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SFV: 'Eu não voltei a jogar, participo pra ajudar o pessoal', garante Brolynho

Brolynho durante o ELeague Street Fighter 2017. ELeague

Em março deste ano, Brolynho anunciou sua aposentadoria como competidor de Street Fighter V para focar nos estudos e outros aspectos de sua vida. Por isso, muitas pessoas podem ter achado estranho ver o jogador disputar torneios como o Fight in Rio, em julho, e o Treta Championship neste final de semana.

No entanto, em entrevista ao ESPN Esports Brasil durante o evento em Curitiba, Brolynho garantiu que não voltou a jogar.

“Eu não tinha planos pra vir [ao Treta]. Eu participo da cena presencial, dos torneios mais importantes, pra apoiar o pessoal mesmo”, explica. “Eu não viria pro Treta por falta de dinheiro, mas quando meu controle quebrou e falei com o pessoal da 2nd Impact para conseguir novas peças, o Ed [da 2nd] perguntou se eu vinha pro Treta. Eu disse que não, e ele disse que ia pagar pra eu vir. Então eu vim”.

A ida de Brolynho rendeu ao jogador um lugar no Top 8 da competição, mas nem tudo é felicidade. Para conseguir esse resultado, o carioca precisou eliminar seu conterrâneo Dark — que está na busca por pontos por uma vaga direta na Capcom Cup — em uma disputa emocionante na chave inferior do Top 16.

“Quando eu perdi pro Chuchu na Winner’s [chave superior], e já tinha a notícia de que ia enfrentar ou o Dark, ou o Zenith, eu já sabia que ia perder”, revela Brolynho. “Eu já imaginava que ia perder pro Dark com certeza, porque não ganho dele faz muito tempo, e o Zenith eu tinha um pouco mais de possibilidade porque ele não conhece muito meu jogo, mas ainda era uma possibilidade pequena”.

“Eu não queria ter ganhado do Dark, mas também não vou entregar jogo. Ele não iria querer isso, também, e eu acabei atrapalhando a trajetória dele, então fiquei meio triste por causa disso”, complementa. “Eu fico feliz por ter conseguido o Top 8, mas não é algo que eu estava perseguindo, só vim pra me divertir com o pessoal mesmo, e infelizmente aconteceu de eu ter eliminado o Dark”.

Quando perguntamos sobre o fato de Brolynho ainda estar em alto nível mesmo sem treinar, o jogador afirmou que isso é um resultado de seu bom “nível de fundamento”. “Eu tive que melhorar tecnicamente porque meu personagem [Necalli] foi ficando fraco desde a Season 1, então o nível de fundamento que eu desenvolvi está bem acima da média do pessoal. Mesmo que eu não esteja treinando, eu sei muita coisa de fundamento. Às vezes eu ganho só com coisa simples. Isso é legal, fico feliz com o nível de fundamento que consegui desenvolver durante a minha trajetória”, detalha.

Esta edição do Treta, é claro, está longe de ser a primeira de Brolynho. Além de um vice-campeonato contra Keoma em 2018 e um primeiro lugar na edição de 2017, o jogador relembra com carinho de seu primeiro Treta.

“No meu primeiro Treta [2012] eu havia começado a competir fazia três meses. Na época, no Street Fighter IV, o Keoma era dominante, basicamente ganhava todos os torneios que ia, e ele só não conseguiu ganhar aquele porque tinha Tokido e GamerBee”, recorda. “Eu não sabia muito bem o que estava acontecendo, eu não sabia como funcionava double elimination, nem nada. Daí fui jogando, jogando, e de repente eu ‘tava’ em 4º lugar”.

Ele continua: “Aí eu enfrentei o Keoma e ele me destruiu, mas foi legal porque eu cheguei em quarto lugar mesmo sendo bem novato, né? Acho que é isso que mais me marca do Treta”.

TORCENDO PELOS COMPANHEIROS

Até o momento, a final regional da América Latina da Capcom Pro Tour já tem dois brasileiros garantidos por pontuação: Zenith e Dark. Para Brolynho, a conquista dos companheiros é merecida porque “acho que os dois são os mais fortes brasileiros”.

No entanto, o jogador ressalta que os brasileiros precisarão tomar cuidado com a diferença técnica que existe entre quem joga no Brasil, e quem joga com mais competidores de outros países.

“Nosso problema aqui é que a gente joga só com a gente. Eu ‘tô’ falando isso porque eu já fui lá pra fora várias vezes e a diferença técnica é muito grande”, afirma. “Todas as vezes que eu fui pra Capcom Cup, fiz 0-2 [ser eliminado sem vitória] enquanto eu dominava totalmente aqui [no Brasil], todo torneio que eu ia eu ganhava. Então assim, não é ‘ah, eu tava mentalmente abalado’, não. A diferença técnica é muito grande”.

Brolynho também comentou sobre a diferença de ser um jogador que utiliza personagens do “meta” ou não. “O Didi pegou o Top 16 [da Evo], mas tem uma diferença dele e do resto do pessoal, e isso também se aplica ao Zenith: são dois competidores que não jogam com personagem do meta”, explica. “Você pode treinar sozinho, você desenvolve seu personagem sozinho, e se você conseguir desenvolver ele bem, pode até ganhar o torneio. Mas os outros caras, qualquer um outro que jogue dentro do meta, têm obrigatoriamente que jogar dentro do meta e no meta, e daí os caras lá de fora são melhores”.

Um exemplo de sucesso neste caso, segundo Brolynho, é o de MenaRD, jogador dominicano que venceu a Capcom Cup de 2017. “O Mena conseguiu ganhar não porque é um super jogador. É óbvio que ele é muito forte, mas ele estava treinando com os caras [de fora]. Ele vai em todos os torneios norte-americanos, está sempre treinando com os estrangeiros, jogando com eles. Assim, você se acostuma a um nível técnico diferente, aprende coisas diferentes”, crava o jogador.

Brolynho não nega o crescimento do cenário de Street Fighter V no Brasil, principalmente em São Paulo com os torneios semanais do TUQ. No entanto, para ele, esse crescimento não será o fato determinante para os brasileiros na final regional. “A cena cresceu, sim, mas o nível técnico é diferente. Eu acho que eles vão representar bem lá fora, mas não é porque a cena cresceu. Eles são bons, não importa se a cena cresceu ou não, eles são bons e iam jogar bem de qualquer forma. Mas pra eles ficarem mais fortes, infelizmente eles têm que treinar lá fora. Mas eu acho que eles vão fazer bonito, vai ser legal”, finalizou.

A final regional da América Latina acontece em 26 e 27 de outubro no First Attack, em Porto Rico, com os oito melhores jogadores da região segundo ranking de pontuações da Capcom.