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'Evo brasileira': Treta Championship é 'a grande celebração dos jogos de luta no Brasil'

Treta Championship acontece em 7 e 8 de setembro em Curitiba, Paraná. Divulgação

A cidade de Curitiba recebe neste final de semana mais uma edição do TRT Championship, a “Evo brasileira”. O evento acontece anualmente e reúne os melhores competidores de jogos de luta do Brasil e até de outros países em mais de 10 torneios.

Na edição deste ano, que já conta com mais de 400 inscritos, haverá competições de Street Fighter V, Mortal Kombat 11, Samurai Shodown, Tekken 7, Under Night, BlazBlue: Central Fiction, Dragon Ball FighterZ, Guilty Gear Xrd REV 2, Skullgirls, Super Smash Bros. Ultimate e Super Smash Bros. Melee, além dos “torneios secundários” de Ultimate Marvel vs. Capcom 3, Super Street Fighter II Turbo e Melty Blood.

Para saber um pouco mais sobre a história do evento e das expectativas, o ESPN Esports Brasil conversou com Giovane Lurezonski, fundador do Treta, e alguns dos grandes participantes, como Keoma, Dark e KillerXinok.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Giovane conta que “o embrião do treta surgiu em 2009, depois que joguei um torneio de Street Fighter IV em uma loja de vídeo games em Curitiba”. “Estava muito lotado e confuso, foi uma experiência bem ruim. No mesmo tempo, comecei a acompanhar eventos do gênero nos Estados Unidos, que já aconteciam há décadas por lá, e assim surgiu a ideia de criar o meu próprio torneio de jogos de luta”.

Ele lembra que a primeira edição gerou uma repercussão bem grande para um evento que teve uma divulgação boca-a-boca e que o Treta está sendo trabalhado desde 2010. “O nome veio da velha gíria brasileira para briga. Posteriormente, com uma equipe maior e focada, criamos uma identidade para o torneio abreviando para TRT”, explica.

Com o grande número de inscritos para este ano, perguntamos se esta é a maior edição do Treta de todos os tempos, mas Giovane afirma que não. “A maior edição foi o Aftermath de 2013 em questão de relevância e público. O ano anterior já tinha sido um marco, pois fomos o primeiro evento da América Latina a receber jogadores internacionais de peso, como o japonês Tokido, o americano ComboFiend e o taiwanês GamerBee. Então, em 2013 fomos escolhidos pela Capcom EUA para ser evento Premier na América Latina, o que atraiu jogadores do mundo todo, como o japonês Sakonoko e o inglês Ryan Hart”, lembra.

Na época, o torneio de Super Street Fighter IV contou com 256 participantes, “uma marca muito difícil de superar” — a edição deste ano, por exemplo, tem pouco mais de 150 competidores. No entanto, Giovane garante que a edição deste ano será “a mais estruturada de todas”.

“Este ano o torneio estará mais encorpado e maduro, englobando todos os cantos da comunidade, com o foco no padrão de evento profissional de esports que a comunidade brasileira merece”, aponta. “O torneio ao longo desta quase década de existência teve apenas um ano de ausência, em 2014, devido a fatores como a crise econômica, Copa do Mundo e outros. Apesar de tudo o TRT continua a crescer desde a edição de 2015 e só tem aumentado seu alcance e números”.

O fundador do evento também crava que o TRT é a “grande celebração dos jogos de luta no Brasil” e que o público “pode esperar um evento com emoção, atrações e muitos embates”. “Seja nos torneios oficiais quanto os contras no freeplay, com as pessoas que geralmente só se enfrentam online”, comenta. “É uma edição que, além dos competidores do torneio, pensamos no público casual para deixar esse gênero de jogo mais visível e amigável para todos, por isso foi de decisão unânime deixar a entrada gratuita. Esperamos que o esforço valha a pena!”

COM A PALAVRA, OS COMPETIDORES

Quem pensa que a competição do TRT 2019 será fácil, está muito enganado. Nomes fortes e que já disputaram torneios internacionais estarão presentes nos diferentes torneios, e será necessário grande habilidade e equilíbrio mental para não terminar a disputa com o famoso “0-2”.

Isso é especialmente verdade na competição de Street Fighter V, que vale ponto na Capcom Pro Tour. Recém-campeão da Never Give Up no Chile e vencedor da última edição do TRT, Keoma é um dos jogadores que chega como favorito no torneio.

Em conversa com o ESPN Esports Brasil, ele afirmou que está tomando cuidado com a expectativa para não ficar muito ansioso. “A vitória no NGU acima de tudo foi um bom lembrete da importância de estar com a mente limpa. Creio que isso, somado a um pouco mais de treino, sejam o necessário para defender o título”, afirma.

Ao falar sobre sua melhora como competidor, Keoma cita as “experiências no TUQ e a bagagem que pude trazer da Evo em questão de variação de estilo de jogo”. “Acredito que encontrei maneiras diferentes de jogar”, crava.

Com a vitória no Chile, a participação de Keoma na final LATAM da CPT “está bem perto de uma realidade”, o que aumenta ainda mais a importância de uma vitória no TRT. “É uma situação motivadora”, garante ele.

Quanto aos principais rivais na ‘Evo brasileira, Keoma cita que “as maiores ameaças continuam sendo os colegas de treino Zenith, HKDash e Alexandro, assim como Robinho, Arthuro-Ray e Thomas (Brolynho)”.

Outro brasileiro que está na lista dos favoritos é o carioca Dark, que vem embalado de uma vitória no Fight in Rio (que também valia ponto no CPT) e um Top 5 no Chile.

“Estou super ansioso para jogar o Treta, um evento maravilhoso pelo qual tenho um carinho especial porque fui campeão em 2016”, conta. “Gostaria de ganhar novamente, porque uma vitória aumenta minhas chances de ir para Capcom Cup direto, sem depender da final LATAM”.

Atualmente, Dark está em 36º no ranking global e 2º no ranking da América Latina, o que já o praticamente garante para as finais da região. Ele explica: “Só restam mais quatro eventos na América Latina: o TRT, o CPT México, o CPT República Dominicana e o CPT da Costa Rica. Desses, só não irei para o México. E por mais que eu não pontue mais, os adversários que estão na briga não irão viajar para os torneios”

Quando perguntamos sobre os principais rivais de Dark no TRT, ele indica “os que são mais consistentes e que estão mais preparados para todas as matches”, que são Keoma, Brolynho, Hkdash e Zenith. “Esses jogadores possuem uma experiência em torneios CPTs de se admirar, e o Zenith simplesmente é a melhor Menat da América junto com J. Wong, dos EUA”, afirma.

Mas não é só o torneio de Street Fighter que vai pegar fogo. Apesar de não valer pontos para o circuito oficial, a competição de Mortal Kombat 11 no TRT servirá de “aquecimento” para a etapa da Pro Kompetition que será realizada na BGS 2019, em outubro.

Considerado o melhor jogador brasileiro na modalidade, KillerXinok também estará em Curitiba, e aproveitou a entrevista para falar sobre a importância de participar de eventos presenciais. “Atualmente, os jogadores de mortal Kombat 11 preferem mais ficar nos campeonatos online. Eu entendo pelo jogo ter um dos melhores netcodes, mas a cena offline é bem importante pra manter o nível da galera”, aponta.

O jogador afirma que a etapa da Pro Kompetition no país é a chance do país mostrar que há outros competidores bons além dele. “Temos jogadores incríveis aqui, como o Guiexceptional, o Poto2222, o Sangue frio, o Konqueror, e por aí vai. Vamos dar o nosso melhor para não deixar o pessoal de fora levar o título”, garante.

Sobre sua participação no TRT, KillerXinok comenta que Guiexceptional é sua principal preocupação, mas não exatamente um rival. “Ele é o cara que sempre chega nas finais contra mim, mas eu não diria que é um rival. É só um dos 10 que eu vou ter que ficar bem atento pra não acabar perdendo”, brinca.


O TRT 2019 acontece em 7 e 8 de setembro na Universidade Positivo, no bairro Cidade Industrial em Curitiba, Paraná, a partir das 10h. A entrada é gratuita para os visitantes, enquanto os competidores precisam pagar uma taxa para cada jogo a ser disputado.

Giovane explica que o evento será transmitido no canal oficial da Twitch e em canais de parceiros para “atingir o maior público possível”. “Espero que todos possam nos prestigiar, seja nos auditórios da Universidade Positivo ou em nossos canais de transmissão”, finaliza.