<
>

Copa América: Conheça Francisco Maturana, reforço da comissão técnica da Venezuela

A Venezuela tem um reforço de peso para a disputa da Copa América de 2019: trata-se de Francisco Maturana.

O colombiano pode até não ser conhecido no Brasil, mas seu currículo fala por si só.

Nascido em Quibdó, Maturana tem a história ligada diretamente ao futebol da Colômbia. Mas isso poderia muito bem ter sido totalmente diferente.

Antes de imaginar que seria bem sucedido com a bola no pé, "Pacho" (apelido) era dentista. Ele exercia a profissão em paralelo à carreira de jogador. Foram 14 anos de odontologia.

Como jogador, foi ídolo do Atlético Nacional, passou pelo Atlético Bucaramanga e encerrou a carreira no Deportes Tolima em 1982, aos 33 anos. Ele atuava como zagueiro.

Como treinador, começou de maneira precoce. Após um período treinando categorias inferiores, chegou ao Once Caldas em 1986, quatro anos depois de pendurar as chuteiras. Ficou pouco tempo na equipe de Manizales.

Em 1987, retornou ao clube que o projetou para o futebol: o Atlético Nacional. Com 10 anos de casa nas costas como jogador, "Pacho" teve a melhor temporada da carreira em 1989, quando comandou o time de Medellín rumo ao título da Copa Libertadores.

O Atlético de Maturana era um verdadeiro esquadrão, que se destacou por ser composto exclusivamente de colombianos. Com o folclórico Higuita no gol, o time ainda tinha Perea e Escobar na zaga e uma linha de frente formada por Pérez, Fajardo, Álves, García e Tréllez.

Ao longo da carreira, Maturana rodou por clubes e seleções. Mas foi na equipe nacional da Colômbia que ele se manteve nos holofotes. Em 1990, era ele o treinador na derrota por 2 a 1 para Camarões nas oitavas de final da Copa do Mundo da Itália - Roger Milla lembra bem.

À frente dos Cafeteros, goleou a Argentina por 5 a 0 no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, pelas Eliminatórias para a Copa de 1994. Rincón, Valderrama e Asprilla eram os craques daquele time, que chegou ao Mundial dos Estados Unidos como um dos favoritos, mas, surpreendentemente, acabou eliminado na primeira fase.

Em plena guerra civil, levou a seleção, em casa, ao inédito título da Copa América de 2001. Na decisão realizada em Bogotá, Cordoba fez o gol da vitória por 1 a 0 sobre o México. Aristizábal terminou a competição como artilheiro. No ano seguinte, no entanto, fracassou em classificar a seleção para o Mundial no Japão e na Coreia do Sul.

A última experiência como treinador foi no Once Caldas, em 2017, ano em que foi demitido após maus resultados. Dois anos depois, Maturana vai desempenhar a função de assessor técnico pela Federação Venezuelana de Futebol (FVF). Ele irá trabalhar diretamente com o treinador Rafael Dudamel, que aprovou a chegada da lenda colombiana.

"Agora se pode escutar as anedotas de como se classificar a um Mundial, agora em nossas mesas se enriquecem as conversas com nossos jogadores e comissão técnica com as histórias de Mundiais, de como é ser campeão em Libertadores, como é treinar na Europa, de como gerir pessoas. Nos enriqueceu dentro e fora do campo", disse Dudamel em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

Este não é o primeiro trabalho de Maturana na Venezuela. Em janeiro, o profissional de 70 anos foi convidado a dar palestras aos jogadores da seleção sub-20 durante o Sul-Americano da categoria, disputado no Chile.

O goleiro Wuilker Faríñez, destaque da seleção venezuelana na estreia da Copa América, elogiou a chegada do assessor. "Ele foi uma contratação importantíssima. Está dando conselhos que são muito importantes, principalmente em competições de tiro curto, como essa".

Currículo de Francisco Antonio Maturana García

Como jogador: Atlético Nacional (1970-1980), Atlético Bucaramanga (1981), Deportes Tolima (1982) e Seleção Colombiana (1981)

Como técnico: Once Caldas (1986), Atlético Nacional (1977-1990), Colômbia (1987-1990), Valladolid (1990-1991), América de Cali (1992-1993), Colômbia (1993-1994), Atlético de Madri (1994), Equador (1995-1997), Millonarios (1998), Costa Rica (1999), Peru (1999-2000), Colômbia (2001), Al Hilal (2002), Colômbia (2002-2003), Colón (2004), Gimnasia La Plata (2007), Trinidad e Tobago (2008-2009) e Al Nasr (2011-2012)

Principais títulos: Copa Libertadores (1989), Copa América (2001), Campeonato Colombiano (1992), Copa América (2001) e Campeonato Árabe (2001/2002)

Agenda

Após o empate na estreia com o Peru, a Venezuela enfrenta a seleção brasileira nesta terça-feira, às 21h30 (de Brasília), pela 2ª rodada da fase de grupos da Copa América. A partida será realizada na Arena Fonte Nova, em Salvador (BA).