Chegou a hora de Peyton Manning analisar o irmão mais novo. Mas ao invés de fazer bullying com Eli Manning, quarterback do New York Giants, Peyton afirmou que foi com o caçula em campo que viveu seu melhor momento na carreira de jogador.
O jogo analisado foi a vitória sobre o San Francisco 49ers, único jogo na temporada em que o 10 terminou com três passes para touchdown, completando 19 de 31 para 188 jardas.
Eli liderou o time para a campanha do touchdown da vitória no minuto final da partida, e este o momento que mais chamou atenção de Peyton. Foi a 36ª campanha para a vitória da carreira de Eli, a terceira maior marca da liga desde 2004.
A CAMPANHA DE DOIS MINUTOS
Peyton ficou especialmente impressionado com o que os Giants e seu irmão fez, percorrendo 75 jardas em nove jogadas para vencer o jogo. Mas isso não surpreendeu.
“Para fazer isso em dois Super Bowls, eu posso garantir que Eli não sente pressão nessas situações de desvantagem com dois minutos no relógio”, disse o jogador, lembrando das conquistas dos Giants contra o New England Patriots nas edições XLII e XLVI do Super Bowl.
Peyton disse que ver o irmão lançar para o touchdown da vitória no Super Bowl XLII foi o grande momento que viveu no futebol. “Pressão é o que você sente quando você não sabe o que está fazendo”, disse Peyton, citando uma frase famosa de Chuck Noll.
Nessa campanha, Manning elogiou uma jogada que rendeu 31 jardas para os Giants, na conexão com Evan Engram. O ex-jogador disse que jamais havia visto algo parecido, pois Engram parecia bloquear para uma corrida de Saquon Barkley, mas disparou em uma rota profunda e recebeu o passe.
Peyton também se encantou com o passe, a chamada e a rota de Barkley em outra jogada chave, de 23 jardas. Foi uma variação de uma jogada anterior em que Eli não conseguiu completar o passe para o running back. Mas desta vez, Eli acertou Barkley da forma que deveria.
“Que grande chamada aqui, no momento perfeito. Eu sei que foi um passe curto, e você vai dizer ‘Ah, ele está puxando o saco dele por que é irmão dele’, mas eu não ligo se fosse de Bob Avellini, Steve Fuller ou Casey Weldon fazendo esse passe, gente que não é parente. Foi um bom passe. Foi um passe com o braço de lado, deixando o defensor vendido”, disse.
“Se a bola fosse rebatida, ou o passe incompleto, isso ia deixar bravo. Então grande trabalho recuando, fazendo esse passe com pequena virada de braço para Barkley. Ele é um grande corredor de rotas. Ele sabe receber. Ele tem um pouco de Marshall Faulk nele”, completou.
SEGURANÇA E “SPOILER” DA TORCIDA
Depois dos Giants conseguirem forçar um turnover perto da end zone, Eli tenta transformar a oportunidade em pontos. Neste momento, Peyton elogia a postura do irmão dentro do pocket, começando pelo fato dele manter sempre as duas mãos na bola.
“Soa hipócrita eu falar isso, pois há diversos momentos em que eu fiquei com uma mão só na bola. Faz você parecer legal, principalmente quando dá certo. Mas há vários fumbles forçados quando você segura a bola com apenas uma das mãos”, disse.
Ao falar do trabalho de pés de Eli, que olhava para o fundo do campo em busca de um alvo, Peyton diz que o quarterback pode receber alertas de aproximação vindo das arquibancadas.
“Todos os torcedores reagem da mesma forma e quando eles veem um defensor livre indo em direção do quarterback eles fazer um ‘ah’, e isso ativa seu sexto sentido para desviar”, revelou.
NÃO QUESTIONE SUAS DECISÕES
Percebendo que a defesa está esperando um passe, Eli “mata” a jogada e troca para uma corrida. Com um guard inexperiente, contudo, o touchdown não acontece e o camisa 10 demonstra sua frustração.
Peyton então diz que muitas vezes o quarterback pensa se tomou a decisão correta ao mudar a jogada, se não era melhor ter mantido a chamada, e coisas do gênero. Porém, isso não deve acontecer, e o ex-jogador lembra do que Tony Dungy lhe dizia: “Se você mudou foi baseado no que trabalhou, então foi a decisão correta”.
FOI QUASE? REPITA
Em um dos passes para TD, conectando com Odell, Eli simplesmente repete a jogada que havia tentado no snap anterior: um passe em profundidade, buscando o recebedor no canto esquerdo da end zone.
“Não espere a próxima campanha, o próximo tempo, o próximo jogo. Volte àquela jogada imediatamente. Você nunca sabe quando as situações vão se repetir. Volte em seguida. Ficamos tão perto da outra vez, eu prometo que vamos acertar desta vez”, disse.
A repetição da chamada dá certo também graças à percepção de Eli que a secundaria dos 49ers estava confusa, com um safety posicionado de forma errada bem próximo da linha. O QB acelera o snap e a conexão sai com tranquilidade.
