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Olimpíadas: Bruno Fratus teve esposa-treinadora para transformar depressão pós Rio-2016 em bronze

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Olimpíadas: Bruno Fratus conquista a medalha de bronze na prova dos 50m livre; VEJA como foi (0:42)

Brasileiro ficou atrás apenas de Caeleb Dressel, dos Estados Unidos, e Florent Manadou, da França (0:42)

O melhor da natação brasileira nos últimos anos teve um ciclo olímpico difícil. Bem difícil. Dá para dizer que a caminhada rumo a Tóquio começou bem do fundo do poço. Mas Bruno Fratus saiu de lá rumo ao pódio. Com muita ajuda da esposa-treinadora, transformou a depressão que teve após a Rio-2016 no tão sonhado pódio com um bronze nas Olimpíadas de Tóquio.

Fratus havia chegado ao Rio de Janeiro como a grande esperança da natação brasileira, até para a busca de uma medalha de ouro. Mas uma lesão e um dia ruim transformaram o sonho em pesadelo. Bruno nadou mal na final dos 50m e terminou “apenas” em sexto lugar, longe do esperado pódio.

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“Pode ser muito difícil para você quando você chega nas Olimpíadas como favorito e estraga tudo em frente a sua torcida. Fui deixado de lado por muitas pessoas que pensei que me apoiariam em uma situação dessas”, contou Fratus em uma entrevista ao canal olímpico.

“Foi meu primeiro grande contato com depressão clínica nua e crua. Por sorte, coincidiu com quando eu procurei a Carla di Pierro, psicóloga do COB. Eu cheguei a ter uma receita (para tomar antidepressivo), mas era algo que eu queria ficar sem. Fica até piegas falar assim, mas eu acreditei na força de vontade, cabeça. Pode soar irresponsável, não é algo que aconselho fazer —se você tem a indicação médica de tratar qualquer tipo de problema, siga essa recomendação—, mas eu comecei a entrar em contato também com o outro lado, da meditação. Isso me ajudou bastante a lidar com o que eu estava sentindo ali naquela época”, completou em outra entrevista, para o UOL.

Uma das pessoas que deixou Bruno foi o treinador Brett Hawke, que decidiu se dedicar mais ao seu trabalho nos Estados Unidos. Mas o que começou como uma péssima notícia acabou se transformando em algo que mudou a vida dele para – muito – melhor.

Fratus começou a ser treinado pela esposa Michelle Lenhardt, ex-nadadora olímpica. E transformou sua vida por completo.

"A Michelle foi impecável, foi tudo que eu precisava. Poucos remédios têm o efeito do amor. Quando você tem amor na sua vida, amor da sua esposa, dos seus pais, dos seus amigos, a vida fica um pouco mais fácil. E com esse amor vem empatia, com empatia vem diálogo, e com tudo isso são várias ferramentas que você vai usando para superar os episódios difíceis da vida", disse ao UOL.

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Com a mulher ao seu lado, Bruno mudou também seus pensamentos. Passou a se permitir comer coisas que antes proibia, passou a controlar mais os seus treinos... passou a ser mais feliz! E, ao lado dele em Tóquio, a esposa ainda teve a palavra final rumo ao bronze.

“Foi justamente o que a Michelle falou antes de entrar no balizamento: ‘Eu te amo, vai ser feliz. E independente do que acontecer na prova, vou continuar te amando e sendo feliz’. E foi isso que eu pensei a prova toda: ‘Vai ser feliz, poxa’”, disse ao SporTV logo após a prova.

Bruno Fratus soltou o grito da medalha e também do desabafo!

“Eu nunca fui o mais alto, nunca fui geneticamente o mais avantajado, nunca fui o mais forte, nunca fui destaque nas categorias de base. Mas tudo começa com uma decisão. E eu decidi com 11 anos que seria medalhista olímpico. Isso custou 20 anos de sacrifício. Faz 7 anos que nunca passei aniversário com meus pais, que as férias que tiro são só por lesão. Faz mais de 10 anos que não tem balada, não tem bebida... É dedicação! Você pode fazer o que quiser na vida se conseguir se comportar de acordo, fazer as escolhas certas. E eu estou feliz que deu resultado!”, disse ao SporTV após receber a medalha.

“Eu estou felizão. Estou feliz para caramba, para não dizer outra coisa!”, completou.