Em julho, os canais ESPN apresentam cinco documentários com os “big five” da história do rádio brasileiro. São eles: Milton Neves, José Silvério, Pedro Ernesto Denardin, Osmar Santos e José Carlos Araújo, o Garotinho.
Assim como os grandes gênios da arte, cultura e música, Osmar Aparecido dos Santos começou cedo a carreira profissional, aos 14 anos, e se aposentou precocemente por causa de uma tragédia.
Irmão mais velho de outros três homens, Osmar foi o responsável por levar dois deles para o rádio. Oscar Ulisses, 65, é o narrador principal da CBN São Paulo, e Odinei Edson, 59, é o número 2 da F-1 na Band News. Só Osório não seguiu a carreira.
Osmar e os dois irmãos radialistas são os protagonistas do quarto documentário da ESPN pelos 100 anos de rádio no Brasil, apresentando histórias de infância e de uma carreira meteórica de Osmar Santos.
Foi um trabalho que buscou os causos que marcaram os primeiros passos do Pai da Matéria na Rádio Clube de Osvaldo Cruz, no interior de São Paulo, onde tudo começou.
Registramos as lembranças dos poucos amigos, como Nenê e o locutor Pedro Panvechio, ambos companheiros de bola e microfone, até Osmar voar para Marília e depois São Paulo, onde entrou para a história como o locutor mais badalado e revolucionário do rádio paulista.
Claro que é impossível registrar os melhores momentos da carreira desse gênio que trouxe uma linguagem mais jovem e, principalmente, inteligente às narrações de futebol.
São muitas histórias construídas em 31 anos de profissão, desde as narrações épicas dos grandes times de São Paulo, como também seleção brasileira, esportes olímpicos e a atuação histórica no movimentos das Diretas Já, em 1984, que ajudou a tirar o Brasil dos anos de opressão, tortura, censura e mortes durante a Ditadura Militar para o início do governo democrático.
Uma voz que se cala
O fenômeno Osmar Santos estava no auge de sua carreira profissional e pessoal quando um quase fatal acidente o calou para sempre aos 45 anos de idade.
O acidente aconteceu no mesmo ano da morte do piloto Ayrton Senna e no mesmo ano em que o Brasil conquistou o tetracampeonato mundial na Copa do Mundo dos EUA.
Era antevéspera do Natal de 1994 quando Osmar decidiu viaja com sua Mercedes de Marília, onde estava com a família, para uma festa de fim de ano com os funcionários de uma de suas concessionárias de carro em Birigui, também no Estado de São Paulo.
Quando chegava próximo a Lins, na cidade de Getulina, Osmar não conseguiu enxergar um caminhão, dirigido por um motorista embriagado, fazendo uma manobra proibida no meio de uma estrada federal, com chuva e à noite. Resultado: houve uma colisão do lado esquerdo do carro de Osmar, onde estava o último gancho da carroceria do caminhão.
Osmar apagou na hora. O gancho penetrou na cabeça do locutor, que perdeu o controle do carro e foi parar no meio do mato, ao lado da rodovia. O motorista foi embora.
Com o impacto Osmar perdeu 14 centímetros de massa encefálica e mais do que isso. Por ter sido do lado esquerdo do cérebro, Osmar Santos perdeu sua principal ferramenta de trabalho, a voz. Também teveparte dos movimentos do lado direito do corpo comprometidos para sempre.
Os detalhes desse drama, que à época parou o Brasil, são contados por familiares e pelo neurocirurgião, Jorge Pagura, que salvou a vida de um dos caras mais queridos da comunicação.
Especial "Osmar Santos e os irmãos do rádio" é o quarto documentário da série da ESPN pelos 100 anos de rádio no Brasil. Disponível no StarPlus e, em 28 de julho, na ESPN
Encontros e revelações
Querido por todos os profissionais de rádio e televisão, Osmar foi chefe de equipe na Jovem Pan e depois na rádio Globo, tendo estendido a mão para muita gente, como Fausto Silva, Cledi Oliveira, Antônio Edson, José Silvério, Milton Neves, entre muitos outros.
Durante as gravações dos documentários de Osmar Santos e Milton Neves para a série da ESPN, realizamos o encontro dos dois, mesmo sem eles saberem, em São Paulo.
Foi uma forma de colocar os dois gigantes do rádio para falar e relembrar o papel de Osmar na vida de Milton que, durante o início de carreira, foi descoberto como repórter de trânsito pelo Pai da Matéria e a partir dali ganhou a chance de ser escalado para o plantão esportivo da Jovem Pan.
Foi um encontro cercado de emoção, informação e memória…
Sentimento de irmão
Odinei Edson não havia participado do primeiro documentário realizado pelos canais ESPN em 2015: “Vai Garotinho que a Vida é Sua”. Dessa vez, o irmão caçula de Osmar deu uma entrevista via internet, uma vez que mora em Portugal, e revelou conselhos ternos do mano.
Disse como começou sua brilhante carreira irradiando, primeiro jogos de futebol e depois provas de automobilismo, onde tornou-se uma voz marcante e acabou se encontrando.
Recordou, muito emocionado, o primeiro dia em que levou o irmão para dar uma volta de carro, depois do fatídico acidente em 1994, e desabou, sendo reerguido por Osmar. Também desabafou quanto aos rumos que o rádio está tomando com o advento da “imagem” na internet.
Osmar de hoje, o artista da vida
Muita coisa mudou na vida de Osmar desde o acidente.
Deixou o trabalho no rádio, teve empresas fechadas, perdeu a esposa, viu a lista de amigos reduzir, o dinheiro ficar mais curto, mas adquiriu uma força invejável para tocar a nova vida.
Desde que se recuperou do acidente, Osmar se reiventou com uma nova profissão.
Por intermédio da arte, Osmar pinta em seus quadros sentimentos, e consegue leiloar as obras por meio de amigos e fãs. Claro que não ganha dinheiro como nos tempos de locutor e apresentador, pois pinta um quadro por dia e vende cada um em média por R$ 500, rendimento que não cobre as despesas com dois empregados, que vivem com ele –Toninha, que é uma espécie de cuidadora, e Chico, o fiel motorista que leva Osmar para cima e pra baixo, nas fisioterapias e passeios que tanto ele gosta de fazer em shopping ou no Pinheiros, clube do qual é sócio.
O acidente tirou muita coisa material da vida de Osmar, mas lhe deu a chance de ser feliz o tempo todo, pelo simples motivo de estar vivo.
Osmar não desiste nunca, mesmo com tanta dificuldade para se locomover ele vai aos encontros com os poucos amigos que sobraram daqueles velhos tempos.
Hoje, Osmar é grato pela vida e dá um tremendo valor às pequenas coisas, tão simples como eram seus primeiros ensaios radiofônicos, lá em Osvaldo Cruz, sempre com uma latinha vazia de tomate, sonhando um dia dominar os microfones...
Assista
"Osmar Santos e os irmãos do rádio". Já disponível no Star+.
Estreia na ESPN em 28 de julho, às 23h55 (de Brasília).
A série especial
A série especial A série especial Ao todo, são cinco especiais feitos pela ESPN em homenagem aos 100 anos de rádio no Brasil. O primeiro deles é "Miltons e suas paixões, com Milton Neves". Os outros são "José Silvério, o Menino Chato", "Pedro Ernesto, o Locutor Vovô", "Osmar Santos e os irmãos do rádio" e "Coisas de Garotinho, com José Carlos Araújo".
Todos serão exibidos na última semana de julho na ESPN (de 25 a 29) e estão disponíveis no Star+.
