Semelhança física e jogar no gol fizeram Pelé ser apelidado de Júlio, nome do goleiro do Noroeste
Dico, Gasolina, Pelé, Rei… Muitos foram os apelidos de Edson Arantes do Nascimento ao longo dos seus 82 anos de vida, mais da metade deles ligados ao futebol. O que poucos sabem é que havia um outro apelido nessa lista. Um que era usado apenas pelo círculo fechado formado pelos craques do Santos no início dos anos 60.
Gilmar, Calvet, Mauro, Dalmo, Lima, Zito, Dorval, Mengálvio, Coutinho e Pepe, só para citar a base daquele esquadrão que iniciou a era dourada santista, chamavam Pelé de Júlio.
“Era muito comum até recentemente a gente se referir a ele assim. Quando eu encontro o Lima, entre uma pergunta e outra, falava ‘Vem cá, tem visto o Júlio? Sabe como ele está?’”, disse Pepe, aos risos, à ESPN, em entrevista duas semanas antes de Pelé morrer.
“Aí o pessoal falava: ‘Mas por que Júlio se ele se chama Edson Arantes do Nascimento?’. É que nos nossos treinamentos ele gostava de ficar no gol. Ele voava e pegava a bola. A gente dizia: ‘Nossa, parece o Julião’. Julião era o goleiro do Noroeste, com quem o Pelé se parecia também fisicamente. Aí apelidamos de Julião. Depois abreviamos para Júlio”.
Se engana quem acha que o Rei do Futebol ficava invocado. Na verdade, a amizade e a intimidade entre os jogadores do Santos era tão grande que todos tinham apelido.
Dorval era chamado de Macalé pela semelhança física com o humorista Tião Macalé. Mengálvio tinha dois apelidos. Um era Pluto, personagem da Disney. O outro, Menga babão. Zito era chamado de Chulé. Coutinho sofria menos. Era Couto. Já Pepe…
“Eles me chamavam de Pouca Pena”, disse ao repórter, aos risos, anos atrás, durante um reencontro entre os craques daquela geração na Vila Belmiro.
No Santos, Pelé também ganhou o apelido de Gasolina quando morou na pensão da Dona Georgina no início da trajetória dele. Há duas versões para o apelido.
A primeira é que os veteranos o chamavam assim pela agilidade dele tanto em campo como fora dele. A outra é que ele lembrava fisicamente o cantor gaúcho Antônio Monte de Souza, que fazia sucesso no final dos anos 50 e tinha o apelido artístico de Gasolina.
Pelé conhecia ou se lembrava mais da primeira versão, como reconheceu à *ESPN" na última entrevista ao canal, em 12 de novembro de 2019.
"Uma vez perguntei para eles [jogadores] o porque. Eles responderam: 'A gente conversava no vestiário de como você tinha um arranque muito forte e parece que o garoto tem gasolina. Pra minha sorte, me chamavam assim só naquele começo", disse Pelé.
“Ainda bem que o apelido Pelé foi o que pegou mesmo entre a imprensa e a torcida. Já pensou ele com esse cartaz todo pelo mundo, maior jogador do planeta, e o apelido ser Gasolina? Ficou melhor Pelé mesmo”, disse Pepe.
Família e franceses
Além de Pelé, cuja origem está explicada aqui, outro apelido que marcou a vida dele foi Dico.
Este surgiu no círculo familiar. Era chamado assim pelos pais, pelos tios, pelos avós, pelos irmãos e até pelos amigos mais próximos da família.
Até mesmo Xuxa, com quem ele namorou no começo dos anos 90, o chamava assim.
Por que Dico? Ninguém sabe ao certo o significado, somente que quem criou foi a avó Ambrosina ainda em Três Corações, no sul de Minas Gerais.
Já Rei do Futebol veio da França. Criação da revista “Paris Match”, que usou a seguinte manchete após a conquista da Copa do Mundo de 1958: “Pelé, 17 ans, Roi du Brésil”.
O adeus ao Rei do Futebol
O Rei do Futebol morreu na última quinta-feira, 29 de dezembro de 2022, às 15h27. Em comunicado, o Hospital Israelita Albert Einstein confirmou falência múltipla de órgãos.
Aos 82 anos, Pelé lutava contra um câncer que teve origem no cólon (parte do intestino grosso) e se espalhou em metástase por fígado, um dos pulmões e restante do intestino.
Ele teve complicações cardíacas, respiratórias e renais e estava internado desde 29 de novembro. Lutou pela vida durante um mês de internação.
No currículo, destaque para o tricampeonato mundial com a seleção brasileira em 1958, 1962 e 1970 e o bicampeonato mundial e da Libertadores pelo Santos.
Mineiro de Três Corações, onde nasceu em 23 de outubro de 1940, ele deixa a esposa, Márcia Aoki, e teve oito filhos (uma de criação) - três deles com Rosemeri dos Reis Cholbi, a primeira cônjuge (de 1966 a 1982) - Kely, Edinho e Jennifer; 'três' com Assíria Seixas, a segunda (de 1994 a 2008) - os gêmeos Joshua e Celeste, além de Gemima, esta criada em conjunto com ele desde que tinha apenas oito meses de vida; e outros dois de relações extraconjugais - Flavia Christina e Sandra Regina.
