No começo de 2023, Eduardo Brock resolveu fazer um caminho pouco comum para jogadores de grandes clubes brasileiros. O zagueiro, que havia sido capitão do Cruzeiro no acesso para a Série A do Brasileirão no ano passado, foi defender o Cerro Porteño, do Paraguai.
"Uma decisão que não foi nada fácil. Vinha de um momento muito bom no clube e teríamos muito desafios em 2023. Primeiro chegou uma oferta de um time da Arábia Saudita, mas não se concretizou. Depois veio o Cerro, que era uma proposta muito boa do ponto de vista financeiro", disse ao ESPN.com.br.
Além da parte contratual, Brock conta que trabalhar com um profissional brasileiro na equipe paraguaia pesou para a mudança ao país vizinho.
"O Rafael Vieira, que trabalhava aqui na época, me disse que a diretoria contava comigo para ajudar a melhorar o clube pela experiência de ter vivido a SAF no Cruzeiro. Tinha também a disputa da Libertadores, que é uma competição importante e era um grande sonho na minha carreira. É um caminho considerado incomum, mas havia um objetivo da minha parte. O Cerro é um clube com muita tradição".
A equipe paraguaia terminou na lanterna do grupo da Libertadores, com quatro pontos ganhos. "Tivemos a infelicidade de cair no grupo do Palmeiras, que é muito forte. Isso nos dificultou, mas foi uma boa experiência".
Apesar de ser criado na região Sul do Brasil, Brock revela que teve algumas dificuldades na adaptação ao novo país, principalmente na mudança com a família.
"O futebol é diferente, muito aguerrido de muito combate e de transições rápidas. Tive problemas burocráticos e não pude jogar os dois primeiros jogos da Libertadores. Com o tempo fui conhecendo o clube e as pessoas. Depois de uns seis meses, já me sentia bem", disse o defensor, de 32 anos.
"O futebol no Paraguai precisa de uma evolução em estrutura nos clubes e nos estádios. O Cerro tem o melhor estádio do país, um gramado excelente. Essa é uma das carências no Paraguai. É uma grande diferença para a Série A e B do Brasileiro, mas eles têm noção disso e querem melhorar".
Acostumado a disputar clássicos em várias regiões diferentes do Brasil, ele ficou encantado com a atmosfera nos duelos contra o Olimpia.
"É um clássico que está na minha memória pelo fanatismo. A torcida faz uma festa legal. O jogo se aproxima muito do Gre-Nal porque é de muita força e aguerrido. Fiz três clássicos esse ano. É uma rivalidade gigante".
Desde então, foram 32 jogos pelo Cerro. Brock tem contrato até o final de 2024, mas pode ter uma renovação automática do vínculo se cumprir algumas metas.
"Estamos classificados para a fase de grupos da Libertadores do ano que vem. Esperamos fazer uma boa competição. Com as mudanças que estão fazendo, dará resultados no clube. Queremos bater de frente e vencer as grandes equipes".
