Atacante do Orlando City, da MLS, abriu o jogo em carta publicada no portal The Players Tribune
Alexandre Pato, hoje com 32 anos e no Orlando City, dos Estados Unidos, abriu o coração em uma carta publicada no portal The Players Tribune. Dentre diversos assuntos como um problema de saúde na infância e a transferência ainda muito garoto para o Milan, o atacante abriu o jogo sobre o período que esteve no Corinthians, em 2013.
O contexto da época era de êxtase máximo ao torcedor do Timão. No ano anterior, o clube havia conquistado pela primeira e única vez a Conmebol Libertadores e, no final do ano, diante do Chelsea, no Japão, veio o bicampeonato mundial. Com dinheiro em caixa, o Alvinegro investiu R$ 40 milhões para tirar Pato do Milan e trazê-lo com pompas ao Brasil.
Porém, o que parecia ser o início de uma grande relação não se concretizou. Pato pouco correspondeu com a camisa do Corinthians, passou a sofrer forte pressão da mídia e das arquibancadas após os fracassos da equipe em campo naquele ano e teve como ‘gota d’água’ o fatídico pênalti perdido contra o Grêmio, nas quartas de final.
Na carta publicada, Alexandre Pato diz contar o que “realmente aconteceu” após aquele episódio. Diversos atletas do Corinthians contaram versões sobre possíveis brigas no vestiário e como o clima teria ficado insustentável para o atleta no clube. Na versão do atacante, a grande ‘onda de violência’ veio mesmo da torcida.
“Cheguei como um astro do futebol europeu, com um salário alto, o que já cria uma distância em um país tão desigual como o Brasil. Então a exigência da torcida era gigantesca. Quando eu perdi o pênalti contra o Grêmio nas quartas de final da Copa do Brasil, fui o único culpado”.
“Sim, eu cometi um erro, mas não é verdade que colegas de elenco tentaram me bater. Ninguém fez nada. Mas os torcedores queriam me bater e me matar. Eu passei a andar de carro blindado em São Paulo, com seguranças armados e bombas de gás lacrimogênio. Os torcedores invadiram o CT com pedaços de pau e facas. Isso é uma loucura, algo assustador. Isso não deve ter lugar no futebol de jeito nenhum”, completou.
Sem condições de permanecer no Corinthians, Pato então foi envolvido em uma troca com o São Paulo, que cedeu o meia Jadson ao Alvinegro. No Tricolor, o atacante se reencontrou na carreira. Aclamado pela torcida são-paulina, Pato caiu nas graças das arquibancadas e teve grande desempenho no clube mesmo sem conquistar títulos.
O brasileiro explicou por que tinha se dado tão melhor no Tricolor e destacou também um novo erro de cálculo ao aceitar ir para o Chelsea e novamente ir embora do Brasil.
“Sabe por que eu joguei muito melhor no São Paulo? Porque eles cuidaram de mim. Lá eu só precisava jogar. Mas quando o Chelsea se interessou por mim, eu ainda sonhava em voltar para a Europa. Infelizmente, mais uma vez eu paguei o preço por ser superprotegido”
“Eu ainda não entendia os bastidores. Pensei que fossem me levar por empréstimo por seis meses e depois eu assinaria um contrato por mais três anos. Eu não sabia que eles poderiam dizer não depois do empréstimo. E se eu soubesse? Teria ido para outro clube. Foi uma pena, porque eu estava treinando muito bem, mas o técnico me colocou para jogar em apenas dois jogos. Nunca entendi direito o porquê”, escreveu.
Logo em seguida, Pato retornou ao Corinthians e então negociou a ida ao Villarreal, da Espanha. O atacante rodou então pelo Tianjin Teda, da China, retornou ao São Paulo e foi ao Orlando City, clube que defende atualmente.
