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Raiders em êxtase por finalmente inaugurarem o Allegiant Stadium, a 'Estrela da Morte'

LAS VEGAS - Enquanto Mark Davis comandava a cena - jogadores reunidos, treinadores e membros da comissão espalhados pela grama natural, com os ouvidos atentos - o proprietário do Las Vegas Raiders pegou o microfone.

A peça central do estádio de US $ 1,9 bilhão, 65.000 lugares, moderno e com teto translúcido pairava sobre seu ombro: a imponente Al Davis Memorial Torch de quase 30 metros, com portas deslizantes na parte de trás que se abrem para o Las Vegas Strip.

Claro, os Raiders tinham seu tão sonhado palácio. É um oásis do futebol americano, da NFL. Mas o mundo real se intrometeu no sonho dos Raiders, com uma pandemia devastadora que, além das perdas de vidas e da estabilidade econômica, custou aos torcedores do time a sua primeira temporada jogando na nova casa.

Davis leu uma declaração naquele 21 de agosto, quando os Raiders invadiram seu novo quintal para um treinamento, chamando-o de seu campo de sonhos e lembrando-os do legado que eles representavam e da importância de trabalho em equipe.

“Bem-vindo", disse Davis, "à Estrela da Morte, onde os sonhos de nossos oponentes morrem”.

Quase três semanas depois, em uma entrevista com a ESPN, Davis foi lembrado de que as Estrelas da Morte da franquia Star Wars foram destruídas - não uma, mas duas vezes. Ele riu.

“Sim”, diz Davis. “Aquela foi a Estrela da Morte deles. A nossa foi feita para ficar”.


Um tanto quanto diferente

Agora, é péssimo falar mal dos que já partiram, e o treinador dos Raiders, Jon Gruden, respeitou a mais recente casa dos Raiders, o Oakland Coliseum, e sua constante batalha com problemas de esgoto. Uma vez, um rato morto foi encontrado na dispensa de bebidas destinada a imprensa.

Claro, era um depósito de lixo, mas era o depósito deles. Também era o único estádio remanescente a abrigar times da NFL e MLB. Quem pode esquecer Randy Moss, essencialmente, recusando-se a percorrer rotas pela parte sem grama em agosto e setembro e, se o Athletics chegassem aos playoffs, outubro? Ou tentativas de FG de rotina se transformando em aventuras selvagens com chutes tortos?

"Eu recebi caras de outras equipes que disseram, 'Isso é um pouco medíocre'", disse o running back Jalen Richard.

Ainda assim, o Coliseu viu alguns dos momentos mais memoráveis da história da NFL e da franquia, do Heidi Game ao wild card da AFC em 1980, do jogo título da AFC de 2002 até a despedida na última temporada, quando os torcedores encheram uma das end zones de lixo.

E o Allegiant Stadium, você pergunta?

"As luzes brilhantes, a grama natural, em um estádio fechado..." Gruden delirou. "Tem tudo que você pode imaginar e mal posso esperar para compartilhar com nossos torcedores. Como eu disse, pessoas ao redor do mundo, artistas, estarão aqui. É o lugar mais legal que eu já vi.

"[Os jogadores] ficaram impressionados. Eles ficaram muito animados em ver seus armários, etc. É muito diferente da Alameda. Não quero desrespeitar o estádio antigo, mas é muito diferente”.

Uma das partes preferidas de Gruden é o caminho até o estádio, que passa pelos resorts Excalibur, Luxor e Mandalay Bay.

“E depois que você entra, não vai acreditar no vestiário...”

Nem no campo.

Davis mostrou ao Arizona Cardinals a ideia de fazer com o gramado o que fazem em Glendale, Arizona, (UNLV jogará em uma superfície de grama artificial quando os Rebels forem liberados para jogar).

A tocha e o salão? Elas foram inspiradas no estilo de outra das antigas casas dos Raiders, o Los Angeles Memorial Coliseum, onde Davis passou um tempo pela primeira vez aos 3 anos de idade, quando seu pai era assistente de USC. Os Raiders estiveram em Los Angeles de 1982 a 1994.

"É um ano de transição ", disse Davis, que não só vai ficar longe dos jogos em casa porque os torcedores não estarão presentes, mas também não tem certeza se acenderá a tocha memorial para os jogos nesta temporada. Os Raiders estreiam em casa no Monday Night Football contra o New Orleans Saints.

"Com os problemas de saúde e tudo que está acontecendo no mundo", disse Davis, "não tenho certeza se é hora de comemorar”.

Os torcedores, que ajudaram a pagar a construção como cortesia de um imposto de hotelaria de US $ 750 milhões, podem ter a chance de ver o interior do estádio antes da próxima temporada, já que o time espera usá-lo como local de votação no dia das eleições.


'Confluência da história dos Raiders de Las Vegas'

Carl Nassib não é apenas novo para os Raiders como um agente livre. O defensive end também não conhecia Sin City.

"Las Vegas é ótimo. As pessoas são muito legais", disse ele. "Não sei o que se passa com os motoristas aqui, mas tenho de ser como Vin Diesel em ‘Velozes e Furiosos’ apenas para me manter vivo. Não sei. São os motoristas mais loucos que já vi na vida”.

Não há homenagens a Diesel aqui. Mas há, como disse Davis, "uma confluência da história dos Raiders e de Las Vegas se encontrando no estádio", que fica na esquina da apropriadamente chamada Dean Martin Drive com a Al Davis Way.

É por isso que há obras de arte de ícones de Vegas como Rat Pack, Elvis, Marilyn Monroe e Evel Knievel. Tem até um Frank Sinatra vestido de Gruden na linha lateral. Além disso, há uma homenagem à vizinha Área 51: uma pintura de um alienígena vestindo uma camisa dos Raiders.

Os Raiders contrataram o artista local Michael Godard para supervisionar o planejamento e a execução das obras de arte do estádio.

Um mural contendo gerações de grandes Raiders, como Bo Jackson, Greg Townsend, Lester Hayes, Charles Woodson, Rod Martin, Ted Hendricks, Rich Gannon, Jim Plunkett, Jack Tatum, Howie Long, Ken Stabler, Mike Haynes, Todd Christensen, Willie Brown, Tom Flores, Gruden e Al Davis no melhor estilo do livro “Onde está Wally?”. É impressionante.

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This #Raiders mural I came across leaving @allegiantstadium caught my eye.

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Depois, tem a aparência elegante do estádio, com janelas pretas adornando o edifício e luzes brancas, quase neon, circundando o prédio. Embora os críticos tenham dito que se parece com um aspirador gigante, Richard disse que espelhava uma "bela limusine ou um Hummer escuro".

Dentro?

"É simplesmente lindo", disse Richard. "Eu dei uma volta e vi a pequena área de festa, as bebidas. Caminhei pelos camarotes também. Tudo está perfeito. Eu estou animado”.

"Foster [Moreau] e eu, nós ... pensamos que seria muito divertido fazer um spike com a bola, ver onde vai parar e sair correndo como loucos", disse o fullback Alec Ingold. "Ele faz uns spikes maravilhosos. Tenho certeza de que vocês verão alguns este ano”.

Green Bay tem o Lambeau Lip. Vegas tem o Sin City Spike.

"Não quero ser chato, mas certamente é um upgrade", disse Moreau. "Definitivamente uma melhora porque temos controle da temperatura, temos um monte de coisas diferentes e é lindo lá. Todo mundo adorou. A grama é fenomenal, algo que todos nós queríamos muito ver como ia ficar. E está linda”.

Davis disse que Nevada, o Silver State, agora é o Silver and Black State, completo com um estádio imponente.

Tudo isso tem um sentimento provoca um sentimento em Davis. Meio agridoce.

“É incrível quando você pensa sobre isso”, disse Davis. “Dissemos a Las Vegas há mais de quatro anos: ‘Nos ajude a construir [o estádio] e nós iremos’. E hoje estamos aqui”.