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Maique fala sobre representatividade e combate a preconceitos no esporte: 'Tive que trabalhar muito mais que um hétero ou um garoto branco'

O Bola da Vez está para lá de especial neste sábado (9), às 22h (de Brasília). André Plihal recebe Maique Reis, da seleção brasileira masculina de vôlei e eleito o melhor líbero da Liga das Nações de 2025.

Entre outros assuntos durante a entrevista, Maique falou sobre a representatividade de se assumir homossexual no meio do esporte, além de lutar contra outros preconceito.

"É um assunto delicado, até porque a gente fala que no esporte não existe preconceito, mas ainda a gente vê muito preconceito por aí. E não só falando de homofobia, mas de diversos tipos de discriminação. Eu não cheguei a vivenciar, desde quando eu me tornei profissional, em nenhum momento dentro de quadra".

"No início, quando eu jogava como ponteiro, lá atrás, eu era ponteiro, novinho, me destacava. E aí eu via alguns assuntos de pais na torcida, porque às vezes o time do filho estava perdendo e eu já me destaquei desde muito novo jogando".

Xingamentos preconceituosos se tornaram comuns na vida de Maique Reis. "Então, às vezes: 'ah, é aquele veadinho, ah, é aquele menino preto. Ou 'ah, meu filho, você não vai perder para esse veadinho'. Então, ouvia coisas desse estilo. E quando eu saí de casa, a minha mãe sempre me alertou: 'Eu não tenho vergonha do que você é, não tenho vergonha da pessoa que você é, do que você está se tornando. Eu só tenho medo do que as pessoas lá fora podem fazer com você, podem te bater, podem te matar. Esse é o meu maior receio. Ou até mesmo as marcas, ou algum clube não querer te contratar por você ser gay'", completou.

E Maique sempre teve na sua mente que para vingar no esporte, ele teria de fazer mais do que um homem hétero por conta da sua orientação sexual e também pela sua cor de pele.

"A gente vai se blindando ali diante da sociedade, do que as pessoas te falam, ou te agridem verbalmente, ou da forma como elas te tratam, ou de como você tem que fazer para chegar onde você quer chegar. Então, eu sempre senti que eu tive que trabalhar muito mais do que um hétero normal que tem uma oportunidade, um hétero padrão, ou um garoto branco que teria as oportunidades, enfim", finalizou.

Durante o programa, André Plihal relembrou o episódio envolvendo o companheiro Maurício Souza, que chegou a fazer uma publicação homofóbica e acabou afastado pelo Minas. Maique conta como foi o susto da época quando ficou no olho do furacão.

"Todo mundo (queria uma resposta minha), né? Na rede social, eu nem sabia o que estava acontecendo, a gente estava num dia de folga e aí a diretoria de marketing do clube manda uma mensagem falando que 'a gente precisa fazer uma reunião urgente no clube', isso era três horas da tarde, e aí quando eu abro o celular e vejo essa mensagem, várias pessoas no Twitter e Instagram pedindo posicionamento e eu falei, o que está acontecendo?".

"Eu não sabia de nada, porque aconteceu algo na rede social entre ele e o Douglas, alguma coisa assim, e o negócio foi repercutindo e quando veio eu estava no meio, precisava me posicionar sobre como era o convívio, e assim, eu tinha um convívio tranquilo, a gente se respeitava, era algo profissional ali dentro de quadra, no ambiente de trabalho, nunca tive nenhuma questão assim contra ele, tirando a parte das coisas que ele fazia em rede social".

"Então, não tinha como eu tentar passar pano para ele, porque fazia coisas na internet. No dia a dia era tranquilo, nunca sofri, a gente tinha até brincadeirinhas entre nós dois, que a gente dava essa liberdade um para o outro, mas nada faltando com falta de respeito um com o outro. E era um cara que eu conversava muito, tentava explicar, ele procurava saber como era da nossa comunidade, se eu tinha amigas trans e como era, então eu fui explicando um pouco do nosso mundo LGBT", conta Maique.

"Perguntava na boa. Buscando entender também, só que ele perguntava e agia completamente diferente nas redes sociais, então não era algo que cabia a mim, eu aqui hoje como um atleta e um porta-voz da minha comunidade, eu acho que independente da pessoa, eu tenho esse direito e essa responsabilidade de tentar mostrar para as pessoas como é ser uma pessoa LGBT, como é viver nesse mundo, no nosso mundo e trazer essas pessoas para o nosso mundo e mostrar que é um mundo amoroso, divertido, colorido, sem nenhuma questão, então, acho que é onde a gente está aqui para levar e transmitir amor por onde a gente passa, então eu não quis ser indiferente com ele ou com qualquer outra pessoa", finalizou.

Onde assistir ao Bola da Vez com Maique Reis?

O Bola da Vez com Maique Reis terá transmissão do Disney+, neste sábado, às 22h (de Brasília).