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Olimpíadas: Chinês Long Ma teve que beber para superar problema e enfim virar lenda do tênis de mesa

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De Adhemar Ferreira da Silva a Ítalo Ferreira: os primeiros ouros do Brasil em cada Olimpíada (1:15)

Ítalo Ferreira bateu o japonês Kanoa Igarashi por 15.14 a 6.60 e conquistou o primeiro ouro do Brasil (e da história do surfe) nas Olimpíadas de Tóquio. (1:15)

Hoje, Long Ma é uma lenda do tênis de mesa. Mas para atingir tal status, o quadrifinalista nas Olimpíadas de Tóquio e possível rival do brasileiro Hugo Calderano precisou fazer algo no mínimo inusitado: recorrer à bebida alcoólica.

Isto mesmo, o chinês tinha que sair, ir a algum bar para espairecer e ingerir algum drink alcoólico. E por quê?

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A revelação com explicação foi feita no início de agosto de 2016 pelo então chefe da equipe chinesa de tênis de mesa.

"Para Long Ma, duas coisas são as mais importantes. Uma é que quando a pressão se torna muito alta, ele tem que ir a um bar e tomar alguma bebida alcoólica. A outra é distraí-lo com bate-bapo", afirmou Liu Guoliang em entrevista à agência de notícias AFP.

"Ele precisa relaxar um pouco porque a pressão que põe nele mesmo são muito rigorosas e duras", acrescentou, deixando claro que a ingestão de bebida "era de forma moderada".

Pressão além do limite e redenção

Long Ma, atualmente com 32 anos, sempre foi visto como um fenômeno do tênis de mesa, mas a autopressão virou um problema sério em sua carreira, a ponto de mesmo tão soberano em relação aos rivais não ter conseguido sequer a classificação para a disputa individual das Olimpíadas de 2012, em Londres, nem o título, também no individual, em quatro Mundiais seguidos.

Foi a partir do 'diagnóstico' que a situação começou a mudar. Bebendo e saindo um pouco para relaxar e superar a pressão que punha em si mesmo, o chinês, enfim, desencantou e ganhou na quinta tentativa o Mundial da modalidade de 2015, disputado em Suzhou, na China.

Com um belo peso a menos nas costas, ele chegou para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, como líder do ranking mundial por 48 meses seguidos, isto mesmo, quatro anos (estava a apenas seis meses de igualar o mais longevo na estatística, o também chinês Wang Liqin).

Bebeu antes de alguns jogos, como revelou em em 2016 em entrevista ao ESPN.com.br (veja na íntegra abaixo), mas disputou a final 'limpo'. E fez bonito: atropelou na decisão o então campeão olímpico, seu compatriota Jike Zhang, por 4 sets a 0 e ganhou a medalha de ouro.

Pronto, passou ali de fenômeno à lenda do tênis de mesa. Porque fez o chamado Grand Slam da modalidade: vencer Olimpíada, Mundial e Copa do Mundo - tornou-se apenas o quinto a conseguir tal feito na história.

E seguiu soberano. Lembra do recorde acima? Ele esmagou as 54 semanas de Ligin e ficou 64 como líder do ranking mundial - atualmente, ocupa terceiro posto.

E em Tóquio?

Agora, em Tóquio, está nas quartas de final em busca do bicampeonato dos Jogos. Ele jogará às 8h (horário de Brasília) desta quarta-feira (28) contra o egípcio Omar Assar.

Às 9h, será a vez do brasileiro Hugo Calderano encarar o alemão Dimitrij Ovtcharov no Ginásio Metropolitano de Tóquio.

Um atleta de Taipei, um esloveno, outro chinês e um sul-coreano completam os oito que ainda seguem na briga por medalhas no tênis de mesa no Japão.

Relembre a entrevista de Long Ma ao ESPN.com.br em 2016, após ganhar o ouro

Como é isso de beber para conseguir encarar grandes competições, desafios?
"Às vezes, eu bebo, mas não é tanto para reduzir a pressão, e sim para relaxar um pouco mais."

Você ingeriu alguma bebida alcoólica durante a Olimpíada?
"Sim, bebi um pouco antes de alguns jogos, mas não hoje [quinta], para a final, nada."

O que você bebe? E já experimentou a famosa cachaça brasileira?
"Eu só bebo vinho, não tomei nenhuma bebida alcoólica daqui, local."