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NFL: como os Dolphins tentam evitar o caos que aconteceu nos Marlins em Miami

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Quarterback dos Jaguars na NFL revela teste negativo para COVID-19 de forma bizarra: 'Vírus me olhou e saiu correndo' (0:22)

Gardner Minshew ficou de fora do primeiro dia de treinos da equipe, mas já esteve presente no segundo (0:22)

O OT Jesse Davis pode sentir o medo em alguns de seus companheiros de Miami Dolphins. O medo de contrair o coronavírus e o impacto desconhecido que ele pode ter em cada indivíduo perduram pelas instalações dos Dolphins enquanto a equipe se prepara para a temporada de 2020 da NFL.

"O medo surge quando começamos a falar mais sobre isso", disse Davis. "O medo existe, mas você não consegue vê-lo no rosto ou na linguagem corporal de alguém”.

Enquanto a NFL tenta iniciar e terminar uma temporada, os Dolphins elaboraram um plano detalhado e abrangente de como lidar com a pandemia, na esperança de aliviar esses medos e maximizar a segurança dos jogadores. Localizada no sul da Flórida – epicentro da pandemia nos Estados Unidos - a franquia priorizou a criação de um ambiente com ênfase em segurança e tecnologia para que os funcionários se sintam confortáveis.

As análises iniciais são extremamente positivas - treinadores e jogadores ficaram impressionados com os procedimentos em vigor nos Dolphins. Eles esperam que não sofram com o que aconteceu com o Miami Marlins, da MLB, que teve diversos jogadores testando positivo nas últimas semanas.

"No momento, todos estão sendo testados todos os dias. Eu posso entrar aqui e me sentir seguro ", disse Ryan Fitzpatrick, quarterback dos Dolphins.

A instalação de treinamentos dos Dolphins foi transformada. Eles criaram um segundo vestiário, ambos com acrílico separando um do outro. Foi adicionada, também, uma sala de musculação dentro da bolha e mais áreas para que os jogadores tomem banho, a fim de fornecer espaço e ajudar a limitar o número de pessoas. Existe um serviço de alimentação modificado (sem self-service) e lugares que respeitam as diretrizes de distanciamento social. A equipe também dobrou o tamanho e a frequência da equipe de limpeza da instalação.

Os Dolphins também trouxeram um especialista em doenças infecciosas da Baptist Health Clinic para trabalhar com o seu próprio encarregado do controle de infecções designado pela NFL, o vice-presidente Brandon Shore. Essas adições, juntamente com outros protocolos da NFL e do Centro de Controle de Doenças, fazem com que os Dolphins se sintam bem com suas medidas de segurança, desde que seus jogadores, treinadores e funcionários em geral façam sua parte.

"Tentamos criar um ambiente o mais seguro possível", disse Brian Flores, técnico dos Dolphins. "Minha mensagem aos jogadores foi sobre tomar boas decisões, sobre ser responsável. Eles terão que fazer alguns sacrifícios dentro e fora das instalações".

"Se formos para bares, restaurantes lotados e shows, a probabilidade de contrairmos o vírus e trazê-lo para as instalações dos Dolphins é muito alta. Se não fizermos essas coisas e ficarmos em quarentena em nossas casas ou hotéis, a probabilidade diminui significativamente".

Flores começou o treinamento enfatizando três temas centrais para seus jogadores: segurança, sacrifício e tomada de decisão.

"As pessoas tendem a esquecer que você também pode pegar a COVID-19 fora das instalações. Está em toda parte. Você precisa ser disciplinado como equipe. Você precisa entender que precisa responsabilizar a si e seus irmãos", disse Bobby McCain, safety dos Dolphins. “O que você trouxer para casa, você está trazendo para a sua família. Definitivamente, será preciso muita disciplina. O time mais disciplinado acabará sendo o mais saudável”.

Também no sul da Flórida, o surto dos Marlins forneceu um exemplo do que acontece quando as coisas dão errado. Pelo menos 21 membros do grupo de viagem do time da MLB, incluindo pelo menos 18 jogadores, testaram positivo em um período de uma semana. O CEO dos Marlins, Derek Jeter, culpou o surto de coronavírus da equipe por uma falsa sensação coletiva de segurança que fez os jogadores relaxarem.

"... Se você não está usando uma máscara e se distanciando e tomando as medidas necessárias, [o vírus] pode se espalhar rapidamente. Acho que isso ficou evidente com os Marlins, e acho que é apenas uma oportunidade para todos nós aprendermos”, disse Flores. "Temos que aprender com essa situação e levar a sério o uso da máscara e o distanciamento social. E se você tiver sintomas, precisa falar”.

Os Dolphins têm planos de emergência, que se tornaram mais realistas depois de saber que o técnico do Philadelphia Eagles, Doug Pederson, testou positivo para a COVID-19. Miami criou um gráfico detalhado no qual treinadores e membros da equipe de treinamento têm diversos “reservas” caso precisem se afastar do trabalho por um tempo”.

Flores não tem um treinador assistente oficial, mas o coordenador ofensivo Chan Gailey, o técnico de running backs Eric Studesville, o técnico de tight ends George Godsey e o coordenador dos especialistas Danny Crossman seriam os principais candidatos a assumir os Dolphins caso Flores precisasse ficar em casa. Os Dolphins também estão treinando mais os jogadores em posições parecidas para prepará-los para situações de emergência. Por exemplo, Davis, que deve ser titular como right guard ou right tackle nesta temporada, treinou como center.

Sejam os planos de contingência, um vestiário espaçoso ou o uso de máscaras, os Dolphins esperam que seu foco possa permanecer na fala de Flores, que se concentra na prevenção e não na reação.