Thiago Braz chocou o mundo nos Jogos de 2016, no Rio de Janeiro, ao chegar com 22 anos como coadjuvante, saltar 6m03, ficar com o ouro e ainda estabelecer um novo recorde olímpico - que permanece. Na manhã desta terça-feira (3), pelo horário de Brasília, o atleta conseguiu 5m87 em Tóquio e garantiu sua segunda medalha em Olimpíadas, agora de bronze.*
Um feito que o põe, agora, em um seletíssimo grupo do atletismo do Brasil: apenas ele e outros oito têm dois pódios olímpicos na história.
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Thiago Braz junta-se a Adhemar Ferreira da Silva, Joaquim Cruz, Nelson Prudêncio, Robson Caetano, Vicente Lenilson, André Domingos, Edson Luciano e João do Pulo - veja as conquistas de cada um e em quais Jogos abaixo.
É muita coisa. Das 16 medalhas do grupo, só quatro são de ouro, sendo uma dele.
Duas são de Adhemar Ferreira da Silva, no salto triplo em Helsinque-1952 e Melbourne-1956, e a outra é de Joaquim Cruz nos 800m livre em Los Angeles-1984 (foi prata na mesma prova em Seul-1988). E pensar que Thiago teve a chance nesta terça de igualar a lenda Adhemar, algo que só ele e Joaquim entre os outros oito puderam sonhar.
E a história de vida do paulista de Marília (SP) é forte. Thiago foi abandonado pelos pais ainda aos 2 anos de vida e os esperou por dias com uma mochila nas costas. Mas eles não voltaram.
Foi criado por seus avós paternos, Maria do Carmo e Orlando Braz, os quais sempre chamou de pais, e teve muito apoio do tio Fabiano Braz, ex-atleta.
Dor, mágoa, ressentimento com pai e mãe? Talvez. Mas o atleta já os perdoou e até os ajuda, como ele mesmo explicou em 2016, após levar o ouro.
"Meus pais brigavam muito, não sei direito a história completa. Eram muito jovens. Fui morar com meus avós [paternos] e tive também o apoio de meu tio, Fabiano, ex-atleta", começou, para depois completar.
"Nos momentos de dificuldade, meu pai não estava presente, mas a minha avó me abraçou e me ensinou a perdoá-los. São seres-humanos e merecem o meu perdão. Já os perdoei, a gente tem contato, sei onde moram para que eu possa ajudá-los."
Após um ciclo olímpico cheio de altos e baixos, Thiago fez seu melhor salto da atual temporada (5m87) justamente nesta manhã, logo, quando mais precisava. Contou com as dificuldades do francês Renaud Lavilenie, concorrente direto pelo pódio e seu maior oponente em 2016, quando ficou com a prata e causou no Rio de Janeiro - o europeu já tido antes problemas no tornozelo esquerdo e machucou o direito na final, o que atrapalhou bastante sua performance em Tóquio.
"O Lavillenie infelizmente não estava bem porque ele se machucou, então ele estava tentando se superar. Eu acho muito legal isso, ele tentou dar a volta por cima...", afirmou o brasileiro ao SporTV.
E se não repetiu o primeiro lugar, que ficou com o sueco Armand Duplantis (6m02), o brasileiro de 27 anos ainda pode celebrar algo que seguirá como seu pelo menos até Paris-2024: o recorde olímpico da prova, com os 6m03 que conseguiu no Rio - Duplantis, já com o ouro garantido, tentou saltar 6m19, mas não conseguiu.
Se o fizesse, não só tiraria a honraria de Thiago como também derrubaria seu próprio recorde mundial, que é de 6m18.
"Há dois dias, eu tinha sonhado que eu tinha pego a medalha de bronze, eu olhei e não gostei muito porque eu queria a de ouro. Mas mesmo assim é agradecer a Deus pela oportunidade e por tudo o que aconteceu. Vou guardar para sempre! [Deus] sempre me incentivando, mostrando que é possível... Correndo atrás e vamos guerrear e vamos para cima. A minha família também me motiva muito", festejou o duas vezes medalhista olímpico do Brasil.
O seletíssimo grupo dos 9 do atletismo do Brasil em Olimpíadas
1 - Adhemar Ferreira da Silva
Salto triplo - Ouro em Helsinque-1952 e ouro Melbourne-1956
2 - Nelson Prudêncio
Salto triplo - Prata na Cidade do México-1968 e bronze em Munique-1972
3 - João do Pulo
Salto triplo - Bronze em Montreal-1976 e bronze em Moscou-1980
4 - Joaquim Cruz
800m livre - Ouro em Los Angeles-1984 e prata em Seul-1988
5 - Robson Caetano
200m rasos, bronze em Seul-1988 + Revezamento 4x100m, bronze em Atlanta-1996
6 - André Domingos
Revezamento 4x100m - Bronze em Atlanta-1996 e prata em Sydney-2000
7 - Édson Luciano
Revezamento 4x100m - Bronze em Atlanta-1996 e prata em Sydney-2000
8 - Vicente Lenílson
Revezamento 4x100m - Prata em Sydney-2000 e bronze em Pequim-2008
9 - Thiago Braz
Salto com vara - Ouro na Rio-2016 e bronze em Tóquio-2020
* Esta reportagem foi corrigida. Inicialmente, seguindo publicação da conta oficial do Time Brasil no Twitter (que não listou Robson Caetano), ela informava que Thiago Braz era o oitavo atleta brasileiro do atletismo a conseguir duas medalhas em Olimpíadas. Ele é o nono.
