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Mansão abandonada de Pelé reúne memórias de amores, festas e dívida de quase meio milhão de reais

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Mansão abandonada de Pelé reúne memórias de amores, festas e dívida de quase meio milhão de reais (8:36)

A mansão em um condomínio de luxo no Guarujá foi o refúgio de Pelé por mais de 40 anos. No imóvel avaliado em aproximadamente R$ 8 milhões, ele viveu os mais intensos momentos entre as tantas viagens que fez mundo afora como Rei do Futebol (8:36)

A mansão em um condomínio de luxo no Guarujá foi o refúgio de Pelé por mais de 40 anos. No imóvel avaliado em aproximadamente R$ 8 milhões, ele viveu os mais intensos momentos entre as tantas viagens que fez mundo afora como Rei do Futebol.

A casa está situada na praia de Pernambuco, a mais ou menos 500 metros do mar. A mansão foi construída em um terreno que ocupa um quarteirão inteiro da Rua Resedás.

Atrás do muro, que mais parece uma fortaleza, existem histórias que se iniciam por volta do ano de 1981, quando Pelé deixou de viver em Nova York, nos Estados Unidos, para retomar a vida próximo à família no Brasil. No Guarujá, cidade vizinha a Santos, ele construiu a casa dos sonhos, a mansão do mais nobre atleta de futebol de todos os tempos.

São dezenas de suítes e salas. Havia lugar para seus inúmeros troféus, um cinema e até estúdio profissional onde Pelé se aventurava para gravar suas músicas. Para os amigos mais animados, uma danceteria estava localizada no andar de cima do enorme espaço.

Na área externa, Pelé nem precisava sair de casa para se divertir. No próprio quintal, contava com quadras de tênis e futevôlei, um minicampo de futebol, sauna e uma ampla piscina.

Pelé construiu também uma capela no local, para que principalmente a mãe Celeste pudesse rezar, já que a família Arantes do Nascimento sempre foi muito católica.

A mansão foi a penúltima moradia do Rei. Foi onde Pelé viveu grandes amores, inclusive o relacionamento com a apresentadora Xuxa e com outras modelos e atrizes famosas da época. Parte de seus matrimônios também passaram pela na casa – ele se mudou após o fim do primeiro com Rosemeri Cholbi, mas morou ali com Assíria Nascimento, sua segunda esposa, e também com Márcia Aoki, sua última companheira.

Eram presenças frequentes na morada do Rei famosos artistas globais, músicos, atletas e até jornalistas amigos de velha data – Michel Lawrence era um desses, que já fez jovens colegas de profissão o acompanharem de carro até a Baixada Santista e serem recepcionados na garagem por um Pelé de shorts e sem camisa.

Ali, Pelé podia ser Edson, ou o Dico da família, algo que ficou difícil depois que virou estrela do Santos e da seleção brasileira e Rei do futebol mundial.

As dívidas da mansão abandonada de Pelé

Seis meses após a morte de Pelé, a mansão de tantas histórias está à venda. Na verdade, foi colocada no mercado desde 2017. Desde então, a reportagem da ESPN esteve no local mais de uma vez e constatou um estado de abandono.

Nos banheiros, por exemplo, não há água. A que existe na piscina, é de cor verde, em um exemplo da falta de manutenção. Na parte interna, já não existem móveis, apenas alguns objetos quebrados e equipamentos com sinais de estarem ali já há alguns anos. A grama não é aparada, os rastros de sujeira são visíveis, assim como algumas teias de aranha.

A mansão talvez seja um retrato da vida privilegiada que Pelé conseguiu ter, fruto do sucesso de ter ido muito além de ser o melhor naquilo que se propôs a fazer. Mas também um exemplo da crise financeira que assolou os negócios do Rei em seus últimos anos.

Se está avaliada em cerca de R$ 8 milhões, a antiga casa de Pelé também tem uma dívida de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) junto à Prefeitura do Guarujá que se aproxima de meio milhão de reais – R$ 478 mil, segundo apurou a reportagem.

A mansão não estava no nome de Edson, pessoa física, mas sim de uma de suas empresas – são cinco ainda ativas ligadas a ele –, a Pelé Comércio Empreendimentos e Participações, que também tem como sócios os irmãos Jair Arantes do Nascimento, o Zoca, e Maria Lúcia.

A mesma empresa também é cobrada por outra dívida de IPTU no Guarujá – de valor pouco superior de R$ 282 mil –, e débitos em Santos, São Vicente e no munícipio de Juquiá.

'Não adianta ficar lamentando, embora seja lamentável'

Pelé não foi brilhante nos negócios como foi como atleta, é claro. Longe disso. Mas os imóveis foram algo que o Rei acreditou que seriam bons investimentos, tanto que criou empresa para atuar no ramo da construção e incorporação. Comprou muitos imóveis, sítios, apartamentos e fazendas, além das duas mansões que tinha no Guarujá – a última foi onde viveu até seu último dia, 29 de dezembro de 2022, com a viúva Márcia Aoki, com quem se casou em 2016.

É incerto o tamanho do patrimônio que Pelé deixou de herança após sua morte, já que o processo de inventário tramita em segredo de justiça. Somente as empresas ligadas ao Rei têm capital superior a R$ 23 milhões. As dívidas, por outro lado, também não são todas públicas.

Em entrevista recente à ESPN, o filho Edinho confidenciou que o pai morreu chateado com muitos dos negócios que fez. Revelou também um plano para recuperar a marca "Pelé", negociada com uma empresa norte-americana para a exploração de imagem.

"É muito triste. Mas meu pai, ele também não tinha as pessoas, as orientações ideais. Tomou essas decisões, e agora não adianta ficar lamentando, embora seja lamentável. Mas meu foco agora é arrumar isso", disse Edinho, que hoje é treinador de futebol.

Entre os planos do filho, está a criação de um "tour Pelé" por Santos, passando por pontos importantes da vida dele. Na vizinha Guarujá, há uma mansão que poderia entrar no roteiro. Hoje, ela pode estar abandonada, mas as memórias – e a energia – estarão certamente sempre ali.