O Brasil recebe nesta sexta-feira (5), pelo segundo ano consecutivo, uma partida da rodada de abertura da NFL. Novamente na Neo Química Arena, Los Angeles Chargers e Kansas City Chiefs fazem mais um capítulo da rivalidade divisional, em partida com transmissão ao vivo do Disney+.
Por ocasião da partida em São Paulo, a ESPN reuniu o astro brasileiro do LA Galaxy, Gabriel Pec, com o kicker do Chargers, Cameron Dicker, para um encontro especial entre destaques do futebol e do futebol americano. Mesmo sem falar a mesma língua, o que necessitou a presença de um tradutor, ambos mergulharam na proposta.
Dicker é um grande fã de futebol. A história do kicker de 25 anos é peculiar, pois, devido ao trabalho de seus pais, ele nasceu em Hong Kong e viveu em Xangai, na China, durante os primeiros onze anos de sua vida. Seu primeiro contato com o esporte foi justamente com o futebol, antes de se mudar para o americano após receber uma bolsa de estudos. Graças a isso, o futebol sempre foi importante para ele.
Durante seu tempo livre nas férias, Dicker aproveitou para fazer um tour por estádios e jogos para curtir o futebol europeu, incluindo seu time favorito, o Liverpool.
“Foram 12 dias, quatro países, sete jogos. Voei para Manchester, fui a um jogo do Wrexham pelo prazer de vê-los, fui a um do Manchester United, Real Madrid x Atlético de Madrid pela Champions League, outro do Liverpool pela Champions e pela Premier League, voltei a Londres para um do Tottenham”, compartilhou Dicker.
Por sua vez, Gabriel Pec não cresceu com muito conhecimento sobre futebol americano, mas desde que chegou à cidade de Los Angeles com o LA Galaxy, seu interesse pela NFL aumentou. Ele até acompanha séries sobre o tema em plataformas digitais e vai ao SoFi para assistir a alguns jogos.
“Desde que cheguei a Los Angeles, me tornei mais fã do futebol americano”, disse Pec. “Fui ao SoFi para um jogo do Los Angeles Rams”, comentou.
“Agora você tem que torcer para os Chargers, nada de Rams”, brincou Dicker.
Dinâmica entre jogadores
Pec e Dicker participaram de uma dinâmica de perguntas e respostas para escolher jogadores de futebol e da NFL e seus equivalentes.
Quando se tratava de um jogador da NFL para chutar um pênalti da vitória, Cameron escolheu a si mesmo, mas quando ao eleger um jogador de futebol para chutar um field goal da vitória, Dicker optou por um goleiro, o brasileiro Alisson.
No caso de um goleiro para lançar um passe na quarta descida, Dicker escolheu o americano que sabe lançar bolas de futebol americano, Zack Steffan. Falando de figuras históricas do futebol carioca, Gabriel Pec escolheu o recebedor do Minnesota Vikings, Justin Jefferson, como o equivalente a Ronaldinho, dada sua alegria e estilo. Mas quando falamos da lenda Pelé, Dicker não hesitou em escolher Tom Brady como o melhor em suas respectivas disciplinas.
Focando nos jogadores do Chargers, também procuramos seus equivalentes no futebol brasileiro. Para o quarterback Justin Herbert, Pec escolheu seu companheiro de equipe Riqui Puig, por sua natureza de camisa 10 e criador em campo, enquanto que, por liderança, Dicker escolheu o capitão do PSG, Marquinhos.
Gabriel não hesitou em selecionar Kaká como o equivalente ao próprio Cameron Dicker, devido à sua precisão nos chutes, especialmente de longa distância. Diante da resposta, o kicker do Chargers agradeceu a comparação e apertou a mão de Pec em aprovação. Quando se tratou do técnico Jim Harbaugh, Pec escolheu Fernando Diniz, treinador de seu ex-time no futebol brasileiro, o Vasco.
Desafio de habilidades
Para encerrar o dia em que o futebol se encontrou com o futebol americano, Dicker ensinou a Gabriel Pec como se cobram os field goals. Nesta ocasião, e por segurança dos jogadores, a dinâmica foi realizada usando uma bola de futebol para acertar os postes.
Na primeira tentativa, Gabriel Pec cobrou um ponto extra a partir de uma distância de 20 jardas do futebol americano universitário. Com um chute preciso com o pé esquerdo, Pec não teve nenhum problema em converter o lance.
“E você disse que ia ser difícil!”, disse Cameron com um sorriso. “Isso foi só o aquecimento, vamos mais para trás”.
Na segunda tentativa, Gabriel completou sem problemas outro chute de 33 jardas de distância para o ponto extra na NFL.
Aumentando o grau de dificuldade, a terceira tentativa de Pec foi para uma distância de 59 jardas, que é o recorde de Dicker na NFL.
Pec tomou mais distância, 100% concentrado, assumindo o desafio. O jogador do LA Galaxy impactou a bola, que se manteve no ar sob o olhar atento, a expectativa e o suspense de todos, e ficou muito perto de concretizá-la. Pec levou as mãos à cabeça quando viu que tinha ficado muito perto de conseguir.
"Um pouquinho", disse Pec.
Para finalizar o dia, ambos os jogadores, que curiosamente usam a camisa número 11 em seus times, trocaram camisas, autografaram as camisas de recordação e tiraram fotos.
Diante da pergunta de por que escolheram o número 11, Dicker comentou: "Por causa do jogador do Liverpool, Salah. Quando cheguei aqui (aos Chargers), me deram o número 15, mas me deram a opção de escolher entre 11 e 15. Procurei vários dos meus jogadores de futebol favoritos e escolhi o 11 por causa do Mohamed Salah".
Enquanto Pec disse ter escolhido o número 11 por ser o dia do seu aniversário, além de ser um número comum na sua posição como atacante.
Uma última lição de português de Pec para Cameron Dicker antes de partir para o Brasil: "Eu amo o Brasil".
"Definitivamente usarei essa frase", disse Dicker.
"Obrigado", "thank you", disseram ambos os jogadores na despedida, enquanto Dicker prometeu visitar o campo de treinamento do Galaxy e Pec um jogo dos Chargers no SoFi Stadium durante a temporada.
(*Tradução: Vinicius Garcia)
