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Copa do Mundo de rugby: Mandela + Boks + Kolisi = África do Sul campeã

Quando Nelson Mandela comandou a África do Sul, transformou um esporte que era praticamente exclusividade do povo branco em algo para todos.

O rugby é elemento da cultura sul-africana, primeiro esporte no país. E Madiba percebeu que os ensinamentos e os valores da modalidade poderiam ser usados de forma correta e por todos.

Construiu a Rainbow Nation, uma nação multiétnica, plurirracial... e a bandeira desta nova África do Sul contém muitas cores, entre elas o verde-escuro dos Springboks, que se tornaram campeões da Copa do Mundo de 1995 e um orgulho nacional.

Passados 22 anos e com mais um título mundial, conquistado em 2007, os Boks desembarcaram no início de setembro no Japão de forma discreta e quieta, haviam acabado de conquistar o Rugby Championship, mas não despontavam como favoritos.

Sim, a seleção sul-africana sempre deve ser respeitada, é poderosa, mas Nova Zelândia, Irlanda, País de Gales e Inglaterra eram os mais temidos.

O primeiro capitão negro

Acontece que o líder deste grupo de jogadores é um jovem jogador negro chamado Siya Kolisi.

Vindo de uma área paupérrima e sem condições financeiras, o garoto rompeu a barreira da dificuldade em praticar esporte, mesmo tendo jogado seu primeiro duelo com uma cueca samba-canção (não tinha dinheiro sequer para comprar um calção) e assistido ao título dos Boks em 2007 em uma padaria.

Simplesmente porque não tinha TV em casa.

Kolisi não desistiu nunca, se tornou grande, forte, capitão dos Stormers, e pela primeira vez a África do Sul, no rugby, teve um capitão negro.

Capitão negro é contra cotas na seleção

Há um ano, quando a questão de cotas para negros nos Boks entrou em questão, ele surpreendeu ao dizer que é a favor de igualdade, respeito e melhoras financeiras para os mais carentes, que quotas devem ser respeitadas, mas que na seleção do país, não.

Porque nos Boks têm que jogar os melhores, independentemente de cor, raça, credo, etc. Magistral, inteligente, um herói para o povo sul-africano.

Os menos favorecidos veem em Kolisi uma ponta de esperança e que é possível vencer na vida, apesar das dificuldades.

E o que aconteceu com os Springboks dentro de campo foi isso, uma transformação de atletas em embaixadores da igualdade, isso os tornou muito fortes, muito confiantes, vencedores.

Demonstraram isto na Copa do Mundo, e o resultado veio.

No ‘mundo do rugby’, costuma-se dizer que quando o jogo é bom, é preciso ter um ganhador no placar, não importa qual!

África do Sul acaba com a Inglaterra e é campeã do mundo; assista

E como não elogiar a Inglaterra

Foi isto que aconteceu hoje, uma entrega das duas equipes até o último segundo, os Boks jogaram melhor, mas como não elogiar a Inglaterra, que jamais se rendeu.

Lembrando Winston Churchill, o English Team fez uma grande Copa do Mundo, talvez tenha sido o time que mostrou o rugby mais moderno, mas os deuses do esporte já tinham decidido que o dia era dos Boks.

Na humilde opinião deste amante do rugby, todos saíram vencedores de campo, alguns tristes, os ingleses, mas com orgulho de ter feito o máximo, e outros muito felizes, os sul-africanos, com a taça nas mãos após a vitória por 32 a 12.

O discurso do capitão Kolisi após o triunfo emocionou todos, é impossível não sentir o quanto o ser-humano pode ser brilhante, trabalhador, bom, humilde, dedicado.

Foram palavras de sabedoria, daquelas que enchem de orgulho quem gosta de esporte, porque, sim, o esporte pode transformar para muito melhor o mundo.

O rugby sempre mudou o mundo para melhor, porque é mais que um esporte, é um estilo de vida.

Já estou com saudades do Japão. E nossa próxima parada em uma Copa do Mundo será na França, em 2023.