“Viemos aqui para ser protagonistas na Copa América e nos despedirmos em 7 de julho”, disse o técnico da Venezuela, Rafael Dudamel, na entrevista coletiva de sexta-feira, véspera da estreia contra o Peru, em Porto Alegre.
O discurso estava em sintonia com a mentalidade dos jogadores.
“Não nos colocamos limites, estamos trabalhando para fazer as coisas bem, obviamente temos que ir partida a partida”, afirmara o atacante Salomón Rondón, maior artilheiro da história da Vinotinto, depois do treinamento de terça, o primeirona capital gaúcha.
“Lutaremos para estar em primeiro no grupo”, tinha declarado o zagueiro titular Jhon Chancellor no mesmo dia. “(Sobre chegar na final) sim, pensamos no maior, já temos tempo trabalhando e trabalhando muitas coisas boas e não deixamos de sonhar isso”.
A Venezuela se sente confiante e faz questão de deixar isso claro. Tal postura se justifica.
Vice-campeão mundial com a equipe sub-20 em 2017, o país viu o grande momento se estender à seleção principal. Nos últimos oito amistosos oficiais, foram quatro vitórias, três empates e só uma derrota. No período, a seleção alcançou o seu segundo triunfo na história diante da Argentina e fez 3 a 0 sobre os Estados Unidos em seu último amistoso antes do torneio.
Tal sequência fez com que a Venezuela alcançasse no fim de outubro a 29ª colocação do ranking da Fifa, igualando o seu melhor desempenho na história, o que havia ocorrido pela última vez em agosto de 2014 - a lista foi atualizada nesta sexta, e o time caiu para a 33ª colocação.
Na estreia da Copa América, a equipe viu o Peru criar mais, ter dois gols anulados, mas mostrou-se organizada e conseguiu manter o 0 a 0 depois que Luis Mago foi expulso aos 29min do segundo tempo.
A tensão da estreia passou, e a pergunta que fica é: o jogo mostrou que a Vinotinto tem motivos para seguir confiante em seu sonho?
“Sim, (estou) contente pelo trabalho que foi feito e não se duvidou nem um segundo. Estamos para grandes coisas, estamos para fazer coisas importantes. Trabalharemos agora para pensar no Brasil”, declarou Chancellor na zona mista, após o empate na Arena do Grêmio, em Porto Alegre.
O defensor ainda falou que os jogadores viram a vitória do Brasil sobre a Bolívia por 3 a 0.
“Sabemos o grande rival que vamos enfrentar, sabemos a grande equipe que é no individual e no coletivo. Mas sempre confiando no nosso jogo, tratar de crescer o que fizemos hoje, estar compacto, não deixar espaços, porque sabemos o grande rival que temos pela frente.”
“Obviamente que a sensação da primeira partida é de expectativa para ver o que pode acontecer. Fizemos uma partida correta. Temos que pensar no Brasil, temos três dias para analisar o Brasil”, disse Rondón.
“Vimos o jogo pela televisão, sabemos que Brasil ganhou por 3 a 0. Sabemos que no primeiro tempo foi difícil para fazer gol na Bolívia, no segundo tempo foi muito mais fácil para eles. Trataremos de fazer uma partida correta em todos os sentidos.”
Já o meia Luis Manuel Seijas, ex-jogador do Internacional e que ficou no banco na estreia venezuelana, também crê que o time pode manter o discurso.
“Sim, claramente não foi nosso melhor jogo, é o primeiro jogo ainda, mas acho que tem muitas coisas boas para resgatar. O Peru é uma seleção mundialista, é uma seleção que tem um processo muito parecido ao nosso em termos de tempo, com muito tempo com o Gareca à frente. Acho que foi um boa prova hoje e acho que passamos bem”, declarou.
Agora, o time treinado por Rafael Dudamel terá pela frente um adversário contra o qual possui um histórico de 19 derrotas, dois empates e uma vitória, ocorrida em um amistoso em 2008.
O que é necessário para contrariar o retrospecto?
“Concentração 100% na parte tática, na parte defensiva e ser um pouco mais incisivo na hora de atacar, ou seja, mais efetivo na hora que tenhamos nossas chances”, declarou Seijas.
Brasil e Venezuela enfrentam-se nesta terça-feira, às 21h30 (de Brasília), na Arena Fonte Nova, em Salvador.
