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'Neymar não é santo, mas seria reverenciado em qualquer país; aqui só querem depreciá-lo', diz Micale

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'Vida do Neymar na seleção brasileira se define no Catar', afirma Vitor Birner (3:17)

Momento do craque foi assunto no Linha de Passe (3:17)

O atacante Neymar vem fazendo uma excelente Copa América com a seleção brasileira até o momento.

O camisa 10 foi decisivo nas duas vitórias da equipe comandada por Tite até agora no torneio, dando exibições de gala no 3 a 0 sobre a Venezuela e no 4 a 0 sobre o Peru.

Após a goleada sobre os peruanos, Neymar mostrou-se muito emocionado e chorou bastante durante entrevista, na qual comentou o fato de estar próximo a alcançar Pelé como maior artilheiro da história da seleção (faltam só 9 gols).

"Óbvio que pra mim é uma honra muito grande fazer parte da história da seleção brasileira. Meu sonho era sempre jogar pela seleção, nunca imaginei chegar a esses números, pra mim é emocionante, porque passei por muita coisa esses dois anos que são difíceis, complicadas", disse o craque.

Na opinião de um dos treinadores mais importantes de sua carreira, apesar dos números espetaculares que possui com a camisa canarinho, Neymar não é reconhecido como deveria em seu próprio país.

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2:34

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Trata-se de Rogério Micale, comandante que conquistou a medalha de ouro olímpica com a seleção nos Jogos do Rio 2016 e que até recentemente estava à frente do Al-Hilal, da Arábia Saudita.

Conhecido por ter sido um dos primeiros técnicos a usar Neymar mais recuado, praticamente como um meia-atacante, Micale afirma que os brasileiros têm a "mania muito ruim" de criticar o atacante sem motivo, enquanto ele deveria receber tratamento de ídolo nacional.

"O Neymar é um jogador diferente, muito acima da média. E quando você o vê de perto, trabalhando no dia-a-dia, você enxerga o potencial absurdo. Aquela nossa equipe olímpica era muito jovem, e ele me ajudou muito na misssão do ouro. Foi um alicerce para a gente", exaltou, em entrevista ao ESPN.com.br.

"Ele é um líder técnico, e, no início da Olimpíada, nós passamos por um momento muito contestado [após empates por 0 a 0 com África do Sul e Iraque na fase de grupos], e ele sofreu muitas críticas. Infelizmente, no Brasil nós temos a mania de, quando temos um ídolo, criticá-lo e expô-lo de uma forma muito ruim. Isso é uma questão cultural", apontou Micale.

Para o baiano de Salvador, Neymar não é um "santo", já que já teve sua parcela dos mais variados problemas dentro e fora de campo.

No entanto, Micale argumenta que se o atacante tivesse qualquer outra nacionalidade, seria idolatrado por todos, ao contrário do que acontece no Brasil, na sua visão.

"Ele não é um santo, mas longe de mim falar qualquer coisa dele. O fato é que ele é um atleta que, em qualquer país do mundo, seria reverenciado. Mas, aqui, só querem depreciá-lo. A única coisa que posso dizer é que foi uma honra trabalhar com ele", ressaltou.

Após os Jogos do Rio 2016, os destinos de Neymar e Micale se separaram bastante.

O atacante ainda passou mais algum tempo no Barcelona e acabou depois sendo contratado pelo Paris Saint-Germain, na maior transferência de todos os tempos no futebol.

Quase na mesma época, Micale retornou ao futebol de clubes e assumiu o Atlético-MG, mas não teve sucesso. Em seguida, passou por Paraná, Figueirense e Cruzeiro sub-20 antes de assumir o Al-Hilal, seu último clube até a demissão em maio deste ano.

O treinador, porém, faz questão de salientar o enorme carinho que tem por Neymar, que foi o "responsável" por colocar a medalha de ouro no peito de todos da seleção, já que fez o gol no tempo normal do empate por 1 a 1, com a Alemanha, e ainda bateu o pênalti decisivo na série final de penalidades.

"A última vez que vi o Neymar pessoalmente foi no Catar, quando o PSG estava fazendo pré-temporada lá. Foi muito bom reencontrá-lo pela primeira vez depois da Olimpíada. Ficamos mais de duas horas conversando e relembrando as muitas histórias que passamos juntos", finalizou, saudoso.


Confira a 2ª parte da entrevista com Rogério Micale nesta segunda-feira, no ESPN.com.br