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NFL: Jon Gruden, técnico dos Raiders, pede demissão após divulgação de emails com conteúdo racista e homofóbico

Uma investigação revelou emails com conteúdo racista, homofóbico e machista do técnico do Las Vegas Raiders, que pediu demissão nesta segunda


Jon Gruden não é mais técnico do Las Vegas Raiders. Nesta segunda-feira, ele pediu demissão após o escândalo dos emails divulgados durante os últimos dias e que revelaram falas racistas, homofóbicas e machistas do treinador durante um período de 7 anos.

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O primeiro email havia sido revelado na última sexta-feira e continha insultos racistas em referência ao diretor executivo da Associação de Jogadores da NFL, DeMaurice Smith, em 2011. A mensagem, divulgada primeiramente pelo The New York Times, mostrava Gruden dizendo que Smith tinha "beiços do tamanho de um pneu da Michelin".

No mesmo dia, os Raiders e a NFL se posicionaram e o treinador veio a público pedir desculpas pelo que havia escrito e disse "estar envergonhado de ter insultado Smith" e que "certamente nunca quis que soasse da maneira que soou".

Na sequência, Gruden revelou ter tido uma reunião com seus jogadores aonde explicou a situação e "garantiu que não estava na melhor época de sua vida" e que "havia mudado".

Nesta segunda-feira, porém, uma nova matéria do Times revelou uma nova investigação da NFL, que descobriu uma série de emails enviados entre 2011 e 2018 em que o treinador usava uma linguagem racista e homofóbica, além de mensagens com conteúdo machista.

De acordo com os emails, Gruden se posicionou contra a chegada de mulheres como juízas, a escolha de Michael Sam, primeiro jogador abertamente gay a se declarar para o draft, pelos Rams e contra os protestos dos jogadores que ajoelhavam durante o hino.

À época, Jon não estava empregado na NFL e atuava como comentarista. Os emails foram enviados ao então presidente do Washington Football Team, Bruce Allen, e outros funcionários. Em um dos emails, Gruden chamou Roger Goodell, comissário da NFL, de "bicha" e "um marica que é contra o futebol americano" por "pressionar Jeff Fisher, então técnico dos Rams, a selecionar Michael Sam no draft de 2014.

Durante o período de sete anos, que terminou no começo de 2018, o treinador criticou Goodell e a liga por tentarem reduzir o número de concussões e disse que Eric Reid, um dos jogadores mais ativos nos protestos durante o hino, deveria ser demitido. Em diversas instâncias, Gruden se referiu a Goodell e outros executivos da liga com insultos homofóbicos.

Além disso, Gruden, Allen e outros homens da NFL que não tiveram seus nomes divulgados faziam parte de uma corrente de emails que consistia em divulgar fotos de mulheres apenas com a parte inferior de biquínis, incluindo fotos de duas cheerleaders do Washington, franquia que Allen era presidente à época e, portanto, chefe das mulheres.

Os emails viram à tona durante uma investigação da NFL sobre "condutas irresponsáveis de chefes com funcionários do Washington Football Team durante a presidência de Bruce Allen".

Nesta segunda-feira, após a repercussão de todos os emails, Gruden pediu demissão dos Raiders, que contam com o único jogador abertamente homossexual na NFL hoje, o defensive lineman Carl Nassib. Joe Gruden havia assumido a franquia de Las Vegas em 2018.

Jon Gruden divulgou uma nota oficial confirmando a demissão.

"Me demiti como técnico dos Las Vegas Raiders. Amo os Raiders e não quero ser uma distração. Obrigado a todos os jogadores, técnicos, staff e torcedores da Raider Nation. Me perdoem, eu não quis machucar ninguém", diz o comunicado.