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Do abrigo à Copa do Mundo de Rugby: Letícia Silva teve vida transformada 'da água para o vinho'

Letícia Silva, jogadora da seleção brasileiras de rugby feminino, durante a sessão de fotos para a Copa do Mundo de Rugby XV de 2025 na Inglaterra. Harry Murphy - World Rugby/World Rugby via Getty Images

Há três anos, uma adolescente dava seus primeiros passos no rugby em um campo humilde de um projeto social no Rio de Janeiro; semanas atrás, ela disputou a maior competição da modalidade, em estádios de ponta na Inglaterra.

Essa é apenas uma das grandes histórias que compuseram a campanha inédita do Brasil na Copa do Mundo de Rugby XV, que conta com transmissão no Disney+.

A seleção brasileira disputou a competição pela primeira vez na história e anotou seu primeiro try na 2ª rodada, na derrota para a França. As brasileiras encerraram sua participação no último domingo (7), contra a Itália, e não se classificaram para o mata-mata, que começa neste sábado (13).

Às 9h (de Brasília), a Nova Zelândia enfrenta a África do Sul, que estava no grupo do Brasil, nas quartas de final e, depois, ao meio-dia, Canadá e Austrália duelam por uma vaga na semifinal. No domingo (14), a França encara a Irlanda às 9h e a Inglaterra joga contra a Escócia, no último jogo das quartas ao meio dia. As semifinais estão marcadas para o próximo fim de semana.

Independentemente do resultado, a experiência nos campos ingleses tem uma importância enorme para o desenvolvimento do rugby no Brasil, que já transformou a vida de várias jogadoras.

Um dos casos mais emblemáticos é o de Letícia Silva, terceira linha do Brasil. A atleta do Melina Rugby Clube, de Cuiabá, primeiro clube profissional do país, vive uma verdadeira mudança de vida desde que conheceu o esporte.

“Está sendo muito massa aprender com as Yaras, conviver com as Yaras e ser uma das Yaras. Está sendo uma loucura, uma experiência incrível e muito agradável. Estou virando da água para o vinho”, contou a atleta de 19 anos em entrevista exclusiva para a ESPN.

Letícia tem pouco tempo de rugby, mas foi graças ao esporte que passou por uma transformação surpreendente.

“Eu morava em um abrigo e tinha poucos recursos. Ia uma vez por semana a um projeto social, até que uma treinadora do Melina Rio me apresentou o rugby. Ela disse: ‘aposta comigo que você vai viajar’".

O convite parecia algo irreal. Afinal, viver em um abrigo e conhecer o mundo pareciam coisas muito distantes. Decidida, Letícia aceitou com um pensamento simples.

“Eu gostei da ideia porque o meu sonho é viajar. Eu não tinha nada a perder, já tinha passado por muita coisa".

A aposta deu certo. Três anos depois de sair do abrigo, em 2022, Letícia Silva já soma quatro viagens internacionais, se mudou para Cuiabá e ainda nem completou dois anos de seleção brasileira.

“Eu comecei a ser uma Yara no meio do ano passado, quando tive meu primeiro teste físico em Amsterdã, na Holanda. Fomos para lá disputar uma partida de preparação para a Copa do Mundo".

Com o passaporte carimbado e a experiência de jogar a maior competição de rugby do planeta, Letícia mantém um objetivo claro.

“Meu sonho é conhecer o mundo todo. Qualquer pedacinho que estiver no mapa, eu quero conhecer. É o único sonho que eu tenho".

No esporte e na vida, Letícia segue percorrendo o gramado e o planeta, superando adversidades dentro e fora de um estádio de rugby.