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No PodCopa, Ronaldo revela trote de Romário em 94, fala de convulsão 'estranha' em 98 e abre jogo sobre fracasso de 2006: 'Time dos sonhos'

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Ronaldo detalha convulsão 'muito estranha' em 98 e diz que 'fez de tudo para jogar': 'Não queria fugir da responsabilidade' (3:22)

'Eu acho que, no jogo em si, a França dominou desde o início, acho que tecnicamente a gente foi dominado', disse Ronaldo no PodCopa (3:22)

Ronaldo "Fenômeno" concedeu entrevista exclusiva ao podcast da ESPN e falou sobre memórias marcantes de suas Copas do Mundo


Nesta quinta-feira (30), entra no ar mais um PodCopa, podcast original da ESPN sobre seleção brasileira e Copa do Mundo. E o convidado desta semana é simplesmente Fenomenal: Ronaldo Nazário de Lima, atacante que foi campeão em 1994 e 2002, vice em 1998 e parte ainda da campanha de 2006.

Em conversa gravada na última terça-feira (27), durante evento da Betfair, site de apostas do qual é embaixador, o hoje dono do Cruzeiro abriu o jogo e não fugiu de nenhum assunto.

Na entrevista, falou com alegria de suas conquistas de Copa em 1994 e 2002 - o conteúdo sobre o Penta, inclusive, foi ao ar no ESPN.com.br na última quarta-feira (28) e pode ser lido aqui.

"Em 94, sofri muitos trotes do Romário. Ele falava toda hora que queria um cafezinho, às vezes pedia para limpar a chuteira dele (risos). Mas eu sempre levei numa boa e aprendi muito. Depois, fiz meus trotes com as gerações seguintes também (risos)", divertiu-se o "Fenômeno".

Aberto e esbanjando sinceridade, também contou detalhes da famosa convulsão antes da final do Mundial de 1998, no qual o Brasil acabou derrotado pela França, e sobre a enorme decepção que foi a queda ainda nas quartas de final de 2006, quando a seleção tinha o "time dos sonhos", segundo suas próprias palavras.

"A gente tinha realmente um time dos sonhos. O Kaká, Ronaldinho, Adriano, enfim... Um time para ganhar qualquer coisa. Mas não conseguimos performar como queríamos", admitiu.

Confira abaixo a entrevista completa no player e também alguns dos principais trechos do papo com Ronaldo:

"Naquela época, o bullying era permitido..."

Eu lembro muito bem de que a torcida inteira queria que eu jogasse em 94. Só o Parreira que não queria (risos). Mas a Copa de 94, para mim, foi a minha grande faculdade.

Foi maravilhoso ter participado daquele grupo, ver de perto. Eu lembro que eu ficava observando constantemente os movimentos do Romário, do Bebeto, do Dunga, entendendo como é que eles se comportavam também fora de campo. E para mim foi maravilhoso, e ter o Parreira, o Zagalo, todo mundo reunido, orientando.

Para mim foi determinante, diria, para o futuro, para a minha carreira inteira, ter tido aquele tempo de aprendizado.

Sofrio muito, muito, muito com os trotes. O Romário falava toda hora que queria um cafezinho, às vezes pedia para limpar a chuteira dele. E naquela época o bullying era permitido, digamos assim (risos).

Mas eu sempre levei super numa boa e aprendi muito, depois fiz com as gerações seguintes também, aquela coisa. Mas foi realmente um dos melhores aprendizados da minha carreira, eu aprendi muito ali, coisas que eu levei para o resto da minha carreira.

"Em 98, foi muito estranho o que aconteceu comigo"

O que aconteceu comigo foi muito estranho. Num dia de uma final de Copa do Mundo.... Mas eu fiz de tudo para poder jogar. Logicamente, a saúde estava em primeiro lugar e vai sempre estar. A única coisa que eu pensava naquele momento era garantir que minha saúde não corria nenhum risco. E depois que eu fui no hospital, fiz todos os exames e voltei para o estádio, voltei convencido de que eu tinha que jogar.

Eu não queria fugir daquela responsabilidade, eu me encontrava bem. Mesmo tendo uma convulsão horas antes, eu me encontrava bem e queria jogar. Agora, pode, sim, ter afetado psicologicamente os companheiros que viram o que aconteceu, o ambiente já fica um ambiente conturbado, muita desconfiança naquele momento... Mas era um grupo já experiente, havia muitos jogadores experientes que poderiam também ter superado aquilo.

Mas eu acho que, da maneira geral, eu acho que a gente tentou. A gente tentou. Eu acho que, no jogo em si, a França dominou desde o início, acho que tecnicamente a gente foi dominado. Os gols, se você olhar bem, foram dois de escanteio, e o terceiro, como já estava 2 a 0, foi um contra-ataque já meio que desesperado, a gente já estava meio que desarrumado dentro do campo.

Acredito que, sim, a convulsão pode ter afetado alguns jogadores, mas acredito muito mais em que a França dominou o jogo, teve muito mérito para ganhar, o ambiente estava todo para eles, o estádio estava lotado de franceses, a nossa torcida, não sei por que, mas tivemos pouca gente, pouco brasileiro dentro do estádio naquele jogo. E do início ao fim a gente foi sendo superado pelos franceses, eles fizeram uma atuação espetacular, também. Zidane nunca tinha feito gol de cabeça, fez logo dois...

"Os deuses do futebol não dão a glória somente para um"

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3:10

Ronaldo tenta explicar por que seleção brasileira de 2006 fracassou na Copa do Mundo: 'Era o time dos sonhos...'

'Não dá para vencer sempre', lamentou Ronaldo no PodCopa

Há muitas controvérsias em relação a 2006. Eu acho que a preparação pré-Copa não foi das melhores, mas também não é a justificativa principal para a gente ter perdido.

Eu levo o futebol de maneira muito mais simples. Eu acredito muito na essência do esporte. Acredito muito que não dá para vencer sempre. Os deuses do futebol não dão a glória somente para um. E eu aceito a derrota, eu aprendi muito cedo a perder. E eu acho que, porque eu perdi muito, eu aprendi a ganhar.

Então, eu olho muito mais para a área esportiva quando eu olho para trás e vejo 2006. A gente tinha realmente um time dos sonhos. O Kaká, Ronaldinho, Adriano, enfim... Um time para ganhar qualquer coisa. Mas não conseguimos performar como queríamos, não tivemos ali, talvez, a tranquilidade também de preparação, foi um pouco conturbado talvez...

Não, porque é impossível você ir para a Copa e você não estar com foco, ali isso não... Muito difícil, não passa pela minha cabeça alguém estar ali pensando em estar em outro lugar. Mas eu acredito, sim, que futebol é isso.

Nesse caso, a França não foi como 98, devastadora. O gol deles foi uma jogada que também faltou uma comunicação naquela jogada do gol do Thierry Henry. Uma jogada que a gente treinou muitas vezes, repetidamente.

Mas 2006, até ali nesse jogo a gente teve muito mais inciativa do jogo, talvez até mais controle do jogo, mas a gente não conseguiu fazer gol na França e perdemos mais uma vez para a França. A França passa a ser uma pedra no nosso caminho...