Ainda era madrugada no Japão quando Davante Adams recebeu a primeira ligação de Sean McVay. Mesmo do outro lado do mundo, a mensagem do técnico do Los Angeles Rams foi direta e impossível de ignorar: “Nós te queremos em Los Angeles".
McVay não apenas falou — ele mostrou. Durante a conversa, enviou clipes com jogadas do próprio Adams, explicou como pretendia utilizá-lo no ataque e deixou claro que o recebedor seria peça central do sistema ofensivo. Não demorou para que Adams entendesse que aquele era exatamente o lugar onde “precisava estar”.

(Conteúdo oferecido por RAM, Snickers e C6 Bank)
Em março, o veterano assinou contrato de dois anos no valor de US$ 44 milhões (R$ 236 milhões) com os Rams, com impacto salarial de US$ 28 milhões (R$ 150 milhões) em 2026. Mais do que o dinheiro, Adams encontrou em Los Angeles algo que vinha buscando há temporadas: um quarterback confiável, um técnico em quem acredita e um ambiente propício para vencer.
“Precisava estar em um lugar onde pudesse ganhar, com um bom quarterback e um treinador que acreditasse em mim, onde eu pudesse ter sucesso e evoluir ainda mais”, explicou.
Essa combinação não existia para Adams nos últimos anos. Em 2022, após oito temporadas no Green Bay Packers, ele pediu troca em busca de um novo começo. Acreditou ter encontrado isso no Las Vegas Raiders, ao lado do amigo e ex-companheiro de faculdade Derek Carr, sob o comando de Josh McDaniels. A experiência não deu certo. Em 2024, tentou novo recomeço ao pedir troca para o New York Jets, reencontrando Aaron Rodgers. Mais uma vez, a frustração falou mais alto.
Já nos primeiros meses em Los Angeles, a sensação foi diferente.
“Não existe aquela ‘nuvem escura’ no ambiente”, disse Adams durante o programa de offseason dos Rams, em junho. “É uma diferença gritante quando você entra em um lugar como esse".
Seis meses depois, aos 33 anos, Adams colhe os frutos da escolha. Os Rams já venceram um jogo de playoffs e enfrentam o Chicago Bears neste sábado (17), pela rodada divisional. É a primeira vitória de Adams na pós-temporada desde 2020, ainda pelos Packers.
Questionado finalmente se encontrou o que procurava desde que deixou Green Bay, Adams não hesitou: “Vir para cá acabou sendo exatamente o que eu estava procurando esse tempo todo”, disse à ESPN.
Conexão imediata com McVay
Durante a visita para assinar contrato, Adams e McVay jantaram juntos no The Bird Streets Club, em West Hollywood. O encontro virou praticamente uma aula de futebol americano.
“Eram só dois nerds de futebol falando de Xs e Os”, contou Adams.
No meio da conversa sobre como criar separação na linha de scrimmage, o recebedor chegou a se levantar para demonstrar um movimento de saída. A cena chamou atenção de quem estava por perto.
“Não recebemos muitos olhares estranhos”, brincou McVay. “Acho que as pessoas pensaram: ‘isso aí é muito legal’".
McVay já admirava Adams há anos, muito por relatos de Matt LaFleur, técnico dos Packers e ex-coordenador ofensivo dos Rams. Mas foi durante o processo de recrutamento que percebeu o quanto os dois pensam parecido.
“Somos muito semelhantes em personalidade e competitividade”, afirmou o treinador. “Criamos uma relação especial, que só cresce".
Adams também se impressionou com a cultura construída por McVay em nove temporadas à frente da franquia, descrita por ele como uma “camaradagem de nível universitário”. O entrosamento entre setores chamou a atenção.
“Eu nunca vi um linebacker conversar tanto com um punter, ou um kicker com quarterbacks”, disse. “Existe muita interação. Foi muito mais rápido me integrar aqui do que em outros lugares".
Essa postura impactou até jogadores mais jovens. O linebacker Jared Verse, em seu segundo ano, admitiu que era fã de Adams desde criança.
“Achei que ficaria nervoso para falar com ele, mas ele virou alguém com quem eu converso sobre qualquer coisa, até problemas da vida".
Jimmy Garoppolo, quarterback reserva dos Rams e ex-companheiro de Adams nos Raiders, também percebeu a mudança.
“Ele está mais aberto aqui. Isso começa pelos líderes. Quando todo mundo age assim, você simplesmente entra no clima".
Ao fim da temporada regular, os números impressionam: 60 recepções, 789 jardas e 14 touchdowns — líder da NFL. Segundo o ESPN Research, Adams é o primeiro jogador da história a liderar a liga em touchdowns recebidos por três franquias diferentes.
Agora, a duas vitórias do primeiro Super Bowl da carreira, Davante Adams não tem dúvidas de que fez a escolha certa: “Tenho o quarterback, um grande elenco ao redor, um time totalmente focado e uma cidade incrível para jogar. Sinceramente, não tem como ficar muito melhor do que isso".
