Jordan Love viveu uma grande virada em sua vida. Há pouco mais de um ano, ele era quase que um coadjuvante. 26ª escolha do draft de 2020 da NFL, o quarterback era reserva e pouco tinha jogado na liga, já que Aaron Rodgers era titular absoluto do Green Bay Packers. Porém, o camisa 12 optou por deixar o time e se mandar para o New York Jets.
E se ele se machucou no primeiro lance pelo novo time, seu sucessor nos Packers teve uma revolução, a ponto de chegar ao jogo desta sexta-feira (6), contra o Philadelphia Eagles, na Neo Química Arena, em São Paulo, no primeiro confronto da NFL no Brasil em toda a história, como uma das grandes estrelas do evento.
O quarterback conversou com exclusividade com a ESPN e falou sobre tudo, desde a expectativa de jogar no Brasil e como vai ser a recepção da torcida, o seu desenvolvimento como jogador e líder de time, o aprendizado que teve ao ser reserva de Rodgers por tantos anos, o "encantamento" do número 10 para o torcedor brasileiro e ouviu até mesmo um "conselho" para quando tiver em campo nesta sexta.
ESPN: Oi, Jordan. Muito obrigado por nos ceder um tempo. Nós temos feito a cobertura da NFL no Brasil desde 2006. São 21 anos que a ESPN traz futebol americano aqui para o Brasil. E a pergunta mais frequente é: quando teríamos um jogo da NFL por aqui? E agora chegou o grande momento. E você é uma grande estrela desse jogo. Como você se sente? Como é isso para você? O primeiro jogo da NFL no Brasil. Como você disse na coletiva: "o Super Bowl brasileiro".
JORDAN LOVE: Sim, certo. Há muita expectativa. O primeiro jogo da NFL no Brasil. Nosso time todo está se sentindo muito honrado pela chance de trazer isso para cá. Vamos encarar os Eagles aqui, sei que será um grande jogo. Espero que todo mundo, todos os fãs estejam animados para vir nos assistir. E é isso, o Super Bowl brasileiro.
ESPN: É como qualquer outro jogo de futebol americano ou tem alguma coisa mais especial?
LOVE: Não... Mesmo sendo num novo país, obviamente, e jogando num lugar que nunca jogamos, em frente a fãs que nunca jogamos antes... Essas são as novidades. De resto, é só mais um jogo. Vamos jogar uma partida de NFL contra os Eagles para iniciar a nossa temporada. Então estou animado. Definitivamente, têm alguns novos elementos, mas, no fim das contas, é futebol americano. Você precisa se alinhar contra o oponente e competir pela vitória.
ESPN: Ok. Quero conversar com você sobre a última temporada. Ela não começou bem para Green Bay. Mas na segunda parte dela, você foi um dos melhores quarterbacks da NFL, os Packers foram para os playoffs, passaram pelo Dallas Cowboys na casa deles, ficaram a um Christian McCaffrey da final da Conferência Nacional, com você jogando muito. Essa fase começou no jogo de Ação de Graças contra Detroit, no Ford Field?
LOVE: Realmente começamos devagar ano passado. Pegamos ritmo conforme a temporada avançava, mas acho que a cada jogo aprendemos algo. Pessoalmente, acho que aprendi muita coisa com a experiência de jogo em si: o que preciso fazer melhor? No que preciso evoluir ao longo de um jogo? E, como você disse, ali no meio do caminho, por aí, aquele jogo contra os Lions no Dia de Ação de Graças, também teve o jogo contra os Steelers, que perdemos. Foi ali que começamos a enxergar, nos tornando mais consistentes ofensivamente. Nossa defesa estava fazendo coisas boas. Começamos a ser melhores como uma equipe, entendendo o que precisávamos fazer para passar pelo "obstáculo" dos jogos que perdíamos. Encontramos um caminho e, claro, mantivemos a engrenagem funcionando até o final da temporada.
ESPN: E como isso te deu mais confiança para essa temporada?
LOVE: A confiança está lá em cima! Para terminarmos a temporada do jeito que foi... Capazes de lutar por algo. Lá no final da temporada, precisávamos ganhar todos os jogos para então alcançarmos os playoffs. E fizemos isso. E então fomos até Dallas e ganhamos. Fomos até San Francisco, onde tivemos uma luta dura e chegamos perto da vitória. Mas acho que, voltando neste ano, com a preparação, com os "camps" de treinamento, a confiança da nossa equipe está mais alta que nunca. Estamos prontos para começar esse jogo de amanhã.
ESPN: Você sendo... Digamos, a terceira geração de QBs de Green Bay, depois de Aaron Rodgers ser draftado e ficando no banco acompanhando o Brett Favre. E o mesmo tendo acontecido com você. O quão importante foram esses anos estando atrás de Aaron Rodgers? Você sente que isso fez diferença no seu jogo? No seu aprendizado, no jeito de conhecer a liga, os jogadores, os times, as jogadas... Acha que isso foi importante para você?
LOVE: Sim, foi muito importante. Só de chegar na liga e ter a chance de sentar e ver alguém jogar no nível mais alto: Aaron foi MVP em duas temporadas consecutivas enquanto eu estava atrás dele. Então só de ver isso, ver o esforço que ele colocava, como se preparava ao longo da semana, o que ele via em campo, alguns dos ajustes que ele fazia dentro do jogo e o motivo disso. E de ter aquele momento de sentar com ele no vestiário e apenas aprender, entender a cabeça dele, só absorver alguma sabedoria dele. E então eu recebo a minha oportunidade de ir lá e botar em prática tudo o que aprendi ao longo desses anos. Foi muito importante para o meu desenvolvimento e não acho que eu seria o mesmo jogador se não tivesse a oportunidade de ser o reserva dele.
ESPN: Não quero usar o termo "pressão" porque você joga na NFL e, obviamente, já existe muita pressão por si só. Eu vou usar a palavra "responsabilidade". Você acha que tem mais responsabilidade porque Green Bay teve três quarterbacks nos últimos 30 anos, enquanto Cleveland teve cinco só ano passado? Você acha que isso é uma grande responsabilidade para você?
LOVE: Ah, até tem. Mas, no fim, tento me manter distante dessa pressão. Esse é o tipo de coisa que está no exterior. Se eu for lá e fizer o meu trabalho, atuar do jeito que preciso e sei como atuar, toda essa pressão acaba cuidando de si mesma. Mas, como você disse, estou numa grande franquia. Brett Favre ficou aqui por muito tempo e Aaron Rodgers também. Ambos tiveram carreiras incríveis, ganharam Super Bowls. Então existe um padrão de qualidade para a posição de QB no qual você precisa estar atuando, um nível que você precisa atuar. E o objetivo é sempre conquistar o Super Bowl. Claro que existe pressão, mas tento não fazer isso crescer. Só tento focar em mim e ser o melhor jogador que posso.
ESPN: Vocês (Packers) não têm um Tyreek Hill, um Justin Jefferson, não têm um, vejamos, Deandre Hopkins... Só exemplificando com alguns nomes. Mas quão confiante você está no seu grupo de wide receivers?
LOVE: Temos um ótimo grupo de recebedores. Temos um grupo que é simplesmente fenomenal, com caras muito talentosos, que se complementam muito bem. Existe muito amor e respeito entre eles nesse grupo, e eles trabalham muito duro. Como você citou, talvez não tenhamos um desses grandes nomes, mas eu iria para a guerra com aqueles caras qualquer dia. Temos vários jogadores explosivos que me ajudam e fazem a minha vida bem mais fácil quando ficam abertos e fazem grandes jogadas. Só preciso fazer a bola chegar neles.
ESPN: Você gosta de futebol?
LOVE: Eu gosto!
ESPN: Ouvi você dizer que usa o número 10 por conta do seu pai. Mas você sabe que o 10 é o principal número do nosso futebol, certo? Quão especial é isso? Porque você está aqui (no CT Joaquim Grava) e o Corinthians é um time tão grande aqui no Brasil. Eles têm cerca de 30 milhões de torcedores. Isso é gigante. E você é o 10. O número 10 aqui, hoje. Você se dá conta do quão legal é isso?
LOVE: Agora, com você me dizendo isso, meio que cai a ficha do quão importante o número 10 é aqui. Eu gosto um pouco de futebol, mas não posso dizer que cresci amando ou assistindo muitos jogos. Não conheço tanto assim. O Neymar é o 10 do da seleção brasileira agora? Espero que haja muitas camisas 10 no estádio amanhã. Será ainda mais especial.
ESPN: Última pergunta: qual a sua expectativa para os fãs?
LOVE: Não sei. Não sei o que esperar. Como disse, não tenho certeza do quão popular é o futebol americano por aqui, então só espero um público bem vivo. Sei que estarão muito animados em ver o primeiro jogo de NFL aqui, então tenho certeza que será uma ótima experiência. Espero que o volume esteja bem alto e que haja muitos fãs dos Packers no estádio.
ESPN: Vou te dar uma dica: quando todo o estádio começar a cantar "Olê, olê, olê, olê, Love, Love", apenas acene. Apenas acene.
LOVE: Beleza. Mal posso esperar por isso!
A partida entre Philadelphia Eagles e Green Bay Packers acontece nesta sexta-feira (6), na Neo Química Arena, em São Paulo, e terá transmissão do Disney+ a partir das 21h15 (de Brasília).
