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Conheça o método de aumento de performance que Gaules e esA testaram

Gaules (esq.) e esA (direita) fizeram algumas sessões de neuromodulação e eletroestimulação Reprodução

A neuromodulação e a eletroestimulação chegam como uma alternativa para aqueles que não gostam de ir para a academia e que querem cuidar do seu físico, assim como melhorar o desempenho de atletas, trabalhando controle de ansiedade, estresse, etc.


E se eu dissesse pra você que existe uma outra forma de trabalhar o controle do estresse, ansiedade e também estimular o cérebro a trabalhar em toda a sua capacidade na tomada de decisões em momentos chave? Não só isso, mas também fazer exercícios que trabalham diversos músculos do corpo sem ter que passar horas na academia durante a semana?

Essa é a proposta da neuromodulação e eletroestimulação, que chegam como uma promessa de transformar a vida das pessoas e que pode ser uma boa alternativa para aqueles que não possuem tempo para (ou que simplesmente não querem) ir à academia todo dia, como os jogadores profissionais de esports.

Explicando de forma simples, a neuromodulação trata-se de um procedimento que busca calibrar e equilibrar os potenciais elétricos do cérebro de uma pessoa, de forma que eles passem a funcionar da maneira correta e cumpram sua função em cada parte do nosso cérebro. Uma espécie de terapia através de estímulos elétricos.

“Eu costumo dizer que a atividade elétrica cerebral é a última instância que pode ser medida, contabilizada e está próxima das ideias, dos pensamentos, das emoções e dos nossos comportamentos", diz o neuropsicólogo Braulino Peixoto em entrevista ao ESPN Esports Brasil. “Quando buscamos no nosso tratamento mapear o cérebro, ele nos conta um pouco como está a função elétrica do cérebro humano”.

“O nosso trabalho primeiro mapeia e tenta entender essas funções elétricas, entender esses ‘códigos secretos’ e a partir deles começamos a trazer propostas de desenvolvimento de performance”, conta.

Enquanto a neuromodulação busca trabalhar com os potenciais elétricos para potencializá-los e fazer com que o atleta (ou apenas uma pessoa comum) possa melhorar em diversos aspectos de sua vida, a eletroestimulação caminha lado a lado, trabalhando a parte física do corpo melhorando o condicionamento físico e prevenindo dores articulares - com os treinos podendo ser realizados em apenas 20 minutos.

“O miha é uma máquina que faz eletroestimulação de corpo inteiro [...] Ela traz um resultado muito mais rápido na reabilitação tanto física quanto mental. Quando fizemos com o Gaules, enquanto ele estava em uma partida, estávamos monitorando todas as ações do corpo dele: quando o coração dele acelerava quando fazia ou tomava um gol, a gente imediatamente recalibrava o equipamento para que ele ficasse o tempo todo em uma situação de conforto sem colocar stress no corpo”, conta Braulino.

“A neuromodulação combina muito com o mundo dos games. A gente precisa cada vez mais de design de games para poder ‘conectar o cérebro àquele jogo’ e também é uma forma divertida e agradável de se tratar”, comenta.

Um dos maiores streamers brasileiros, o Gaules, foi um dos nomes que participaram de sessões de neuromodulação e eletroestimulação que visam aumentar o desempenho junto de Braulino.

Alguns dos motivos para o fenômeno ter investido neste tipo de tratamento vão desde a oportunidade de melhorar sua capacidade de controlar o estresse ou tomar decisões rápidas e também melhorar sua postura e respiração durante suas longas lives, mas também de trabalhar seus problemas de depressão e ansiedade.

“No trabalho com o Gaules, percebemos que de fato ele tinha um marcador biológico para depressão e a nossa primeira contribuição para ele foi fechar aquela janela, diminuir aquele potencial elétrico, que é como se fosse uma tendência de que aquele processo pudesse voltar. Claro que falar nesse tratamento não é algo constante de dizer que neuromodulamos e a pessoa está livre da depressão e da ansiedade, não é assim”.

Através da “reprogramação do cérebro pelos potenciais elétricos e rítmicos”, a neuromodulação, segundo o neuropsicólogo, pode ser associada a uma terapia raiz, como a cognitiva comportamental, para tratar doenças psiquiátricas de um forma que chegue a ser “uma terapia muito próxima do perfeito”.

No entanto, a introdução da neuromodulação e eletroestimulação não só no cenário de esports, mas também no Brasil, ainda caminha a passos lentos.

Além dos benefícios que o procedimento pode trazer para aumentar o desempenho dos atletas por meio de estímulos cerebrais, ele também chega com a proposta de ser uma alternativa para a galera que quer começar a cuidar mais de sua saúde física (e consequentemente, a mental).

ELETROESTIMULAÇÃO NOS EXERCÍCIOS

Que a saúde física afeta a saúde mental e consequentemente aumenta o desempenho dos atletas é fato. No entanto, alguns problemas como falta de tempo e até mesmo de vontade para passar horas por semana na academia levantando peso são como pedras no caminho para que muitos brasileiros não dêem a atenção necessária para seu aspecto físico, e isso também engloba os jogadores profissionais.

Para entender como o processo de eletroestimulação funciona quando o assunto é performance, e também como esta pode se tornar uma alternativa aos exercícios físicos feitos em uma academia, a reportagem do ESPN Esports Brasil foi convidada a participar ao lado de esA, ex-jogador de League of Legends, de uma sessão nos estúdios parceiros da miha.

O procedimento é simples, a sessão usa um sistema de eletroestimulação através de colete com eletrodos que, ao ser umidificado com água, permite a condução da eletricidade e que promete ativar até 300 músculos simultaneamente em um treino de 20 minutos.

Aqui, deixo minha opinião sobre ele: sinceramente, foi muito legal testar algo novo e pouco divulgado como a eletroestimulação e que permita trabalhar diversas partes do corpo em um treinamento de apenas alguns minutos e poucas vezes na semana. Isso, em um contexto de uma rotina caótica e agitada como é o caso de muitos brasileiros que moram em grandes cidades como São Paulo, pode ser uma alternativa interessante.

Apesar de ter sido sedentário nos últimos anos - apenas pedalando como uma forma de exercício físico -, a sensação da eletroestimulação para mim foi prazerosa e fazer exercícios com ela passando por diversos músculos do meu corpo foi desafiador. Assim como em uma academia convencional, você evolui no seu tempo e não precisa se forçar a suportar uma carga que talvez não aguente, mas não quer dizer que será fácil.

Introduzindo o tratamento em um cenário da rotina de um jogador profissional do cenário de esports, a eletroestimulação parece ser sim uma alternativa viável para os exercícios físicos tradicionais e também pode ser uma forma de trabalhar a alta performance dos atletas quando aliado ao tratamento por neuromodulação.

O exercício funciona como uma academia tradicional, dependendo do objetivo de cada pessoa, podendo ter foco em criar músculos, no emagrecimento e também no controle de respiração, atenção e outros fatores que podem tornar um atleta ainda mais completo - além de ajudar também na coordenação e postura.

“A duração dos treinamentos variam. Por padrão são vinte minutos, acima disso você não tem mais benefício, é só fadiga. Vinte minutos é o suficiente, mas se quiser, você pode fazer em uma alta intensidade em dez minutos”, comenta Murilo Ianelli, instrutor de um dos parceiros da miha, localizado perto da Avenida Paulista, em São Paulo.

Além dos treinos de força e metabólico, que acontecem através da eletroestimulação junto da realização de exercícios como agachamentos, flexões e corridas, ao final desses é realizado o trabalho de relaxamento muscular, de forma que a aparelhagem mande eletroestimulações mais suaves com propriedades analgésicas, segundo Murilo, que ajudam na recuperação e aliviam a fadiga.

Terminada a sessão, busquei conversar com esA, que já passou por diversas equipes e hoje leva a saúde física como prioridade, podendo dar uma visão melhor de como o exercício poderia ajudar dentro dos esports e segundo o ex-jogador, o exercício “é bem legal”.

“Eu acho ideal para as organizações terem uma máquina dessa, são poucos jogadores profissionais que realmente se cuidam. Se as organizações tem alguém que instrui e faz o acompanhamento, acho que começa a ficar mais interessante. É um treino bem intenso, mas é bom. Economiza tempo”, conclui.

Mesmo que interessante, um procedimento como esse pode não ser tão viável em um país como o Brasil, onde grande parte da população não possui condições de investir em sua saúde, seja ela física ou mental.

Apesar de não ser uma pechincha, Braulino garante que “as sessões com esse tipo de equipamento não estão fora da realidade financeira de uma terapia convencional ou um treino com um personal trainer. Já conseguimos nivelar os valores das sessões com outras terapias que já estão disponíveis”.