O Lyon divulgou nesta terça-feira (12) o balanço financeiro da temporada 2025/26 com um prejuízo total de 186,5 milhões de euros (R$ 1 bilhão na atual cotação).
No documento, o clube francês, que pertence a Eagle Football Holdings, afirma ter 126 milhões de euros (R$ 727 milhões) a receber do Botafogo.
Desse montante, porém, o OL estima que não vai conseguir recuperar a quantia toda, apontando uma depreciação de ao menos 86 milhões de euros (R$ 496 milhões).
A cobrança, no entanto, vai de encontro com o que os cariocas defendem.
Isso porque, no dia 22 de abril, a Justiça do Rio de Janeiro determinou que o Lyon pagasse uma dívida de R$ 137.899.307,00 milhões à SAF do Botafogo.
Na decisão proferida pelo juiz Leonardo de Castro Gomes, da 17ª Vara Cível do Rio de Janeiro, à qual a ESPN teve acesso, o clube francês recebeu um prazo de 15 dias para entrar com eventuais embargos. No entanto, para que isso fosse feito, Lyon deveria depositar ao menos 30% do valor da execução, acrescido de custas e de honorários de advogado.
Apesar da decisão publicada pela Justiça, os europeus alegam que até o momento não foram notificados.
''Além disso, há relatos de que o Botafogo iniciou um processo contra o OL perante o Tribunal do Rio de Janeiro, mas o Grupo não recebeu nenhuma notificação a esse respeito'', informou o Lyon.
Acusações a John Textor
No relatório financeiro divulgado nesta terça, o Lyon alega que John Textor, então à frente da SAF do Botafogo e da Eagle Football, colocou a equipe francesa como fiadora de empréstimos pegos pelo Glorioso.
''A depreciação, a amortização e provisões líquidas totalizaram € 158,6 milhões em 31 de dezembro de 2025 (€ 47,6 milhões em 31 de dezembro de 2024), incluindo, em particular, um total de € 126,2 milhões em perdas por impairment (redução ao valor recuperável) sobre créditos a receber (do Botafogo) relacionados ao risco de inadimplência identificado em partes relacionadas'', diz o documento.
De acordo com o Lyon, Textor emitiu três garantias em nome da Eagle Football Group (Lyon) ou da subsidiária OL SASU para "cobrir obrigações assumidas pelos clubes Botafogo e Molenbeek". Segundo apurou a ESPN, elas foram relativas aos jogadores Ernest Nuamah e Luiz Henrique.
''O Grupo descobriu recentemente que terceiros estavam acionando garantias concedidas, entre agosto de 2023 e abril de 2025, pela Companhia ou por sua subsidiária OL SASU, assinadas por John Textor, para cobrir obrigações assumidas pelos clubes Botafogo e Molenbeek (pertencentes à Eagle Bidco e ligados ao ex-diretor John Textor). Essas garantias não eram conhecidas e não haviam sido divulgadas nas demonstrações financeiras publicadas pela Companhia nos últimos anos'', diz outro trecho do balanço.
A primeira garantia seria "em favor de uma empresa de factoring de um clube do qual o Botafogo havia adquirido um jogador, para cobrir quaisquer valores pendentes devidos pelo Botafogo nessa operação'', com data em março de 2024.
Já a segunda ''trata-se aparentemente de uma garantia sob a lei inglesa, datada de abril de 2025, assinada pela OL SASU, em favor da mesma instituição da garantia anterior, mas desta vez atuando como credora do Botafogo SAF, para cobrir quaisquer valores pendentes devidos pelo Botafogo em relação a esse empréstimo (valor máximo inicial: cerca de € 30 milhões; valor que o beneficiário reservou-se o direito de exigir da OL SASU: € 14,8 milhões)''.
''Essa garantia assegura o mesmo empréstimo como um suposto crédito, cedido em garantia pelo Botafogo ao mesmo beneficiário, relacionado a valores devidos em razão de transferências de jogadores entre Botafogo e OL que nunca chegaram a ocorrer''.
A ESPN procurou John Textor por e-mail, mas ele não respondeu até a publicação desta reportagem. Caso ele se manifeste, a matéria será atualizada.
Próximos jogos do Botafogo:
Chapecoense (F) - 14/05, 18h (de Brasília) - Copa do Brasil
Corinthians (C) - 17/05, 16h (de Brasília) - Campeonato Brasileiro
Independiente Petrolero (F) - 20/05 (de Brasília) - CONMEBOL Sul-Americana
