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Lesão de Aaron Rodgers esquenta debate sobre gramados sintéticos na NFL: 'Quantos mais têm que se machucar?'

Durou pouco tempo a estreia de Aaron Rodgers com a camisa do New York Jets. Em sua primeira campanha na vitória sobre o Buffalo Bills, o quarterback sofreu lesão no tornozelo e teve que deixar a partida. O fato reacendeu um debate quente na NFL sobre o uso de gramados sintéticos.

É que o problema aconteceu no MetLife Stadium, casa dos Jets (e também do New York Giants), que já sofreu duras críticas nos últimos anos pelo tipo de grama.

Para a temporada 2023, inclusive, a arena trocou seu tipo de piso, para um outro tipo de grama artificial, justamente para tentar diminuir a incidência de lesões. Logo no primeiro jogo da nova grande estrela dos Jets, porém, o problema voltou a assombrar os nova-iorquinos.

Nas redes sociais, David Bakhtiari, offensive tackle do Green Bay Packers e ex-companheiro de Rodgers, foi um dos mais duros a criticar o modelo de grama, questionando a necessidade de seu uso e o perigo que pode causar aos jogadores.

"Parabéns, NFL. Quantos mais terão que se machucar em gramados sintéticos? Vocês ligam mais para jogadores de futebol (soccer) do que para nós. Vocês planejam remover todos os gramados naturais para a Copa do Mundo que está chegando. Está tão claro. Estou cansado disso... Façam melhor!", escreveu o atleta.

Em abril de 2023, uma pesquisa da Associação de Jogadores da NFL (NFLPA) chegou a apontar que as lesões não ocasionadas por choques ocorreram com maior frequência na última temporada em gramados sintéticos na comparação com naturais.

Segundo os dados, apesar de anos anteriores terem apontado um equilíbrio dos números, a temporada 2022 teve uma taxa de lesões de 0,048 por 100 em gramados artificiais contra 0,035 em naturais.

Na pesquisa, os jogadores também apontaram que se sentiam melhores, além de mais seguros, atuando em gramados naturais.

A NFL neutralizou o debate com base no comparativo entre os números da temporada 2021, quando a diferença das taxas de lesão nos diferentes tipos de grama foi de 0,001 por 100.

Jeff Miller, vice-presidente executivo de comunicações, relações públicas e políticas da NFL, afirmou na época que "a discussão entre superfícies sintéticas e superfícies de grama natural não é realmente a questão", mas sim que a NFL e a NFLPA deveriam tentar "diminuir as lesões em ambas" as superfícies.

Presidente da NFLPA, J.C. Tretter mostrou descontentamento com a teoria, citando que a taxa de lesão em gramas naturais, de 2012 a 2020, eram bem inferiores.

"Em vez de seguir os dados de longo prazo (que são claros nesta questão), temos que ouvir os jogadores e tornar o jogo mais seguro. A NFL aproveitou um ano atípico para se envolver em uma campanha de relações públicas para convencer a todos de que o problema na verdade não existe", disparou Tretter.

Especificamente no MetLife Stadium, antes da troca de tipo de grama, cinco jogadores do San Francisco 49ers sofreram lesões nas pernas em um jogo contra os Jets na temporada 2020 - incluindo casos graves em Nick Bosa e Solomon Thomas, que não retornaram mais naquele ano.

Em 2022, também na semana 1, como agora com Rodgers, o cornerback Kyle Fuller, do Baltimore Ravens, rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho na mesma arena.

Vários jogadores, como Odell Beckham Jr., e treinadores aproveitaram a ocasião para cobrar da NFL uma mudança de todos os gramados artificiais para naturais.

No Brasil, essa discussão também se tornou mais ativa nos últimos meses por conta do uso de gramados sintéticos em mais estádios do Campeonato Brasileiro, como a Ligga Arena, casa do Athletico-PR; o Allianz Parque, do Palmeiras; e o estádio Nilton Santos, do Botafogo.