Se pudesse, Diego Hypolito teria mudado a data de lançamento do seu livro "Não existe vitória sem sacrifício", cuja noite de autógrafos em São Paulo aconteceu na terça-feira (4).
"Eu teria trocado esse período. Eu fiquei muito estressado com tanto xingamento. Eu não sei explicar a quantidade de coisas que eu escutei", revelou ele ao ESPN.com.br, entre autógrafos e fotos, durante o evento que teve presença de personalidades como Gustavo Borges, Tande, Hortência e outros personagens do esporte, além é claro, da irmã Daniele Hypolito.
O agora ex-ginasta se encontrou com o presidente Jair Bolsonaro no último dia 20 de outubro, resultando, para ele, em xingamentos, em especial de membros da comunidade LGBTQ, por conta de declarações de cunho homofóbico proferidas pelo presidente da república no passado.
"Foi uma semana muito complicada, que me fortaleceu como pessoa", disse ele
Quem também esteve no evento de lançamento do livro foi Marcio França, do PSB, ex-governador de São Paulo e candidato derrotado por João Dória (PSDB) no último pleito estadual. Dele, segundo o blog Olhar Olímpico, do UOL, Diego ouviu a promessa de um novo encontro para a próxima semana.
"Eu tenho escutado pessoas e ideias, para entender o que as pessoas querem oferecer para o País, porque eu quero conseguir mudar alguma coisa", disse ele, que se declara apartidário, "nem de direita, nem de esquerda" - o que de certo modo se comprova, dado as diferenças ideológicas entre os dois caciques que Diego encontrou.
"Dizem 'ah, mas você é a favor desse ou daquele. Não sou. Sou a favor do Brasil. Eu queria que as pessoas entendessem que a gente tem liberdade de expressão", disse.
Embora diga não querer receber nenhum cargo, Hypolito não descarta se candidatar nas próximas eleições, ou se filiar a algum partido.
"Com certeza, no inicio do ano que vem, eu vou dar um parecer relacionado ao que eu vou fazer", disse.
Além dos já citados, estiveram na noite de autógrafos Lais Souza, Maurren Maggi, Fabiana Murer, Bia e Branca Feres, do nado sincronizado, além dos ginastas Athur Nory e Chico Barreto. A modelo Barbara Evans também marcou presença.
Xingamentos pesaram para aposentadoria
Foi na última segunda-feira, que Diego Hypolito anunciou sua aposentadoria da ginástica. Em parte, o clima negativo por conta dos xingamentos pesou na decisão.
"Eu não imaginei que ia me aposentar, porque eu ia tentar a vaga olímpica, mas eu me cansei tanto com essa questão. E pensei: "Mais uma vez, terei que me provar...", disse. "Aí, eu pensei: 'C.., eu não tenho mais saúde para isso", revelou.
'Preciso preparar o emocional', diz a irmã, sobre o livro
O livro de Diego, escrito em depoimento à jornalista Fernanda Thedim, relata momentos da carreira do atleta mesclado com revelações de cunho muito pessoal, tais como o período em que esteve diagnosticado com depressão, bem como sua luta para esconder sua homossexualidade.
Por conta de tudo isso, mesmo conhecendo grande parte das histórias, Daniele Hypolito ainda não teve coragem de ler a obra.
"Eu comecei o livro agora também. Fui um dia na casa dele, que é meu vizinho do andar de baixo aqui em São Paulo, vi que tinha um livro dando sopa, peguei e comecei", conta ela.
"Acho que é um livro que vou ter que ter um emocional bem preparado. Porque há coisas que eu não sei que ele passou. A história dos trotes, por exemplo, eu não sabia", conta ela.
Os episódios em questão são relatados por Diego no Capítulo 7 de seu livro, chamado "Caminhos Interrompidos". Diego relata que tinha 11 anos quando foi obrigado por veteranos da Ginástica a pegar do chão, com o ânus, uma pilha besuntada de pasta de dente, para causar ardência, entre outros abusos.
