Em entrevista ao ESPN.com.br, Danilo Soares falou sobre o momento no Bochum e sua paixão pelo Atlético-MG
Uma das surpresas da Bundesliga na atual temporada é o Bochum, com campanha longe da zona de rebaixamento e até mesmo vitória em cima do Bayern de Munique. E um dos destaques da equipe é o brasileiro Danilo Soares.
Nem sempre, porém, sua vida foi fácil. Após ter lesão que quase o fez desistir da carreira, o lateral-esquerdo quase largou a carreira após lesão que teve na Alemanha, antes de receber a chance no Bochum.
“Fiz uma operação na Alemanha em que corrigiram uma coisa, mas outra coisa que precisava ser corrigida não foi. E essa outra parte era o que estava me prejudicando. Eu não conseguia andar sem dor no pé esquerdo. Foi aí que entrei em atrito com o clube (Ingolstadt), com o médico do clube. Então, eu fui embora, vim para o Brasil, fui operado com o doutor Neylor Lasmar”, disse ao ESPN.com.br.
“Depois que tirei as proteções, eu não sentia mais nada, mas ainda tinha medo. Foi aí que fiquei um tempo no Brasil, com a família e os amigos e ganhando a confiança para querer voltar a jogar. Mas, depois da operação, eu pensei: ‘fui embora com 18 anos, não terminei o 3° ano no Brasil. Vou fazer o que? Não estudei, não fiz uma faculdade’. Jogar futebol foi a única coisa que eu gostei de fazer”, completou.
Quem sempre esteve ao seu lado foi sua esposa, que conseguiu salvar sua carreira pela segunda vez. “Minha esposa, eu conheci no colégio. Nessa época, eu tive depressão, parei de estudar seis meses. Depois, voltei a estudar, fiz o supletivo para não perder o ano e, no outro ano, minha esposa entrou no colégio. E eu tinha parado de jogar futebol, não tinha vontade”.
“Quando a gente começou a se relacionar, ela falava: ‘Por que você não volta a jogar? Todo mundo fala que você joga bem’. Aí, comecei a voltar a jogar. E, no momento da operação, ela foi uma das pessoas que mais ficou no meu lado, dizia: ‘Você não passou isso tudo para desistir agora’. Ela me levantou”, ressaltou.
Sonho pelo Galo
Com a carreira toda sendo feita em clubes da Áustria e da Alemanha, Danilo nunca jogou no país. Somente uma equipe, porém, faz o lateral balançar a retornar para sua casa: o Atlético-MG.
“Minha família, meus pais e meus irmãos, são todos cruzeirenses. E eu sempre fui o atleticano da familia. Uma vez, meu pai até tentou me jogar para o Cruzeiro, me deu uma camisa. Até que um dia, em um jogo, meus pais têm um restaurante, eu estava assistindo, virei para minha mãe e perguntei: ‘Mãe, eu posso escolher?’, ela falou que pode e eu disse que gosto do Atlético, não gosto do Cruzeiro”, relembrou.
“E desde esse dia fui atleticano. Cheguei a fazer teste lá, não passei. Fiz no Cruzeiro e passei, fiquei uma semana treinando na Toca. E esse negócio do Atlético, sou torcedor desde pequeno, tenho o sonho de jogar. Se for para voltar, o único time que volto é o Atlético, porque seria a realização de um sonho”, acrescentou.
Danilo, porém, ressaltou o momento do Galo ao falar sobre a realização do sonho. Mesmo que ele aceitasse o caso de seu possível concorrente saia um dia e ele seja o substituto.
“Mas hoje o Atlético está numa crescente muito grande, com um lateral-esquerdo muito bom, que está sendo chamado para a seleção brasileira. Então, acho que seria muito difícil chegar no clube para ser número 1. Mas tenho o sonho, estou bem, tendo contrato até 2024. Se pintar a oportunidade, estou em aberto, quando vender o Arana é só me chamar”, finalizou.
