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O oposto de Trevor Lawrence: a mágica conexão entre a primeira escolha do Draft da NFL e seu irmão

Não havia nenhum crânio disponível, então Trevor Lawrence pegou uma fruta em seu lugar.

Em julho de 2019, meses depois de liderar Clemson à final do futebol americano universitário, Lawrence foi bajulado por seu irmão mais velho, Chase, e sua cunhada, Brooke, a assumir o papel de modelo para uma série de pinturas a óleo que os dois se comprometeram a fazer. Trevor, primeira escolha do Draft, agora tem 21 anos, é uma promessa que atrai todos os olhares desde sua adolescência e tem como base sua relação única com Chase, um artista pensador e bem-sucedido que, para o mundo, parece ser o oposto de Trevor.

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“Mas eles são melhores amigos”, garante Brooke.

E quando Chase, quase cinco anos mais velho, explicou a pintura com tema religioso e escura que imaginou de um monge encarando um crânio e pediu a ajuda de seu irmão, Trevor fez questão de vestir a roupa do monge, mesmo depois de saber que a pintura seria para um colecionador que torce para Georgia, rival de sua faculdade.

Os irmãos montaram um cenário na cozinha da casa dos pais. Trevor cobriu o rosto até que as sombras ficassem sobre seu queixo. E quando ele pegou a fruta/crânio, a mãe dos dois entrou na casa, congelando com a cena bizarra.

“Vocês estão fazendo algum tipo de ritual estranho?”, perguntou Amanda Lawrence, fazendo todos caírem na risada.

“Foi hilário, parecia coisa de série de comédia”, disse Brooke. “A cena perfeita de se ver. Chase fazendo algo estranho, e Trevor lá, do seu lado. Não sei como eles têm tanto talento na família, como atletas ou artistas, mas é bonito ver como são unidos e como isso ajuda Trevor e Chase a terem tanto sucesso.”

Especialmente quando trabalham juntos.


Em janeiro, depois de terminar sua carreira universitária com 34 vitórias e 2 derrotas e sendo considerado uma das maiores promessas da história do Draft, Trevor confirmou que iria para o recrutamento e contratou um empresário. Uma de suas primeiras decisões como profissional foi de seguir duas tendências: a recente explosão no mercado de cards de jogadores e o crescimento do número de jovens jogadores que exigem um agenciamento mais próximo. Trevor assinou um acordo com a Topps, famosa marca de cards, para produzir um kit com 50 ítens - 20 criados por Chase e Brooke. Algo inédito para um calouro da NFL e para a Topps.

“Estou empolgado”, disse Trevor. “Chase e Brooke são artistas extremamente talentosos, vai ser especial.”

“O interessante seria que nós poderíamos trabalhar juntos em algo que nós dois gostamos, algo que o empresário disse nunca ter acontecido antes”, comentou Chase.

“Eu era criança, e o Trevor sempre foi bom nos esportes. Nós sabíamos que ele conseguiria algo desde que estava na escola. Toda minha família gosta muito de esportes, mas, na época, eu pouco me importava.”

Chase e Brooke teriam muito trabalho no projeto da Topps, com menos de dois meses para criar 20 cards originais. Mas se faltava a Trevor alguma coragem criativa, ela estava sentada logo atrás dele no dia 5 de janeiro, durante a entrega remota do Troféu Heisman. Trevor terminou em segundo na votação, mas foi o terno de Chase que venceu o dia no Twitter.

“Quando eles eram mais novos, estávamos preocupados se eles seriam próximos por causa da diferença de idade e por serem tão distintos”, explica a mãe Amanda. “Mas eles nunca estiveram tão próximos, e isso só cresceu nos últimos seis anos.”


Apesar de não ser do mesmo nível que seu visual na entrega do Heisman, Chase se senta na grande varanda de sua nova casa perto de Williamston, Carolina do Sul, com seu cabelo preso. Ele usa botas, meias camufladas, alguns colares, um cinto de couro e uma camisa tie-dye roxa com uma carta de tarot que mostra O Louco.

Eles acabaram de se mudar para a casa, que era do médico da cidade e que tratava seus pacientes no quarto do andar de baixo. Há um clima fresco natural e um celeiro antigo de dois andares logo atrás da casa. O fato de que os canos abaixo da casa estavam cheios de algo que parece ser cabelo humano assusta a todos, exceto por Chase que, claro, acha isso incrível.

Em um mundo de futebol americano cheio de gritos, críticas e pressão, Chase é algo diferente. Na tarde de conversa, ele fala sobre tópicos desde ateísmo, seu trabalho com pessoas em situação de rua na cidade, Atari, Monet, dragões e até restaurantes famosos da região.

Ter Chase como seu irmão mais velho faz com que Trevor seja equipado com o fator mais importante para um franchise quarterback: casca grossa e total indiferença com os haters.

"Não nos importamos com o que as outras pessoas pensam”, diz Chase. “Nunca dei a mínima para isso. Não vou sacrificar minha felicidade e outras coisas ótimas que posso fazer na minha vida para me preocupar com o que os outros pensam.”

Antes do Draft, Trevor deixou fãs e analistas malucos em uma entrevista para a Sports Illustrated quando disse que, na vida, há mais do que futebol americano e Super Bowls. Mas se você está se perguntando sobre como Trevor reagiu aos comentários sobre seu caminho até a NFL, pense duas vezes.

“Sou motivado internamente. Amo o esporte mais do que qualquer um. Mas não preciso do futebol americano para me sentir importante como pessoa”, explicou no Twitter.

Entre o projeto da Topps e o casamento de Trevor em 10 de abril, com Chase de padrinho, ele e Brooke tiveram pouco tempo na casa nova. No caos da mudança, Chase pode esquecer até onde estão os cães da família, mas sempre vai saber a localização exata das pinturas que salvaria de um incêndio.

“Falamos sobre muitas coisas o tempo todo”, diz Chase sobre a relação com Trevor. “Esse é outro motivo para nos darmos tão bem, temos interesses em comum.”

Quatro dias antes do casamento, mesmo que Chase ainda seja novo em sua própria casa, quando o assunto é o Trevor, o irmão mais velho fala como se estivesse vivendo neste lugar por toda a vida.

Apesar de tudo que é investido na posição mais importante dos esportes, não há uma fórmula mágica para saber como um QB universitário - mesmo que tenha 1,98m, 100kg e pensamento rápido como Trevor - irá reagir à velocidade, violência e expectativas impossíveis da NFL.

Mas há um denominador comum entre os que sobrevivem aos domingos: um forte grupo de família e amigos que dão suporte e perspectiva dentro da realidade alternativa dos esportes profissionais.

E escutando Chase, Trevor parece ter muito disso.

“A grande diferença está apenas na vocação. Fora isso, somos muito parecidos”, diz Chase. “Mesmo senso de humor, mesmas brincadeiras, mesma personalidade. Ele também é muito criativo, e nós dois buscamos solucionar problemas. Sempre estamos atrás, não importa se vamos escutar algo que não queremos. E discordamos de muitas coisas como fé, religião e dogma, mas concordamos em mais coisas ainda. Ele é novo, ainda está descobrindo as coisas.”

Eventualmente, Chase olha o celular e vê que uma das peças que comprou já pode ser retirada.

Chase ainda está ensaiando seu discurso de padrinho, um que alguns convidados dizem que será uma lição “doce e profunda” sobre criar um equilíbrio na vida e no casamento - e, talvez, em uma franquia de NFL.

“O mundo é temporal. Você pode estar no topo da montanha um dia, mas as pessoas podem se virar contra você no próximo”, diz Amanda. “Com tudo isso, é bom que ele possa ser ele mesmo com o Chase, alguém que não se importa com o fato de que ele é uma celebridade.”

Antes de pegar sua caminhonete alugada, pedimos que o Chase imagine um cenário daqui muitos anos, em que ele e Brooke estão em uma galeria de arte de Nova York cheia de suas obras e de seus fãs, e Trevor, que acabou de chegar de um jogo de playoff dos Jacksonville Jaguars, está caminhando no relativo anonimato, sendo perguntado pelo público das artes sobre o que faz da vida.

A ideia faz Chase cair na risada enquanto ele desce da varanda.

“Ah, cara”, diz Chase. “O Trevor amaria muito isso.”