Power Ranger e Tira no Jardim de Infância: os motivos para se apaixonar pelo calouro do Miami Dolphins

Ele é o Power Ranger branco, mas também faz as vezes de Arnold Schwarzenegger no filme “Um Tira no Jardim de Infância”. Agora, vai mostrar seus poderes na linha defensiva do Miami Dolphins.

Christian Wilkins é um defensive tackle de 1,91 m e 143 kg, recrutado como o 13º jogador do último draft. Duas vezes campeão nacional na Universidade de Clemson, ele deixou claro seu espírito bem-humorado ao pular para trombar com Roger Goodell, comissário da NFL, ao ser draftado.

“Christian está sempre se divertindo. Ele é uma peça rara. É aquela pessoa em um milhão que acontece de ser boa no futebol americano. Ele aproveita o jogo, não deixa o jogo se aproveitar dele. Miami vai amá-lo”, garantiu seu ex-treinador Dabo Swinney.

Aos 23 anos, Wilkins lida de uma forma diferente com o luto pela perda trágica do avô: ele dança, canta, cozinha, faz piadas, dá mortais de costas, é dedicado nos estudos, atua como professor substituto e ainda tem coragem de sobra para colocar o dedo babado no ouvido do treinador em rede nacional após a conquista do título universitário. E é “pão duro”.

“Eu sou completamente feliz por ser quem sou. Tem muita gente que passa a vida tentando ser outra pessoa. Com as redes sociais, todo mundo quer uma gratificação instantânea. Todos querem ser este ou aquele. Todo mundo quer ter um certo número de seguidores ou curtida. Eu prefiro ter 10 seguidores sendo eu mesmo do que um milhão sendo um personagem”, disse Wilkins.

E o calouro tem tudo para conquistar milhões de seguidores no sul da Flórida, mesmo com a grande concorrência de astros do esporte e personalidades que a representam.

“Vocês perderam D-Wade, então Miami vai precisar de alguém para ajudar a preencher esse espaço. Espero poder trabalhar neste sentido e Miami vai me amar como amou D-Wade”, disse.

Petulância? Bom, pode ser apenas uma confiança do que seu carisma é capaz.

Power Wilkins tem a força

“Talvez você se surpreenda por ele ser um piadista e um ‘ursinho de pelúcia’ fora do campo, mas eu nunca tive alguém mais apaixonado pelo que é preciso para ser ótimo do que Christian. Ele gosta de praticar e treinar, especialmente quando ninguém quer”, disse Swinney.

Wilkins é considerado um verdadeiro guerreiro dentro de campo, o que pode justificar o fato do jogador ter apelidado seus companheiros de linha defensiva como membros dos Powers Rangers – e todos se fantasiaram como tal na festa de Halloween de 2016.

Mas a inspiração para a personalidade não veio da TV, mas sim do avô. Eurie Stamps Sr., que foi a figura paterna do calouro dos Dolphins, morreu em 2011, quando foi surpreendido por uma batida da SWAT em seu apartamento enquanto assistia um jogo de basquete. A busca era por um afilhado e dois suspeitos de venderem drogas, mas Stamps foi atingido por um tiro de rifle enquanto estava deitado no chão.

De alguma forma, Wilkins evitou a raiva e o rancor, decidindo transformar sua dor em inspiração. Ele diz que seu principal objetivo é “permitir que o legado de seu avô viva através dele e suas ações”. E é por isso que ele sempre usou a camisa nº 42, o ano que Stamps nasceu.

Na NFL, Wilkins terá que escolher outro número, mas já avisou que vai continuar honrando o legado do avô enquanto conquista o coração de todos em Miami e no resto do mundo.

Um gigante no jardim da infância

“Eu me sinto como Arnold Schwarzenegger em ‘Um Tira no Jardim de Infância’. Eles caiam todos sobre mim. Estavam correndo em minha direção como ‘Mr. Wilkins, Mr. Wilkins’. E eu estava pensando ‘Cara, meu nome é Christian’. Eles se apegam a você rápido, e você se apega a eles e isso é incrível”, contou.

“Eu me junto muito às crianças pois acho que você precisa de uma criança para conhecer uma criança. Eu sou uma criança grande”, completou.

Uma enorme criança que em 2018 tomou conta, como professor substituto, de algumas dezenas de crianças entre quatro e cinco anos na James M. Brown Elementary, em Walhalla, na Carolina do Sul.

Educação sempre foi importante para Wilkins, que concluiu o bacharelado em comunicação em dois anos e meio, e seu mestrado em liderança atlética em apenas mais um – tudo em Clemson. Seu esforço lhe valeu o William V. Campbell Trophy, conhecido por ser o “Heisman acadêmico”.

No fim de sua passagem pela universidade, Wilkins conseguiu o certificado para atuar como professor substituto, seguindo as dicas dos irmãos que são professores. Ele viu a chance de unir o carinho com as crianças com a oportunidade de ganhar um dinheiro.

Não abre a mão nem para o bloqueio

Na semana do draft, Drew Gamere, que treinou Wilkins na época da escola, ouviu a lista feita pelo jogador das cidades que preferia evitar ter como destino, por conta das altas taxas de impostos. Se pudesse escolher, ele não queria ir para os times da Califórnia, Nova York/Nova Jersey e Minneapolis.

Antes de rir, Gamere notou que o assunto era sério, sendo uma questão mais importante que o clima, o tamanho da cidade ou a proximidade da família. E o Miami Dolphins foi um destino ainda mais comemorado.

O respeitado The Wall Street Journal como o “jogador mais frugal”, já que não faltavam histórias de como Wilkins se esforçava para economizar.

Na época de faculdade, além de morar nas casas do campus para evitar o aluguel, ele não tinha carro e frequentemente tomava banho, comia e saia das instalações tarde da noite para economizar nas contas do dia a dia. Até a cozinhar ele aprendeu para satisfazer sua maior paixão, a comida.

O mais novo de oito filhos de uma família humilde assinou, em maio, um contrato de quatro anos com US$ 15,44 milhões (R$ 58,09 milhões), sendo que quase US$ 10 milhões (R$ 37,62 milhões) serão pagos já nesta temporada. Mas não espere festa com o dinheiro.