Bicampeão dos Jogos Olímpicos com a seleção brasileira e apontado como o maior líbero da história do vôlei, Serginho é também muito ligado em outras modalidades esportivas, em especial o futebol.
O Escadinha, como ficou conhecido ao longo da carreira, revelou, em entrevista ao Resenha ESPN que vai ao ar no Plano Premium do Disney+ a partir de 22h (de Brasília) desta sexta-feira (25), que o seu grande sonho era ser jogador de futebol e acredita, inclusive, que isso o ajudou na brilhante carreira no vôlei.
"Joguei na várzea muito tempo. Jogava de centroavante. Minha vida foi por um outro lado e eu aceitei, mas me auxiliou demais", lembrou ele.
Sua paixão pelo futebol sempre foi tanta, que muito por conta de uma rivalidade construída dentro dos gramados, que ele mudou alguns de seus passos no esporte. Torcedor do Corinthians "doente", ele até mesmo sabotou uma peneira que teve no maior rival, o Palmeiras.
"Fiquei sabendo que ia ter peneira no Palmeiras, mas falei inicialmente que não ia. Sabe quando você vai na intenção de fazer tudo errado? Cheguei lá, me deram uma ficha, preenchi meu nome certo e depois tinha a altura. Falei 'é agora'. Se eu colocar que eu tenho 1,84 m, eles vão me aprovar. E coloquei 1,60 m. Para não passar. Sou corintiano doente e falei 'eu não posso passar'. Aí me chamaram, tinha uns 400 meninos e vaga só para 14. Sobraram 300, 200 e eu no bolo. Ficaram 100 e eu lá ainda. Olhei para o céu e falei 'Deus, não brinca com coisa séria'. E acabei passando."
Sua estratégia, porém, não deu certo e Serginho acabou aprovado. E teve que passar por outro episódio 'difícil': vestir a camisa palmeirense.
"Voltei para casa e minha mãe me esperando no portão. Todo mundo aqui já mentiu para mãe, né? E nunca dá certo. Ela perguntou e eu falei que não tinha passado. E ela não entendeu: 'Ué, as outras vezes que você não passou você estava chorando, dessa vez você não está'. Aí eu admiti que passei, mas pedi para ela não contar nada para ninguém. Pior que meu pai é palmeirense, meu irmão também. No outro dia eu tinha que voltar no Parque Antárctica, fui do departamento de esporte amador e precisava tirar uma foto. Cheguei e tinha uma camisa do Palmeiras pendurada. O fotógrafo falou: 'Coloca a camisa aí'. Eu: 'O que?' E falei: 'Meu parceiro, eu sou corintiano'. Mas eu lembro que coloquei a camisa e tirei a foto. O meu início foi ali, e eu tenho uma gratidão."
Já em seus últimos anos de carreira, o líbero conseguiu realizar o sonho de atuar no clube do coração, ao jogar de 2017 a 2019 no Corinthians/Guarulhos.
