Não se faz uma feira do esporte olímpico sem falar sobre a maior medalhista da história do Brasil. Rebeca Andrade está aproveitando o ano sabático após somar mais quatro pódios em Paris 2024 e chegar a seis medalhas na carreira. Porém, a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) segue normalmente e marcou presença na COB Expo, feira organizada pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) em São Paulo entre os dias 24 e 28 de setembro.
O diretor geral da entidade, Ricardo Resende, conversou com a ESPN durante o evento e admitiu que fica um leve sofrimento pela decisão de Rebeca de se aposentar do solo: “O solo é bem brasileiro, nós temos a cultura da prova, mas a Rebeca pode tudo. A gente respeita a decisão dela, que vai ficar ainda mais forte e dar mais orgulho para o país”. Ele ainda brincou: “O que ela falou, está falado. A gente tem só que obedecer”.
Leonardo Azevedo, preparador físico do COB voltado para a ginástica, também opinou sobre o fim da atividade de maior impacto na atleta, que já fez três cirurgias no joelho. “Se a gente quer que ela continue performando em alto rendimento, a gente precisa colocar o atleta dentro do processo e entender também como ele se enxerga. Se ela acredita que consegue performar, mas para que consiga continuar performando precisa estar fora do solo, palavras dela, ela tem meu total apoio.”
O especialista, porém, garantiu que a decisão partiu de Rebeca e foi acordada com a equipe dela, sem necessariamente uma recomendação da preparação física. “Ela entende que, se tirar essa rotina do treinamento dela, vai sentir menos dores, vai conseguir performar nos outros três aparelhos e vai continuar, de fato, contribuindo para a equipe”, garantiu Leonardo.
Além da bicampeã olímpica, a CBG também não conta com Jade Barbosa neste ano. Aos 34 anos, a medalhista de bronze por equipes deu uma pausa na carreira para ser mãe, mas promete que volta. O preparador físico falou sobre o caso dela: “Foi um período muito bom que aconteceu isso, que é o pós-Olimpíada, um ano mais tranquilo do ciclo. [A Jade] já se enxerga na Olimpíada de Los Angeles. Ela se enxerga fazendo parte da equipe já no início do ano que vem. Pós-parto, ela já tem um prazo que combinou com a equipe, em que ela entende que é o suficiente para fazer a transição de retorno”.
Grávida, Jade segue indo aos treinamentos e mantém uma rotina de trabalhos envolvendo flexibilidade e mobilidade. Fisioterapia e preparação física não ficam de fora, já que ainda se recupera de uma cirurgia no ligamento cruzado anterior. A ginasta permanece próxima à equipe, sendo membro imprescindível do time. Após o nascimento de Eva, a mamãe deve ganhar alguns meses de licença total dos treinamentos.
Mesmo sem duas peças importantes, a ginástica artística brasileira segue a todo vapor e disputa o mundial da modalidade em Jacarta, na Indonésia, em outubro. Ricardo Resende falou sobre as expectativas: “O Brasil hoje é uma potência na ginástica. A gente tem a possibilidade de abrir portas para novas estrelas, nossa equipe está muito bem preparada”.
O quinteto formado por Flávia Saraiva, Júlia Soares – ambas medalhistas em Paris –, Ana Luiza Lima, Julia Coutinho e Sophia Weisberg está na Hungria para uma etapa da Copa do Mundo e de lá segue para a ambientação em Doha, onde serão definidas quais ginastas representarão o país no Mundial. A competição será individual, apenas por especialidades. No masculino, os olímpicos Caio Souza, Diogo Soares e Arthur Nory são presenças garantidas.
Por falar em Mundial, a CBG ainda sonha acordada após o sucesso do torneio de ginástica rítmica no Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 24 de agosto, que viu o conjunto brasileiro sair com duas medalhas de prata, nas provas geral e 3 bolas + 2 arcos. “Saiu tudo mais do que perfeito. Começamos o ciclo da melhor maneira possível, e agora a ginástica rítmica se prepara para conseguir a primeira medalha olímpica”, disse o diretor Ricardo.
