Em carta publicada pelo portal The Players' Tribune, Alexandre Pato abriu o seu coração e contou sobre os altos e baixos da carreira
Atualmente no Orlando City, Alexandre Pato é mais um dos jogadores que precisou ir embora de casa cedo para viver o seu sonho no futebol. Antes mesmo de completar 18 anos, o atacante já estava acertado com o Milan e agora, passada mais de uma década, aos 32 anos, acumula muitas outras experiências pelo mundo afora.
Em carta publicada no portal The Players' Tribune, Pato abriu o coração e comentou sobre a 'montanha russa' que viveu na carreira. Dos momentos de maior inspiração aos dramas. O atacante compartilhou os seus 'segredos'.
E na reta final de sua passagem pela Itália, Pato foi 'do céu ao inferno'. Se em 2009 o atacante ganhou o prêmio Golden Boy, como o Melhor Jogador Jovem da Europa, no ano seguinte as lesões tiraram o seu sono.
"Em 2010 eu comecei a ter muitas lesões. Perdi confiança no meu próprio corpo. Tinha medo do que as pessoas falariam sobre mim. Estava indo treinar com a minha cabeça pensando: Eu não posso me machucar. Se eu me lesionasse, não contava para ninguém. Uma vez eu estava me recuperando de um problema muscular, torci o tornozelo e continuei jogando. O meu pé parecia uma bola de tão inchado, mas eu não queria decepcionar os meus companheiros. Eu queria agradar a todos", começou por dizer.
As lesões o tiraram da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, e o seu alto salário no clube italiano fizeram Pato sofrer pressão por parte da torcida, que desejava a sua saída. E para tentar resolver o seu problema, ele se consultou com vários médicos e temeu nunca mais poder jogar futebol.
"Viajei o mundo atrás de uma solução. Eu me consultei com todos os médicos possíveis — e mais alguns. Em Atlanta (EUA) me colocaram de cabeça para baixo e me fizeram girar. O diagnóstico? Os meus reflexos não estavam alinhados com os meus músculos. Na Alemanha, um médico me deu injeções nas costas inteiras — no dia seguinte eu estava andando no aeroporto de Munique todo curvado por causa de dores. Tinha outro que colocava 20 agulhas de manhã, antes do treino, e mais 20 antes de dormir. Eu poderia continuar para sempre com essas histórias", prosseguiu.
"Eu visitei o sexto médico, depois o sétimo, oitavo... cada um deles falava algo diferente. Caraca, o que eu tenho??? Eu chorei, chorei, chorei. Tive medo de nunca mais jogar futebol", revelou.
Em busca do sonho de poder disputar uma Copa, Pato voltou para o Brasil e acertou com o Corinthians. E foi lá aonde o atacante descobriu o seu problema com as lesões e voltou a ter confiança na carreira.
"Por isso que eu fui para o Corinthians, em janeiro de 2013. Sim, eu queria estar na Copa de 2014. Mas eu também tinha o desejo de trabalhar com o Bruno Mazziotti, o fisioterapeuta do Ronaldo. Quando eu cheguei lá, eles removeram um músculo do meu braço para fazer uma biópsia. Eu tremia na maca. Depois de 20 dias eles chegaram à conclusão de que alguns dos meus músculos tinham encurtado por causa das lesões. A parte posterior da minha perna estava mais fraca do que a região da frente, então existia uma descompensação. Graças a Deus, o Bruno me colocou em forma de novo. Desde 2013, acho que tive apenas três lesões musculares", prosseguiu.
Dia que 'acordou' para cuidar da mente
Em 2016, quando se transferiu para o Villarreal, Pato revelou passou por um momento de mudança. Partiu dele mesmo o interesse em jogar pelo clube espanhol, depois de se 'frustrar' com suas passagens por Corinthians e Chelsea. Na Espanha, ele não teve sucesso, mas a passagem pelo Tianjin Tianhai, da China, o surpreendeu. Foi quando começou a cuida da mente.
"Passei a cuidar da minha saúde mental e dos meus relacionamentos. Comecei a fazer terapia. Aprendi a encontrar a felicidade no trabalho duro. Ainda me divertia, mas entendi que o futebol era o meu trabalho, sabe? Passei a ter responsabilidade por todos os aspectos da minha carreira. Em Milão eu passei o primeiro ano inteiro sem ficar fluente no italiano. Na China, aprendi sobre a culinária e a cultura logo de cara. Passei até a cozinhar noodles em casa", contou.
Entretanto, após deixar a China em 2019, e antes de sua segunda passagem pelo São Paulo, Pato contou que, como ainda estava solteiro, quis aproveitar seus dias de 'liberdade'. O que passou pela ostentação a um 'susto' que o fez mais uma vez repensar sobre a vida.
"Depois da minha passagem na China, eu ainda estava solteiro, então eu decidi aproveitar a minha liberdade. Fui para Los Angeles. Queria o melhor hotel, o melhor carro, as melhores festas", disse.
"Estava em um lugar e, de repente, uma menina começou a cheirar cocaína do meu lado. Caraca, o que eu tô fazendo aqui? Peguei as minhas coisas e saí. Não quero isso para a minha vida, esse mundo vazio. Falei com o meu amigo. 'Será que vou passar o resto da minha vida sozinho?'", finalizou.
Depois disso, voltou para o Brasil e, segundo ele, passou a viver uma realidade completamente diferente. Desde o ano passado, atua pelo Orlando, na Major League Soccer (MLS).
