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NFL: Matthew Stafford não está satisfeito: a mentalidade do QB que chegou para revolucionar os Rams

Durante quase uma hora, estive ao lado de Matthew Stafford em um salão no hotel Agoura Hills, fazendo variações de uma simples pergunta: Como é fazer algo profissionalmente por 12 anos, mas ainda não saber o quão bom você é nisso? E, por quase uma hora, Stafford disse muito pouco. Ele está aqui para dar autógrafos, parte de um acordo de patrocínio. Uma sala grande o suficiente para receber um pequeno casamento está cheia de capacetes, camisas, bolas de futebol americano, cartões e ingressos de jogo. Stafford passa pelos corredores de itens que vai autografar, para cima e para baixo, para baixo e para cima, acompanhado por dois funcionários que seguram caixas de marcadores. Assinar coisas é uma tarefa estranha e manual, uma parte oculta da vida de um quarterback famoso. É também um trabalho de verdade: Stafford tem 1.500 itens para assinar. A certa altura, ele olha para cima e vê que ele tem apenas um quinto feito, com filas de capacetes e caixas de camisetas e bolas de futebol americano à sua frente.

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“Meu Deus”, diz ele. “Talvez tenha que ficar sem fazer lançamentos amanhã”.

*Conteúdo patrocinado por Claro, Mitsubishi, Samsing, C6Bank e Magazine Luiza

Stafford é alto e está em forma, com ombros finos, o que faz sua cabeça – uma “cúpula gigante”, em suas palavras – parecer um pouco mais gigante. Ele tem um rosto de menino, mas agora tem 33 anos, e os anos se manifestam de maneira sutil, com fios grisalhos na barba. Agora ele está em um bom momento, uma mudança bem-vinda mesmo de apenas alguns meses atrás. Depois da última temporada, Stafford estava pronto para fazer algo que ele e sua esposa, Kelly, tinham discutido pela primeira vez antes do início do ano: pedir uma troca para deixar o Detroit Lions. Os Lions tinham acabado de perder para os Vikings no final da temporada, e o jogo parecia um microcosmo de sua carreira: Ele tinha jogado bem, lançando três touchdowns, mas não conseguiu superar os erros de seu time e alguns dos seus próprios, como quando errou em uma tentativa de conversão de 2 pontos no final do quarto período. Detroit terminou com campanha de 5-11, outra temporada desperdiçada.

Naquela noite, Stafford tirou fotos com a família em frente ao Ford Field, para o caso de ser o fim. Algumas horas mais tarde – depois de lutar contra aquela sensação de querer sair “o máximo que pudesse”, disse Kelly – ele lhe disse que no dia seguinte ele iria mesmo fazer isso.

Mas naquela manhã, Stafford estava esvaziando a máquina de lavar louça em silêncio - enrolando, preocupado, chateado, questionando, reconsiderando, continuando as conversas em sua cabeça. Será que ele estava fazendo a coisa certa? Alguns de seus melhores amigos estavam em Detroit. Ele tinha perdido muitos jogos, claro, mas também tinha tido alguns dos melhores momentos de sua vida naquele vestiário. A equipe pode não ter buscado os melhores talentos ou contratado os melhores treinadores, mas isso afetou profundamente a vida de Stafford, pagando a ele cerca de 200 milhões de dólares. Em 2019, o médico dos Lions, Asheesh Bedi, havia agendado uma ressonância magnética cerebral para Kelly - depois dela sofrer por semanas com uma tontura - e isso levou à remoção de um tumor não-cancerígeno, mas perigoso, suficientemente grande para que pudesse ter afetado suas funções neurológicas, deixando os Staffords eternamente gratos. Stafford sempre havia sido um embaixador perfeito para os Lions, nunca falava da incapacidade sistêmica e irrelevância da equipe e prometia a si mesmo e à sua cidade que faria tudo o que pudesse para conseguir um Super Bowl.

Alguns jogadores possuem um senso de poder e controle, se não de orgulho e satisfação, por travarem uma guerra pública contra seu empregador. Não Stafford. Pedir para sair seria uma concessão épica - uma admissão de que, em algum nível, ele havia falhado. Mas os Lions estavam prestes a contratar um novo general manager e um técnico principal, e ele sentiu que não poderia passar por mais uma reconstrução. Finalmente, ele disse a Kelly: “Ok, me deseje sorte. Reze por mim”.

Ele se reuniu com os diretores e proprietários dos Lions por horas, derramando algumas lágrimas. Ele ligou para Kelly no caminho para casa, dizendo-lhe que os executivos estavam surpresos, mas depois de ouvir sua justificativa, eles entenderam. No final do mês, Stafford era dos Los Angeles Rams - em troca de duas escolhas da primeira rodada, uma de terceira rodada e Jared Goff, dando aos fãs de L.A. a esperança de que seriam os Buccaneers deste ano, com um novo quarterback liderando o caminho para uma vitória do Super Bowl em seu estádio, dentro de casa.

Tudo isso me levou a Stafford, no salão, enquanto ele autografava os itens. Ele é um quarterback famoso, tão presente no Dia de Ação de Graças quanto o purê de batata, mas sabemos pouco sobre suas vaidades e inseguranças, cicatrizes e ego, para não dizer nada sobre o quão bom ele realmente é. Algumas pessoas próximas a Stafford sentiram que, com um novo time e um novo contrato, ele poderia estar disposto a revelar o que realmente pensa sobre Detroit, o que tantas derrotas fazem com alguém, quais partes dele se formaram e quais partes ele arrancou, o que ele perdeu e o que ele agora deve reconstruir dentro de si mesmo. Mas no salão, tenho feito todas as perguntas que pude pensar sobre onde Stafford está em sua carreira e vida, e ele tem educadamente se esquivado delas. Quando eu pergunto sobre o aperfeiçoamento de sua mecânica de arremesso, ele diz que não quer “entrar em todos os detalhes”. Quando pergunto sobre sua rotina de assistir a filmagens, ele diz: “Um pouco aqui, um pouco ali”, para que ele não me dê “todos os segredos”. E quando eu faço uma pergunta sobre o que seu quintal de L.A. - depois que ele conta uma história sobre o momento quando ele e Kelly olharam para fora de seu novo quintal e vislumbraram o primeiro dia do resto de suas vidas - ele diz: “Eu não estou te dizendo isso”.

Então, finalmente, pergunto minha última versão: “O que você quer do resto de sua carreira?”. Ele faz uma pausa e me olha nos olhos. “Eu só quero participar de grandes jogos, sabe? ... Quero ter oportunidades de fazer grandes jogadas no quarto período contra times realmente bons, em momentos importantes, em vez de um jogo de 1 hora da tarde num domingo em algum lugar qualquer.”

Deixado sem resposta está o desafio diante dele: para se tornar quem ele quer ser, ele terá que esquecer muito de quem ele era.


STAFFORD DESCREVE A SUA passagem pelo salão, e isso acaba se tornando um passeio acidental por sua carreira. Ele pega um capacete da Universidade da Geórgia. Foi titular por três anos dos Bulldogs, um novato cinco estrelas de Highland Park, Texas, onde foi educado na arte de arremessar por seu pai, John, e onde emulou John Elway, Troy Aikman e Brett Favre. Ele fez 3-0 em jogos de Bowl e foi All-American como estudante universitário. Há um pequeno bilhete no capacete solicitando que ele assine com as estatísticas de sua carreira: 7.731 jardas e 51 touchdowns. Ele olha para as estatísticas.

“Estes não são números impressionantes, para ser sincero”, diz ele. “Isto é comum a todos os quarterback do sistema de Oklahoma hoje em dia”.

Ele assina uma foto de si mesmo como novato. Foi draftado pela primeira vez em 2009, chegando a uma cidade americana icônica quando tanto ela quanto os Lions com 0-16 estavam no fundo do poço, com o tipo de braço mágico que faz as pessoas acreditarem - e onde, afinal, Stafford aprendeu tanto o potencial quanto os limites de sua habilidade. “Quando você pensa naquele cara”, eu pergunto, “o que ele não sabia?”

“Pssh”, diz ele. “Muito.”

Para começar, aquela versão de Stafford não sabia muitos dos detalhes refinados de sua profissão. Ele nunca havia realmente pensado em fazer lançamentos - muita coisa aconteceu naturalmente - e anos depois se juntou às legiões de quarterbacks que trabalham com o especialista Tom House e o 3DQB, o que o ensinou a fortalecer seu desempenho e a manter o pé esquerdo para a frente na formação de shotgun, em vez do direito, para que não houvesse desperdício de movimento nos lançamentos rápidos. Stafford também não conhecia as fragilidades da vida - a alegria de criar uma família e o medo assustador de uma companheira de vida submetida a uma operação tão séria que ela teve que reaprender a andar. Mas mesmo depois de algumas apresentações épicas naquele primeiro ano - como quando ele fez cinco touchdowns, o último com o tempo do relógio esgotado e com um ombro esquerdo muito machucado, para vencer os Browns - ele também não sabia exatamente o quão difícil é vencer na NFL. Tom Brady, Patrick Mahomes, Aaron Rodgers, Russell Wilson - eles vencem com tanta frequência que parece fácil. Mas os Lions venceram dois jogos em sua primeira temporada e, depois de ter perdido a maior parte da temporada 2010 com o ombro direito lesionado, apenas seis em sua segunda. Stafford sentiu que ele estava “decepcionando os companheiros, a cidade, todo mundo”. Ele leu “Lone Survivor”, um livro de memórias do SEAL aposentado da Marinha, Marcus Luttrell, tanto por inspiração quanto por ambição, e em 2011, ele detonou, lançando para 5.038 jardas e 41 touchdowns e ajudando os Lions a ficarem 10-6 em sua primeira ida aos playoffs em 12 anos. Ele jogou bem na rodada de Wild Card contra os Saints, arremessando para três touchdowns, mas a defesa cedeu 45 pontos na derrota.

A seguir, para autografar, uma cópia da prévia da Sports Illustrated NFL 2012, com Stafford e Calvin Johnson na capa, sob o título “Mega-Arm Megatron”, um retrato de duas estrelas e uma equipe aparentemente em ascensão. Mas vieram mais duas temporadas frustrantes. Em 2014, os Lions voltaram a disputar os playoffs, mas perderam para os Cowboys. Um ano depois, após outra temporada ruim, Johnson se aposentou, juntando-se a Barry Sanders como lendas dos Lions que se aposentaram em seu auge, vencidos por uma derrota incurável. Stafford ajudou os Lions a chegarem em mais uma pós-temporada - uma derrota para o Seahawks em 2016 - e desde então ele não foi para os playoffs. Os dois últimos anos em Detroit - marcados pela cirurgia de Kelly, um protocolo de COVID-19 desastroso em novembro, quando uma de suas filhas, Hunter, caiu de uma cadeira alta e sofreu uma concussão enquanto ele estava em isolamento obrigatório devido à exposição a alguém com o vírus, e o comando de Matt Patricia por três anos, um ex-coordenador de New England que se baseia na manipulação e no medo - foram um inferno.

Stafford ganhou 74 jogos em seus 12 anos em Detroit, um recorde da franquia. Mas o futebol profissional é e sempre será um esporte de janeiro. Ele estava quase sempre em casa durante os playoffs, assistindo aos outros quarterbacks, autores de momentos mágicos. Se Stafford se aposentasse amanhã, ele teria merecido alguma discussão para entrar no Hall da Fama com base em seus números - 45.109 jardas e 282 touchdowns - mas é difícil ir para Canton como quarterback se sua carreira não tiver um momento de consagração em um grande jogo, ou se os eleitores não souberem se você é mesmo capaz daquela mistura de crueldade e confiança nos momentos mais críticos que sobram nos grandes jogadores.

O que todo esse potencial desperdiçado e inexplorado faz com um homem? Stafford e Kelly falam disso em termos mensuráveis. De Matthew sair do quarto para ficar sozinho depois de uma derrota, da energia necessária e de ter se adaptado a novos treinadores e ter aprendido novas jogadas, da ginástica mental usada para construir esperança, não apenas começando a cada temporada, mas às vezes a cada dia. Até Kelly se perguntava como ele continuava. "Às vezes era difícil para ele se motivar", diz ela. “Mas todos os anos, ele me fazia pensar que eles tinham uma chance”. Ele não ficava cansado, não guardava pra ele mesmo; ele nunca chegou à conclusão de que preferia não jogar futebol do que jogar nos Lions. Mas quando essa esperança inevitavelmente se desvaneceu, ele teve que seguir para um lugar onde se esqueceria do recorde de vitórias e derrotas e da narrativa de que ele é o garoto-propaganda do argumento de que vencer não deveria ser uma estatística de quarterback - um argumento que todo quarterback sabe, no fundo, que é absurdo - e lembrar a si mesmo que ele amava o jogo, e que “não importa qual seja a situação... Eu jogo para os caras ao meu redor”.

Um dos funcionários passou uma camisa que não era dos Lions para Stafford autografar. É do Pro Bowl 2015, seu primeiro e único. Ele foi nomeado MVP Ofensivo. Este jogo - um jogo que Brady mal aceita, muito menos participa - é um dos destaques da carreira de Stafford, talvez o destaque.

Dois homens puxam a camisa apertada para uma mesa enquanto Stafford a assina no branco de seu número. Eu perguntei o que significava ser o MVP Ofensivo do Pro Bowl.

Ele se encolhe.

“Alguns bons períodos”.


EM JUNHO à tarde, alguns dias depois, Sean McVay se senta na sala de estar de sua casa em Encino, falando sobre o potencial sufocado - tanto de seu novo quarterback, quanto, de uma forma redundante, do seu próprio. McVay é baixinho e empolgado, com um aperto de mão que o deixa reconsiderando as virtudes dos exercícios para os braços. As prateleiras da sala de estar com suporte para uma TV de tela plana estão cheias de fotos dele e de sua noiva, Veronika Khomyn. Lá em cima há uma modesta sala de futebol americano, cheia de fotos emolduradas e artigos de uma carreira que parece totalmente formada, mas ainda incompleta.

McVay é de uma família do ramo do esporte - seu avô, John, ganhou cinco Super Bowls como VP de operações de futebol dos 49ers - e ele se saiu bem, não apenas para um treinador de 35 anos, mas para qualquer treinador principal em seus primeiros quatro anos na NFL. Ele tem uma participação no Super Bowl e quatro temporadas vencedoras sob seu comando, liderando uma franquia que tenta se consagrar em sua nova cidade e se livrar de uma ação judicial em andamento da anterior. McVay é um treinador feroz, desenvolvendo o trabalho, lendo livros, assistindo a documentários de lendas em sua profissão. Mas ele também sabe que, por todas as horas que passa analisando e estudando sua profissão, uma grande parte dela está fora de seu controle. Tudo o que Sean McVay quer ser no mundo está agora nas mãos de Matthew Stafford.

Os treinadores são ensinados a manter um distanciamento emocional dos jogadores. Mas com Stafford, McVay desistiu de qualquer disfarce de distância. Eles mal se conheciam há 10 meses, mas agora são amigos. Eles também são espelhos um do outro, em ambição mais do que em personalidade. Stafford é reservado e sarcástico. McVay é charmoso e às vezes um pouco honesto demais. No dia anterior ao meu encontro com McVay em sua casa, ele disse em um microfone que desde que Stafford chegou, ele tem estado muito feliz. “Todo mundo diz: 'Cara, parece que você está mais bem-humorado nesta offseason'. E eu disse: 'Você tem toda a razão, eu estou”. Em poucas horas, McVay esclareceu que o que soou como um desdém com Jared Goff não foi de fato um desdém com Goff. Mas o fato é que McVay está mais feliz, e isso é por causa de Stafford.

McVay também pode estar feliz porque os Lions salvaram os Rams de seu próprio erro. Há apenas três anos, Goff parecia ter atingido a sua maturidade, recuperando os Rams duas vezes de uma diferença de dois dígitos contra os Saints na final da NFC - algo que Stafford nunca conseguiu. Apesar de Bill Belichick, dos Patriots, ter exposto Goff no Super Bowl, ele ainda fez um lançamento perfeito pela linha lateral perto do final do quarto período que teria empatado o jogo se o receiver, Brandin Cooks, tivesse levado a bola para a end zone. Seu próximo lançamento foi interceptado, e os Patriots terminaram a partida e “arruinaram minha vida”, disse McVay brincando - só que não. Um desempenho defensivo épico dos Rams, que limitou Brady a 13 pontos, foi desperdiçado porque o ataque de McVay não conseguia marcar mais do que um field goal.

Ainda assim, McVay viu uma promessa em Goff, e a equipe assinou com o quarterback uma renovação de quatro anos após o Super Bowl, no valor de 134 milhões de dólares em 2019. Mas depois de uma derrota para os Packers este ano, ele decidiu que precisava de uma mudança. Coordenadores defensivos inteligentes podiam dizer que Goff falhou em ler as defesas, e os adversários da NFC Oeste sentiram que os Rams estavam em sérios problemas a longo prazo, sobrecarregados com um enorme contrato para um quarterback de nível B - um dos piores lugares para se estar na NFL. Após uma desajeitada, mas sem grandes resultados no final da temporada, o general manager Les Snead se recusou a se comprometer com Goff, McVay e Veronika de férias em Chileno Bay, no Cabo. Quando desembarcaram, McVay enviou uma mensagem de texto a Andrew Whitworth, que lhe disse que seu bom amigo Matthew Stafford estava no mesmo resort.

Algumas semanas antes, quando Stafford havia dito aos Lions que queria sair, a equipe deu a ele e a seu agente permissão para buscar uma troca, e os dois lados se comprometeram a manter a situação confidencial e fora das manchetes. Isso era importante para Stafford, para não entrar no jogo de vazamentos. Os dias passaram. Stafford estava estressado. “Precisamos fugir”, disse Kelly a ele. “Precisamos sair do país. Não me importa onde. Longe do futebol”.

Os Staffords consideraram as Bahamas, mas acabaram no Cabo - e a vida e a carreira de Stafford logo mudaram. Quando ele desembarcou, ele mandou uma mensagem para Whitworth para se encontrarem. Whitworth mandou uma mensagem a McVay, que tinha ouvido dizer que Stafford queria uma troca, e até assistiu a vídeos dele no caso de os Rams decidirem entrar no derby.

Vocês não vão acreditar nisso, McVay escreveu a um grupo da diretoria dos Rams. Stafford está aqui.

Dentro de uma hora, Whitworth, McVay e Stafford se encontraram à beira da piscina. No início, Kelly não sabia quem era McVay. Ele parecia muito jovem. Ela encontrou Veronika e perguntou como todos se conheciam. “Meu noivo treina Andrew”, disse Veronika. Fez um clique para Kelly - não só que ele era o treinador dos Rams, mas também era amigo do irmão dela, Chad, da região de Atlanta, do futebol americano de high school.

McVay mencionou a Stafford que dois dos treinadores de sua equipe eram os companheiros de equipe do quarterback na Geórgia.

“Você está ficando velho, cara!” disse McVay.

Entre alguns drinks, eles conversaram por mais de uma hora. McVay perguntou a Stafford sobre um dos momentos inesquecíveis de sua carreira, em outubro de 2016, quando ele deu um passe para touchdown nos segundos finais para vencer Washington, de quem McVay foi coordenador ofensivo. Stafford recordou instantaneamente a ordem. Perdendo por 17-13, com 1:05 no relógio, faltando 75 jardas e três timeouts. Na primeira jogada, Stafford recuou, se movimentou para a esquerda e atirou para o lado, com o pé errado e sobre o meio - um lançamento exclusivo para os grandes receivers - para Marvin Jones que cruzou o caminho oposto para 23 jardas. Próxima jogada: Stafford correu pelo meio para 14 jardas. Depois ele acertou Andre Roberts pelo meio para 20 jardas. Duas jogadas depois, faltando 22 segundos, Stafford encontrou o local seguro contra a cobertura de Washington, onde a defesa mostra a cobertura 2 e traz um dos safeties para cobrir rotas curtas - e acertou Anquan Boldin em uma rota de seam para 6 jardas.

“Partiu meu coração”, disse McVay agora. Mas naquele dia, na piscina, isso também o impressionou. Não só que Stafford havia conseguido os pontos - mas também que ele se lembrou perfeitamente cinco anos depois, e tendo bebido alguns copos. Foi um vislumbre de um imenso “repertório”, disse McVay, conhecimento adquirido por repetições e cicatrizes e, acima de tudo, por ter sobrevivido mais de uma década em uma liga brutal.

Nos dias seguintes, McVay estudou Stafford em seu celular e iPad, testando a paciência de Veronika nas férias - ou, poderíamos argumentar, investindo em sua futura felicidade. McVay percebeu que Stafford tinha de sobra o que precisava num quarterback: a habilidade de consertar jogadas, corrigir problemas em segundos - talvez uma função de testemunhar desastres no Detroit, talvez parte de seu conjunto de habilidades naturais - com se movimentar no pocket, com olhos, com ângulos de braço. Stafford havia dito aos Lions que suas preferências eram os Rams, 49ers e Colts, nessa ordem. Os Panthers fizeram uma oferta atraente para os Lions e, sem uma cláusula de vetar trocas em seu contrato, eles poderiam tê-lo enviado para o Carolina. Mas ele não queria ir para lá, e assim a equipe trabalhou com os Rams. A troca aconteceu em pouco mais de dois dias no Cabo. Matthew e Kelly perguntaram à sua babá - um membro informal da família - se ela iria com eles para a Califórnia. Ela disse que sim, oficializando a troca antes que ela se tornasse oficial em março, no início do ano da liga.

McVay chamou o proprietário Stan Kroenke e explicou porque Stafford valia a pena pagar um preço alto.

“Eu confio em você”, disse Kroenke.

Foi a segunda vez em dois anos que Kroenke confiou à McVay uma mudança cara de quarterback. McVay tinha conseguido algo tão valioso como uma mudança na posição mais valiosa do jogo: uma segunda chance. Stafford estava no jantar com amigos quando seu agente, Tom Condon, ligou. Ele deixou a mesa. Quando voltou, ele disse: “Bem, acho que sou um Ram”. Na noite seguinte, McVay e Veronika se encontraram com Matthew e Kelly. “Parabéns ao novo Ram”, McVay brindou, e a noite ficou mais embaçada à medida que avançava.

Alguns meses mais tarde, Stafford estava nas instalações da equipe no dia em que a programação foi liberada. Kevin Demoff, COO dos Rams, perguntou a ele: “Quantos jogos no horário nobre você já jogou?”.

Além do Dia de Ação de Graças, apenas alguns, Stafford respondeu.

Este ano, Demoff disse a ele que os Rams estariam no horário nobre cinco noites. Stafford sorriu. Ele conseguiu o palco que queria. Agora ele só tem que corresponder.

VOLTANDO PARA O SALÃO, Stafford está esticando sua mão, tentando mantê-la solta. Ele é cuidadoso com suas mãos. Suas pontas dos dedos têm que ser sensíveis o suficiente para sentir os pequenos detalhes da bola. Seu dedo mindinho está sangrando - se ele tem um corte, ou pele morta, dá um jeito de cuidar. Quarterbacks.

Nesse momento, alguém entra na sala. Os olhos do Stafford se levantam. “Que bom que você apareceu”, diz ele, sorrindo.

É Cooper Kupp, o slot receiver dos Rams, chegando com uma hora de atraso.

Kupp chega, autografando coisas do outro lado da sala, enquanto Stafford fala sobre como tem sido estranho ser o cara novo da equipe. Ele teve que digitar o endereço do centro de treinamento em seu GPS pela primeira vez em 12 anos. Ele se uniu a novos treinadores e equipes de treinamento e relações públicas. Ele começou de novo e, de certa forma, o negócio reintroduziu Stafford para nós, dando-nos um novo apreço pela sua carreira. O negócio reacendeu os debates sobre como ele realmente é e pode ser bom. Duas vezes ele liderou viradas no quarto período, um número impressionante para um quarterback com um histórico de derrotas como titular. Ele sempre foi poupado pelos patrocinadores e assinou apenas dois desde que se tornou um Ram, com Fanatics e com a Alo, uma empresa de vestuário de ioga. A resposta de Stafford à propaganda tem sido focar na tarefa com as mãos - e a tarefa é aprender o básico.

Aprender o livro de jogadas de McVay. É brutal para os quarterbacks aprenderem uma nova língua, mais difícil do que a maioria dos torcedores imagina. Brady havia admitido recentemente que, em meados do ano passado, ele ainda estava com dificuldades para chamar as jogadas no palavreado de Bruce Arians.

“Eu achei legal Tom Brady ter dito o que disse”, diz Stafford. “Você não simplesmente aprende apenas algo novo. Você também tem que esquecer outras coisas. Caso contrário, elas acontecem juntas”.

Além do livro de jogadas, Stafford também tem que se reinventar enquanto ele reinventa seu legado. Pois, por melhor que tenha sido, ele ocasionalmente se compromete a mudar o ritmo de atividade. Talvez seja o que acontece quando sua equipe está sempre em um shootout e você é a única esperança de vitória - ou você sente que é a única esperança de uma vitória, que é a mesma coisa. Talvez seja também uma das razões pelas quais ele não fale sobre a deficiência de Detroit: Ele também nem sempre foi perfeito. Os Rams apelaram para Stafford por causa da talentosa equipe de ambos os lados do jogo - uma equipe muito parecida com ele, ansiosa para ver como pode ser bom, mas sem garantias. Muita coisa precisa acontecer para que os Rams cheguem ao Super Bowl, mas isso começa com o livro de jogadas. A nomenclatura das proteções é especialmente complicada para Stafford. Eu peço um exemplo.

“Não posso dar muitas informações”, diz Stafford.

O áudio da transmissão capta tudo de qualquer maneira, eu contesto. Eventualmente, vai acabar se revelando.

"É difícil de explicar. Você não pode acrescentar nada disto, mas...".

Stafford abaixa o marcador e procura por uma palavra para proteger o antigo sistema dos Lions que significa algo mais agora. Ele usa ambas as mãos como quem tenta expulsar a palavra, e seus olhos estreitos, olhando fixamente para o salão bagunçado, mas visualizando movimentos, alinhamentos e cadência. Com os Lions, essa proteção eram cinco liners deslizando para a direita. Com os Rams, isso significa que apenas três liners deslizando para a direita. Stafford segue por dois minutos pensando nesta única palavra. O que torna especialmente difícil, diz ele, é que seus companheiros de equipe estão no sistema McVay há anos e o conhecem friamente. Se ele chamar a proteção, os jogadores saberão o que fazer, mas se ele se esquecer, ele ficará exposto, e a jogada estará morta - se não agora, então durante um momento crítico da temporada.

Kupp coloca um boné em seu marcador, uma pilha de lembranças autografadas, e caminha em direção a Stafford.

“Você terminou?” diz Stafford, dando a ele um momento difícil. “Bom trabalho, cara”.

Kupp abana a cabeça e se senta ao lado de Stafford para a próxima leva de itens. Agora que Stafford está pensando no livro de jogadas e na terminologia, ele está travado. Stafford está assinando camisetas, mas sua mente está de volta ao treino mais cedo no dia. Ele e Kupp discutem uma sequência de um exercício de passe.

“Ei”, diz Stafford a Kupp, “esse foi o sinal correto para ‘Chops’, certo?”.

"É isso mesmo", diz Kupp.

“Ok”, diz Stafford. “Rob [Woods] estava ali em um lugar estranho, ou algo assim, e ele pensou que era ‘Shade’?”

“Ele pensou que era ‘Shade’”, confirma Kupp.

Stafford sabe que vou perguntar o que significa ‘Chops’ e ‘Shade’. “Não posso revelar os sinais”, diz ele.

Ele se volta para Kupp. “Quando DeSean [Jackson] partiu por dentro, e o safety o segurou, eu voltei para procurar por ‘Chops’ e tive como se fosse um ‘Special’” - surpresa: ele também não me disse o que é um ‘Special’ - “e eu fiquei tipo, espera, o que?”.

“Sim”, diz Kupp. “Ele disse que ficou preso”.

Enquanto eles falam em seu próprio idioma, eu penso em uma conversa que tive uma vez com um treinador. Perguntei em qualquer jogo, mesmo depois de todas aquelas OTAs, minicamps, treinamento, horas de exercícios e reuniões, quantos jogadores realmente fazem a tarefa que lhes foi designada? “Dois, três?”, disse o treinador com irritação. Os quarterbacks nunca dirão isso publicamente, mas chamar o jogo certo e diagnosticar corretamente a defesa e encaixar a bola em uma janela de oportunidade sob pressão - todas as coisas pelas quais os elogiamos - são apenas o básico do trabalho. Na realidade, os quarterbacks têm que dar conta de quais os lineman podem ameaçar um bloco, quais os receivers podem estragar as rotas, quais os running back podem não procurar a bola a tempo - ou, agora que Cam Akers, running back titular dos Rams, perderá a temporada com uma ruptura no tendão de Aquiles, e o substituto terá que “pegar o bonde andando” e cometendo erros ao longo do caminho. Os quarterbacks têm que pensar em todas as maneiras como uma jogada pode falhar antes de ser bem sucedida. Muitas vezes os deixa com uma verdadeira opção em qualquer jogada e eles têm que encontrar uma maneira de usar seus olhos, pés e talento para acionar o recebedor. É por isso que as equipes da NFL sempre vão buscar os quarterbacks nas universidades. É impossível saber quem pode resolver problemas nesse nível e nessa velocidade - e ainda fazer o arremesso, nos jogos mais críticos, contra os planos de jogo de Bill Belichick, Pete Carroll, Mike Tomlin e Todd Bowles, que conhecem melhor as fraquezas do ataque adversário do que o quarterback e já inventaram maneiras de fazê-lo entrar em pânico por uma fração de segundo, tempo suficiente para arruinar uma jogada.

Stafford tem o tipo de braço milagroso que lhe permitiu resolver problemas em alto nível - a maior parte na temporada regular. Chad Hall, o treinador dos Bills, que jogou como wideout na liga e é cunhado de Stafford, pegou passes de Michael Vick e Colin Kaepernick, mas quando ele pegou para Stafford, ele ficou maravilhado como nunca viu uma bola ter uma qualidade tão metafísica, uma espiral tão plana e reta que “gira em torno de si mesma”. Todas as coisas pelas quais Mahomes é engrandecido atualmente - realizando lançamentos inacreditáveis, deslocar os ângulos dos braços para explorar a situação e as circunstâncias, os movimentos de pulso de 40 jardas, a indiferença casual para fazer passes - Stafford vem fazendo há anos, apenas em um palco menor.

Enquanto conversam, Kupp termina de autografar a pilha de fotos na sua frente. “Olha isso”, diz ele para Stafford. “Eu já te alcancei”.

Stafford recorre a Kupp, depois dá uma olhada e olha para a jogada tradicional de Kupp.

“Com o que estamos trabalhando?”, diz ele. “Linha C, linha K?”

Ambos olham para o autógrafo do Kupp. É de fato C_____ K___. Kupp parece culpado, como se tivesse sido pego pegando atalhos.

“Clássica”, diz Stafford. “Clássica jogada de um receiver”.

"É por isso que estou te alcançando", diz Kupp. “Você ficou muito chique”.

“Estou apenas tentando deixar as crianças lerem”, diz Stafford. Ele leva estas coisas a sério. Quando ele suspeita que alguém está roubando seu autógrafo, ele rabisca algo ilegível, um prato de esparguete de letras. Mas quando é para uma criança ou um verdadeiro fã, ele escreve em cursivo seu nome inteiro de 15 letras, fechando com seu número 9.

“Você não dá a mínima para as crianças”, diz Stafford a Kupp.

“Ha”, diz Kupp.

“Pra moda millennial, você dá importância”, diz Stafford.

AGORA NA terceira hora de assinatura, Stafford está ganhando velocidade. Os funcionários o cercam em uma espécie de linha de montagem para colocar itens menores - minicapacetes, cartões, bilhetes de jogo - na frente dele e depois em uma caixa. É tranquilo e eficiente. Sua conversa com Kupp se volta para a Manning Passing Academy, o acampamento anual de quarterback em Louisiana que ambos compareceram como conselheiros. Duas lembranças se destacam para Stafford. Uma, os Mannings o levaram para um bar, fazendo ele “se sentir ótimo” e “suando você-sabe-o-quê” na manhã seguinte com uma forte ressaca, diz ele sarcasticamente. Dois, Stafford uma vez treinou crianças numa simulação de passes, e dois deles colidiram, lançando um dente pelo ar que mais parecia um cometa.

Kupp conta uma história diferente de sua visita à MPA. Uma manhã, diz ele, Peyton e Eli levaram todos os receivers para uma sala de aula e deixaram que eles perguntassem o que quisessem. Sinais, rotas, as vantagens ocultas que só os imortais veem e exploram, qualquer coisa.

Stafford olha para cima, de repente prestando mais atenção. Qualquer insight nos Mannings é ouro, mesmo que seja de segunda mão e envelhecido. Como já dissemos: Quarterbacks, cara.

Kupp diz que Peyton se aprofundou na forma como organizava as práticas da red zone, como corrigiria os erros. Quando Manning recebia treinos durante a offseason com receivers, eles trabalhavam em apenas três rotas por dia. Eles faziam essas três rotas 10, 20, 30, até 60 vezes cada sessão, contra diferentes coberturas, diferentes variações de coberturas - até que fossem perfeitas.

“Um dos melhores momentos”, diz Kupp.

“Sim, muito legal”, diz Stafford.

Stafford e Kupp acabam aplicando alguns desses princípios ao seu próprio trabalho, discutindo as rotas que os Rams percorrerão na red zone quando for third-and-goal da linha de 7 jardas. É uma descida e distância complicada: muito longe para correr, mas difícil de ser percorrida por janelas pequenas de oportunidade. Stafford quer apresentar mais algumas opções de rotas. Ele começa a soltar ideias com Kupp, mas depois olha para mim.

“Você não pode escrever isto”, diz ele.

Stafford vê minha irritação. Ele sente muito, mas não lamenta. Ele não está tentando ser um “estraga prazeres”. Em sua carreira, ele não tem medo de falar o que pensa sobre questões mais importantes. No ano passado, nos meses após o assassinato de George Floyd, ele escreveu um artigo do Players' Tribune intitulado: "We Can't Just Stick to Football" (Não podemos ficar apenas no futebol). Ele descreveu dois momentos em que ele estava praticando com receivers em um parque na região de Atlanta, no verão de 2020. Quando era apenas ele mesmo e o receiver Danny Amendola - dois homens brancos - ninguém se importava. Quando era Stafford e quatro companheiros de equipe negros, alguém lhes disse que estavam invadindo a casa e chamou a polícia. Stafford ficou furioso e envergonhado - e culpado, como uma pessoa de privilégios mais inerentes do que havia percebido - e colocou tudo em palavras, sem medo de irritar fãs e patrocinadores.

Mas com coisas internas do futebol, Stafford não vai compartilhar muito. Ele sente que não pode arriscar. Uma das coisas que os anos de derrotas fazem com você - uma das coisas que os Lions fazem com você - é que você aprende todas as maneiras pelas quais um jogo de futebol pode dar errado. Ele tem sido tão feliz com os Rams, tão rejuvenescido, que talvez, diz Kelly, “ele olha para trás e pensa que estava mentindo para si mesmo” sobre acreditar que poderia vencer em Detroit. “Esta é a pressão que ele quer”, diz ela. “Em Michigan, ele não podia estragar tudo”. Agora, ele está cercado por um time de verdade - no papel, pelo menos.

Sugiro a Stafford que, se os Rams ganharem o Super Bowl, talvez seja hora de relaxar. Talvez então ele finalmente nos fale sobre Detroit? Ou nos dizer que ele acredita ter sido o melhor quarterback da liga o tempo todo? Ou realmente enlouquecer e confessar uma ou duas palavras secretas?

“Talvez você não consiga me encontrar”, diz ele.

Não, realmente: O que você vai fazer se ganhar o Super Bowl?

“Jogar meu telefone no mar”, diz ele.

UM DIA DEPOIS de autografar as lembranças, Stafford está no SoFi Stadium, palco do Super Bowl LVI, em fevereiro, antes do time sediar um treino aberto para os torcedores. O apresentador Kevin Frazier apresenta Stafford, que entra fora de uma área exclusiva e de luxo no campo. Stafford se senta no palco, com um capuz e calças, enquanto McVay anda pelo campo. Em seguida, ele senta ao lado de Stafford.

“Eu não consigo nem mesmo seguir minha própria regra”, diz McVay timidamente. “Seja pontual”.

Isso provoca uma risada na plateia. O evento não só dá a Stafford e McVay a oportunidade de ver os fãs pela primeira vez após um ano, mas também os força a enfrentar as expectativas. Uma coisa é ouvir um apresentador de rádio falar sobre as expectativas de Super Bowl ou ler uma manchete sobre isso resumidamente. Outra coisa é ter que discutir isso diante de uma multidão de torcedores. Em certo momento, Stafford diz que ele tem tido “sorte de fazer parte de algumas grandes equipes” em sua carreira. Mas o fato é que ele não tem feito parte de grandes equipes. Nem uma. Se Stafford não estivesse em uma grande equipe até o final de sua carreira em L.A. - se ele não for a peça que falta para os Rams - isso será um reflexo tanto de si mesmo quanto de seu treinador.

“Traga os anéis, cara”, diz Frazier. “Nós queremos eles, entendeu?”

McVay e Stafford sorriem, olham para baixo e depois voltam para cima. Nenhum dos dois diz nada. Não há nada a dizer. Há apenas a temporada que se aproxima. Logo o evento termina. A equipe começa a desmontar o palco. A multidão se dissipa. A música acaba. As cadeiras são dobradas. As mídias vão embora. Stafford e McVay caminham sozinhos pelo meio-campo, apenas os dois, ambos com uma pergunta e ambos esperando que tenham encontrado a resposta.