Horas depois da Eagle Football Holdings ajuizar recurso para tentar suspender a antecipação dos efeitos de recuperação judicial concedidos à SAF do Botafogo e encerrar o processo, o Glorioso também foi à Justiça para tentar "salvar" o procedimento e evitar a "quebra imediata" do clube.
Em petição enviada à 21ª Câmara de Direito Privado do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), a equipe carioca reforçou que está em crise econômica, com "caixa operando a nível crítico", e que necessita da recuperação judicial para regular sua atividade.
De acordo com com o clube, as alegações da Eagle no Agravo de Instrumento enviado ao poder judiciário são "estarrecedoras". Para provar seu ponto, a equipe apresentou diversos dados econômicos assustadores, como a dívida e o patrimônio líquido negativo.
"As alegações do acionista controlador [Eagle] são estarrecedoras e revelam o seu nível de desinteresse pela operação saudável da SAF Botafogo. A crise econômico-financeira da SAF Botafogo é notória e noticiada nos veículos de mídia todos os dias", escreveu.
"O patrimônio líquido da empresa alcançou R$ 430 milhões negativos; os débitos vencidos e vincendos ainda no ano de 2026 somavam mais de um R$ 1,4 bilhão; as receitas futuras tiveram que ser adiantadas para pagamento de compromissos de curtíssimo prazo; não havia caixa para pagamento de salários no mês de maio", acrescentou.
Em seguida, o Botafogo argumenta que o objetivo da Eagle, que hoje está em administração e é comandada pelo fundo Ares Management e pela consultoria Cork Gully, quer "salvar" o Lyon, da França, que também pertence à holding.
Como mostrou a ESPN, a equipe da Ligue 1 fechou seu último balanço com prejuízo total de 186,5 milhões de euros (R$ 1 bilhão, na atual cotação), afirmando ter 126 milhões de euros (R$ 727 milhões) a receber do Glorioso.
Segundo o time carioca, os planos do grupo levariam à "quebra imediata" da SAF, já que, "se depender das iniciativas da Eagle, os empregados da SAF Botafogo ficarão sem seus salários no próximo mês".
"Esse evidente conflito de interesses fica cada vez mais claro. A Eagle Bidco quer privilegiar o Lyon a todo custo, em detrimento da SAF Botafogo, pois, assim, poderá satisfazer os interesses da Ares, credora que indicou a nova e atual administradora da Eagle", escreveu.
"Como já é público e notório, a Ares pretende alienar o Lyon para recuperar seu crédito, de modo que, quanto mais valioso for o Lyon, mais dinheiro essa credora receberá. Para que o Lyon se tornasse um ativo mais valorizado, foi necessário interromper o cash pooling, não pagar os valores devidos à SAF Botafogo e, ainda, reconhecer no balanço do clube francês um crédito relevante contra a Agravada - desconsiderando as suas dívidas", seguiu.
"A fase final dessa estratégia ilícita seria assumir a administração da SAF Botafogo, perdoar as dívidas com o Lyon - ou pelo menos 'negociar' uma redução significativa -, e, eventualmente, pagar as dívidas que a SAF possui em favor do clube francês. Isso, sem sobra de dúvidas, valorizaria o Lyon e levaria à SAF Botafogo à quebra imediata", acrescentou.
"Por isso a preocupação da Eagle Bidco - representada indiretamente pela Ares - com a tutela cautelar antecedente, pois a reestruturação das dívidas e implementação de medidas necessárias ao soerguimento da SAF não estão alinhadas com o interesse único da Agravante", complementou.
Por fim, o Botafogo afirma que, se a Justiça anular a antecipação dos efeitos da recuperação judicial, o time sofrerá ainda mais sanções esportivas da Fifa, que já aplicou três transfer bans ao clube e pode retirar pontos no Campeonato Brasileiro caso as situações não sejam solucionadas.
O Glorioso ainda vê risco de saída em massa de jogadores, que, por causa da antecipação dos efeitos, estão impedidos de rescindirem contratos por falta de pagamentos, e salienta que "todos os empregos diretos e indiretos estarão em risco" de demissão.
"O caixa da SAF Botafogo opera em níveis mínimos e críticos, sendo necessária a adoção de medidas para a injeção imediata de liquidez, as quais somente serão viabilizadas caso haja a devida estabilização da governança da Agradava e a supervisão do Juízo. Além disso, caso a tutela cautelar seja revogada, os créditos que deram origem aos pedidos de transfer ban passarão a ser imediatamente exigíveis, o que terá, por consequência a manutenção e agravamento das sanções já existentes, somadas a outras que poderão vir a ser aplicadas", indicou.
"Isso impedirá que a SAF Botafogo registre novos jogadores nas próximas janelas de transferência, prejudicando substancialmente, sua capacidade esportiva e, consequentemente, suas receitas. Será um ciclo de consequências deletérias e irreversíveis, a partir do pedido de um único credor/acionista, que prejudicará o próprio clube associativo e os milhões de torcedores do Botafogo", continuou.
"É preciso destacar, ainda, que a liminar impede que atletas sigam com rescisões indiretas ou se recusem a participar de competições nas quais a SAF Botafogo esteja inscrita, de modo que a sua revogação poderá também implicar perda imediata de jogadores importantes de seu elenco", lembrou.
"Todos os empregos diretos e indiretos estarão em risco, caso se acolha o pedido da Eagle Bidco", finalizou.
O pedido da SAF é para que o pedido da holding não seja atendido e a antecipação dos efeitos da recuperação judicial, que foi concedida em 22 de abril pela 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, seja mantida.
O caso agora será avaliado por um desembargador da 21ª Câmara de Direito Privado do Rio Janeiro.
Próximos jogos do Botafogo:
Chapecoense (F) - 14/05, 18h (de Brasília) - Copa do Brasil
Corinthians (C) - 17/05, 16h (de Brasília) - Campeonato Brasileiro
Independiente Petrolero (F) - 20/05 (de Brasília) - CONMEBOL Sul-Americana
