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NFL: Como Taysom Hill quer ser herdeiro de Drew Brees no New Orleans Saints

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Paulo Antunes destaca as melhores 'barganhas' da free agency da NFL (1:25)

Veja o vídeo completo no WatchESPN (1:25)

New Orleans tem um problema a menos nessa offseason após Drew Brees confirmar que fica no comando do ataque dos Saints por, pelo menos, mais uma temporada. Os três quarterbacks da equipe tinham seus contratos encerrados após a temporada de 2019 e a franquia precisava de uma estratégia para manter um dos melhores corpos de QB da liga.

Isso porque todos eles tiveram desempenhos ótimos na temporada anterior. Brees fez mais um ano recheado de recordes; Teddy Bridgewater o subsitituiu com êxito quando o titular precisou passar por uma cirurgia do polegar; e, não menos importante, Taysom Hill só conquistou mais espaço em todas as suas responsabilidades, tanto como QB, quanto como em qualquer lugar do ataque ou dos times especiais.

Hill, um dos jogadores mais empolgantes de se assistir na NFL moderna, ainda chegou a dizer que esperava ser um ‘quarterback de franquia’ nessa offseason, ou seja, um titular a longo termo, e não descartou que isso poderia acontecer fora de Lousiana. No entanto, após o ‘fico’ de Brees, Hill afirmou que pode esperar mais um ano por uma chance como titular.

“Acho que estar atrás dele por três anos tem sido a melhor coisa para a minha carreira, e se eu tiver outro ano para aprender com ele, só fará de mim um jogador melhor”.

E essa paciência é de se apreciar, afinal, mesmo com apenas três temporadas disputadas na liga, Hill já não é mais um garoto. Por vários motivos, o quarterback de 29 anos demorou muito para provar sua capacidade.

Estrela local e missionário

Nascido e criado em Pocatello, no estado de Idaho, Hill ingressou no colégio Highland e se destacou na parte física. Além de futebol americano, jogava basquete e competia no atletismo em alto nível. Na pista, corria 200 metros rasos e saltava a distância, nesta última modalidade, chegou a ganhar a medalha de ouro na competição de atletismo do estado, em 2009.

No mesmo ano, seu último na escola, teve grandes atuações como quarterback dos Rams, coroando-o como o melhor jogador do estado, da região e da conferência; melhor jogador de high school da Gatorade e membro do time ideal do estado.

Claro que o sucesso lhe garantiu muitas ofertas de bolsas para defender o time de algumas das maiores universidades dos Estados Unidos. A escolhida por Hill foi Stanford, mas o jogador nem chegou a colocar o uniforme da equipe.

Antes de ingressar de fato na universidade, Hill decidiu se tornar missionário da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias aos 20 anos. Desta forma, passou dois anos de sua vida cumprindo sua missão religiosa em Sydney, na Austrália.

Mais tarde, o quarterback exaltou o quanto a missão mórmon o deixou “mais maduro”, em especial, quando precisou lidar com os problemas que teve no College.

De volta aos gramados

Como Stanford não ingressava ninguém no seu time antes de junho de 2012, ano em que Hill voltou de sua missão (em janeiro), o QB escolheu a Universidade Brigham Young, mais conhecida como BYU.

Como faz nos Saints hoje em dia, Hill era reserva como quarterback em seu primeiro ano, mas entrava em situações especiais, por conta de seu porte físico absurdo. Sua primeira jogada como universitário, por observação, foi um touchdown de 18 jardas contra Washington State. Mas logo após seis jogos, uma lesão acabou com sua temporada.

Seu retorno, em 2013, veio com a titularidade. Foi um ano que só reforçou sua fama de quarterback móvel, além disso, foi a temporada que rendeu mais jardas aéreas (2938) e touchdowns (19) na sua carreira universitária.

No ano seguinte, quando estava invicto com seu time, sofreu nova lesão. Uma fratura na perna contra Utah State o tirou do restante da temporada mais uma vez. Voltou a campo em 2015 e se machucou de novo no primeiro jogo da temporada.

Por conta dos vários jogos perdidos por lesão, Hill conquistou a camisa vermelha médica para poder disputar outro ano no college e, para variar, se machucou no final da temporada de 2016.

Se recusando a desistir após tantas lesões diferentes (e graves), o atleta se lembrou da fase missionária da sua vida para encontrar forças.

“Se eu posso fazer na missão, eu posso em casa, dentro e fora do campo”, disse o jogador em entrevista ao jornal Deseret News, de Utah. “É a mesma coisa no retorno da missão e da lesão. Pelo mais duro que seja a recuperação, a pior parte era você ser parte de algo grande e, de repente, não ser nada. Admito que isso foi difícil.”

Finalmente NFL

Mesmo surpreendendo no Combine, o histórico de lesões pesou e nenhuma equipe escolheu Hill no Draft da NFL de 2017.

Como agente livre, aceitou uma proposta do Green Bay Packers e chegou a atuar na pré-temporada daquele ano, mas o time o liberou antes do início da temporada.

Isso marcou o início de sua história com o New Orleans Saints, que no dia seguinte à sua liberação, o ofereceu um contrato. Sua estreia demorou para acontecer, mas animou muita gente. Em 3 de dezembro jogou 12 snaps nos times especiais, incluindo dois tackles no retornador adversário.

Daí para frente, seu entrosamento com Sean Peyton só melhorou, de forma que o treinador dos Saints lhe deu diversas oportunidades também no ataque, onde já atuou como quarterback, wide reveiver, tight end, fullback e running back.

Por isso, hoje é difícil intitular Hill como quarterback, já que este se tornou um verdadeiro coringa na manga de Peyton, que soube utilizá-lo da maneira certa.

E é provável que a Whodat Nation, torcida dos Saints, veja essa ‘pirotecnia’ ofensiva em pelo menos mais uma temporada, com Hill atrás de Brees e Bridgewater, pelo que indica, em outra equipe.