Como uma viagem para feira de cachaça uniu São Paulo e Crystal Palace em time que desafia gigantes no Brasil

Uma cachaçaria uniu em um único clube o São Paulo e o Crystal Palace, adversário do Manchester United pela Premier League neste sábado (4), às 12h (de Brasília) com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

Dono do Engenho São Paulo, Múcio Carlos comprou em 2017 o Lucena-PB, o levou para Cruz do Espírito Santo, na região metropolitana de João Pessoa, e o rebatizou como São Paulo Crystal.

"Fiz uma viagem para uma feira de cachaça em Londres e fomos ver um jogo do Crystal Palace. Achei interessante na época, mas foi algo que passou. Vários anos depois, quando estávamos montando o time, nós colocamos o carcará como mascote. Nisso, lembrei que o gavião é o símbolo do Palace e resolvi adotar o nome Palace", contou o empresário ao ESPN.com.br.

O empresário resolveu adquirir o clube porque mantinha um time de futebol amador e uma escolinha de futebol para os filhos dos funcionários da empresa, com 200 garotos. Durante a pandemia, o clube precisou parar com as categorias de base por causa dos alojamentos, mas a ideia é retomar o projeto ainda em 2023.

"Nós mandávamos vários jogadores para outros times. Pensamos que era bom se tivéssemos um time porque esses meninos já ficariam por aqui. Surgiu a chance de fazermos o time".

O estatuto da agremiação cita que o nome tem “origem em uma homenagem a dois grandes clubes mundiais, tanto pelas conquistas, quanto pela força que as torcidas e os times representam no cenário mundial”.

O documento fala sobre os títulos do Crystal Palace na segunda divisão inglesa e as conquistas dos três mundiais e do Brasileirão do clube tricolor.

Planos de virar SAF

Apesar de ser torcedor do Flamengo, o dirigente adotou um escudo praticamente idêntico ao do clube inglês e utilizou o nome do engenho para homenagear o São Paulo Futebol Clube. As cores do Carcará são preto, branco e vermelho.

"Nós aproveitamos que o São Paulo é um grande clube de futebol. Então, fundimos os dois times".

O São Paulo Crystal treina no campo do próprio Engenho São Paulo, onde fica o CT, e manda as partidas no estádio municipal o Carneirão, com capacidade para três mil pessoas.

Vice-presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Múcio conta que tem dificuldades para manter o clube. Ele até brinca sobre ter uma parceria no futuro com John Textor, dono do Crystal Palace e do Botafogo.

"Eu coloco dinheiro como pessoa física e temos o apoio da prefeitura e de alguns patrocinadores, como uma casa de apostas. O Engenho não põe mais dinheiro porque alguns sócios não quiseram mais patrocinar".

"Estamos estudando para o clube virar uma SAF (Sociedade Anônima de Futebol) porque a tributação ficou melhor que o clube-empresa com a aprovação da lei. Seria bom fazer uma parceria para abrir uma filial aqui (risos)", brincou Múcio.

Líder do Paraibano

Desde a fundação, o clube disputou a segunda divisão do Campeonato Paraibano duas vezes até conseguir o acesso com o vice-campeonato, em 2019.

A melhor campanha até o momento na elite foi a semifinal do Estadual, em 2021. Com isso, disputou a Série D do Brasileiro, mas não conseguiu o acesso.

Atualmente, o São Paulo Crystal lidera o Campeonato Paraibano, com 12 pontos, acima de clubes com muito mais tradição no estado como Treze, Botafogo ou Campinense - que disputa a Copa do Nordeste, que também tem transmissão pela ESPN no Star+.

"Queremos buscar esse título para ter calendário cheio de Copa do Brasil e Série D do Brasileiro".