Por que o Brasil teve melhor campanha da história no Pan e o que isso significa para a Olimpíada

O Brasil deu um verdadeiro show nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru. O país quebrou seu recorde de ouros e medalhas e acabou conquistando o tão sonhado segundo lugar que não vinha havia 56 anos. Mas por que a campanha foi tão boa? E o que ela significa para a Olimpíada de Tóquio, que começa a menos de um ano?

Vamos começar pelo presente – e um pouco pelo passado.

O desempenho histórico é fruto de uma mescla de fatores, com méritos interessantes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e também com fatores que não passam pelas mãos dos dirigentes.

O resultado começa bem antes do Pan de Lima, com todo o investimento feito ainda para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O trabalho feito na formação de atletas começou a surtir efeito no médio/longo prazo. No Pan, vimos jovens serem campeões – como o time de triatlo e a renovada seleção do judô.

O COB também passou a ter um papel ainda mais fundamental na estrutura dos esportes por conta de uma certa falência da estrutura de confederações esportivas – várias passaram por intervenções da justiça por corrupção.

O Comitê começou a bancar várias coisas do bolso. Por isso, foi comum ouvir os medalhistas agradecerem ao Time Brasil. Ygor Coelho, por exemplo, foi campeão inédito no badminton também porque o COB o ajuda a bancar treinamento na Dinamarca.

Mas o bom desempenho no Pan também tem que levar em conta outras duas coisas: o aumento no número de pódios e o enfraquecimento de dois dos concorrentes.

O primeiro fator nem auxiliou tanto o Brasil assim, já que as modalidades novas acabaram ajudando mais o México, por exemplo. Mas o país conseguiu - para citar um caso - dois ouros, uma prata e um bronze no surfe, modalidade que não existia antes.

O segundo, sim, ajudou bastante. Cuba já tem deixado de ser a superpotência que era, e o Canadá voltou a não priorizar o Pan, com times alternativos em várias modalidades, como o judô.

O crescimento de Argentina, Colômbia e México também impactou na maior distribuição de ouros, influenciando que o Brasil fosse segundo colocado no pódio com 55 ouros – em 2015, o Canadá teve 78.

Mas, afinal, o que isso tudo significa pensando nos Jogos Olímpicos?

Significa, sim, muita coisa. Mas ao mesmo tempo está longe de garantir que teremos a melhor Olimpíada da história. O próprio COB reconhece que o nível é completamente diferente.

A natação, por exemplo, deu dez ouros e 30 medalhas em Lima. Na Olimpíada, vai brigar por muito menos que isso. A ginástica artística, que teve cinco ouros e 11 medalhas, também. Marcelo Chierighini e Francisco Barreto, por exemplo, mostraram no Peru que podem brigar no mais alto nível de suas modalidades.

Mas ao mesmo tempo, o Pan de Lima também serve para comprovar que essas modalidades mudaram de patamar. E fazem crescer muito a confiança delas.

E alguns dos ouros do Peru foram até em modalidades não olímpicas, como o SUP do surfe.

Mas também há sim quem foi ouro no surfe e chega na Olimpíada como favorito para pelo menos sair com uma medalha. Casos claros, por exemplo, de Darlan Romani (arremesso de peso), Matine Grael e Kahena Kunze (vela), Mayra Aguiar e Rafaela Silva (judô) e Ana Marcela (maratona aquática), todos com chances reais de ouro em Tóquio.

Hugo Calderano (tênis de mesa), Bruno Fratus (natação), a equipe de saltos do hipismo e Milena Titoneli (taekwondo), Andressa Morais (lançamento de disco) e a equipe masculina do 4x100m rasos do atletismo também estão claramente no patamar da briga por pódios.