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Jogador de vôlei argentino quebra tabu, diz que é gay e pede que astros apoiem atletas do futebol que fizerem como ele

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Ex-jogador do extinto Corinthians-Guarulhos, Sidão relembra redução de salários por falta de patrocinadores (2:31)

Atleta demonstrou também incômodo com inscrição de Montes Claros na Superliga de vôlei (2:31)

O central Facundo Imhoff, campeão pan-americano com a seleção argentina de vôlei, tirou um peso das costas: no começo do mês, o atleta assumiu publicamente sua homossexualidade. Facundo é o único atleta argentino de elite assumido.

O central de 30 anos deu uma entrevista para o Diário Olé, principal jornal argentino, falou sobre a sua situação, se dirigiu aos outros atletas que passam pela mesma situação e fez um apelo aos astros do futebol, principal esporte do país.

"Estava mal, muito travado. Não conseguia focar no esporte, colocar o máximo de energia e chegou um momento que o corpo começou a cobrar o psicológico. Ao me aceitar, tirei um peso enorme das costas, comecei a ser protagonista na liga e jogar na seleção. Atribuo isso a ter me aceitado 100%", disse quando foi perguntado sobre o motivo de se assumir.

Quando perguntado se sofreu preconceito, Imhoff fez o apelo aos astros do futebol. "Aconteceu uma vez, mas estava preparado. Foi na semifinal do Metropolitano. No vôlei todo mundo conhece todo mundo e me senti bastante respaldado. A torcida pediu desculpa para mim, mas o mais importante é o respaldo dos companheiros. Pensem no caso do futebol: se alguém se assumir, é fundamental que os astros se posicionem e o apoiem".

"O preconceito acontece única e exclusivamente por machismo. Se você é atleta, tem que ser agressivo, 'macho', 'dar o sangue'. E se você é gay, assumem que você não consegue, não aguenta a perssão, a exigência. A imagem que temos do gay é caricata, do que veste plumas e sai a dançar", desabafou.

Sobre a possibilidade de outros atletas, Facundo comentou: "Vários outros atletas de outros esportes vieram falar comigo. Recebi milhares de mensagens, o que confirma que é algo que precisamos falar sobre. Não podemos nos fingir de mortos e dizer 'isso não existe, no esporte não existem gays' porque, claramente, a necessidade de libertação existe. Obviamente existem os medos do preconceito, pois somos uma sociedade muito machista e no esporte isso só aumenta".

Para finalizar, Facundo comentou que foi muito bem recebido por seus colegas de seleção, que a notícia inclusive deixou a relação com os outros atletas e a comissão técnica mais firme e foi fundamental para o seu bom desempenho no Pan-Americano.