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Boxeadora argelina alvo de polêmica nas Olimpíadas é ouro no boxe

Imane Khelif acerta Yang Liu na final do boxe feminino nas Olimpíadas EFE/EPA/MAST IRHAM

A argelina Imane Khelif venceu a chinesa Yang Liu nesta sexta-feira (9) e ganhou a medalha de ouro no boxe feminino, categoria até 66kg, nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.

A africana, que foi alvo de polêmica de gênero durante o torneio, ganhou com placar de 5 a 0 no geral, vencendo todos os rounds por decisão unânime dos juízes.

A vitória de Imane vem no mesmo dia em que tanto ela quanto a taiwanesa Lin Yu-ting ganharam apoio público do presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach.

Em entrevista coletiva nesta sexta, Bach saiu em defesa das boxeadorasapós as polêmicas de gênero enfrentadas pelas atletas nos Jogos.

O dirigente criticou a IBA (Associação Internacional de Boxe), que chegou a barrar as duas após a realização dos chamados "testes de gênero", e ressaltou que a participação das duas pugilistas no boxe olímpico é "justa".

"Essa não é uma questão de inclusão, mas sim de justiça. Mulheres têm o direito de participar em competições femininas", apontou.

"Vi uma transcrição da entrevista coletiva dessa organização [IBA] e não estava claro nem que teste foi feito nem que resultados foram produzidos. Não é mais tão fácil que (os cromossomos) XX e XY seja a clara distinção entre homem e mulher, isso cientificamente não é mais verdade. Portanto, elas duas são mulheres e têm o direito de participar de competições femininas", complementou.

Neste sábado (10), inclusive, Lin enfrenta a polonesa Julia Szeremeta na decisão da categoria até 57kg.

Entenda a polêmica

Imane Khelif, da Argélia, e Lin Yu-ting, de Taiwan, viram seus nomes serem envolvidos em polêmica de gênero nas Olimpíadas de Paris.

A raiz da questão está no fato de as duas terem sido desclassificadas do Mundial de boxe de 2023, organizado pela Associação Internacional de Boxe (IBA, na sigla em inglês). Segundo a organização, as duas não atendiam ao "critério de elegibilidade para participar na competição feminina".

"Essa decisão, tomada após uma análise meticulosa, foi extremamente importante e necessária para manter o nível de justiça e mais ainda a integridade da competição", explicou a IBA, em comunicado após o tema ganhar relevância diante da participação de ambas nas Olimpíadas.

"Importante notar, as atletas não passaram por um exame de testosterona, mas realizaram um teste separado e reconhecido, cuja especificações seguem confidenciais. Esse teste conclusivamente indicou que as duas atletas não atendem ao critério necessário de elegibilidade e têm vantagens competitiva sobre outras competidoras mulheres", acrescentou a organização.

A decisão em questão da IBA aconteceu em março de 2023, com base em testes realizados em Imane Khelif e Lin Yu-ting em 2022 e 2023. Desde então, contudo, a organização, presidida pelo russo Umar Kremlev, perdeu o status de responsável mundial pela modalidade, por denúncias relacionadas a falta de transparência financeira e também contra seus dirigentes.

Essas diferenças com o COI ficam claras quando a entidade responsável pelas Olimpíadas se manifesta sobre a questão das duas boxeadoras. Uma dessas explicações, de por que não reconhecer os testes realizados em Imane Khelif e Lin Yu-ting, foram dadas novamente neste domingo (8).

Porta-voz do comitê, Mark Adams deixou claro que a entidade não vê confiabilidades nos testes da IBA. “Aqueles testes não são legítimos”, afirmou, confirmando que o COI recebeu uma carta da associação de boxe informando sobre a situação das duas boxeadoras.

"A concepção do teste, como o teste foi compartilhado, como o teste se tornou público é tão falho, que é impossível aceitar. Não significa que não pode haver um processo no futuro, nós podemos discutir isso. Mas com a credibilidade da IBA, como é, não há credibilidade nesses testes ou nos métodos sob os quais esses testes foram realizados", encerrou o representante do COI.

Antes de Paris 2024, as duas boxeadoras já haviam disputado as Olímpiadas de Tóquio 2020 e saíram sem medalhas. Imane Khelif chegou às quartas de final da categoria até 60kg, mas foi derrotada pela irlandesa Kellie Harrington, que acabou com o ouro derrotando a brasileira Bia Ferreira. Lin Yu-ting, por sua vez, perdeu para a filipina Nesthy Petecio no mesmo peso que o atual.