para os clubes

O podcast Futebol No Mundo #305 foi ao ar nessa segunda-feira (22) e entre outras coisas abordou o racismo no futebol, após o caso envolvendo Mike Maignan, goleiro do Milan, na vitória contra a Udinese, e como fazer para se ter um combate mais efetivo a este tipo de situação.

E o jornalista Gustavo Hofman, que participou desta edição da produção original da ESPN ao lado dos colegas Gustavo Zupak e Gian Oddi, foi direto: defendeu a punição esportiva, isto é, que os times percam pontos.

"Eu acho que os clubes fazem muito pouco. Eu acho que, institucionalmente, [os clubes] deveriam fazer muito mais. A gente corretamente olha para a Fifa, para a Uefa, para as entidades que regem o jogo. Mas eu olho muito para os times", começou a dizer o correspondente da ESPN na Espanha.

"O Real Madrid, por exemplo, demorou uma eternidade para reagir depois dos casos de racismo contra o Vinicius Junior. Precisou estourar aquele episódio em Valência para o clube se posicionar", relembrou Hofman, para, então, opinar sobre as punições.

"Eu defendo, sim, essa punição esportiva para os times, porque eu acho que a partir do momento em que as instituições passarem a ser atingidas, elas vão agir contra esses segmentos das suas torcidas, porque os clubes não têm coragem de agir contra seus torcedores. Na grande maioria, não têm coragem", afirmou.

"Vou dar mais um exemplo: o Atlético de Madrid não tem coragem de enfrentar a Frente Atlético, que é o grupo de ultras da torcida que é o grande causador de todos os problemas recentes. Antes do dérbi [contra o Real, pela Copa do Rei], houve cantos racistas na chegada do ônibus do Real Madrid, cantos racistas contra o Vinicius Júnior, e isso sequer teve grande repercussão. Começam a normalizar atos de racismo contra Vinicius aqui na Espanha e todo mundo sabe que foi a Frente Atlético. E o que faz o clube? Nada", argumentou.

Hofman, primeiro, defendeu uma mudança no protocolo atual da Fifa para casos de racismo. "Acredito que o protocolo da Fifa deveria ser mais rígido. Jogo interrompido, aviso no alto falante; jogo interrompido novamente, outro aviso. Só no terceiro é que se abandona a partida. Que eles reduzam a um. Que removam um desses passos. Houve o primeiro caso, avisa no alto falante; houve novamente, abandono de partida."

Depois, listou o passo a passo até a perda de pontos que defende. "Independentemente de abandono de partida, a existência do primeiro passo já deveria levar automaticamente esse jogo para o tribunal e ser julgado", continuou, "Houve caso de racismo? Está comprovado? Que a Fifa crie um novo protocolo. Primeiro caso, o clube vai ser advertido; segundo caso, portões fechados; terceiro caso, perda de três pontos."

"Eu estou pensando aqui em punições, porque eu acho que somente assim as coisas podem melhorar no estádio de futebol. Talvez esse seja um passo para um combate mais firme ao invés de apenas mensagens em redes sociais", concluiu Hofman.

No mesmo dia em que houve o caso de racismo contra o goleiro do Milan, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, manifestou-se e defendeu a derrota automática aos clubes como punição.

"Além do processo de três etapas (partida interrompida, partida interrompida novamente e partida abandonada), temos que implementar a derrota automática para o time cujos torcedores cometeram racismo e causaram abandono da partida, bem como proibições mundiais de estádios e acusações criminais para racistas."