O ANO ERA 2016 quando Laremy Tunsil viu seu mundo virar de ponta cabeça horas antes do momento mais importante de sua vida profissional.
O draft da NFL se aproximava quando um vídeo de 30 segundos vazou nas redes sociais. Nele, Tunsil, um dos principais nomes do recrutamento da liga, usava uma máscara de gás para fumar maconha.
O efeito do vídeo no futuro do jogador foi imediato. Mas, sete anos depois, ele assinou o maior contrato da NFL para um atleta de linha ofensiva.
Mas como Tunsil saiu da polêmica para a unanimidade?
"A grande diferença entre hoje e a época é que, agora, as pessoas falam mais abertamente sobre a maconha", disse um membro do Miami Dolphins para a ESPN, time que escolheu Tunsil com a pick 13 do draft de 2016. "Se tivesse acontecido hoje, ele não teria caído tanto."

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Miami apostou no então jovem de 21 anos de idade, que aproveitou a oportunidade. Em 2019, ele foi trocado para os Texans por duas escolhas de primeira rodada, uma de segunda, além do cornerback Johnson Bademosi e do também linha ofensiva Julién Davenport.
"Cara, foi um erro", disse Tunsil em uma conversa com a lenda Deion Sanders, ainda em 2016. "Aconteceu há muitos anos. Alguém hackeou minha conta no Twitter, e foi assim que acabou lá. É um mundo maluco. As coisas acontecem por um motivo."
Em 2022, no Twitter, ele anunciou que transformaria a polêmica imagem em um NFT e doaria os lucros para o The Last Prisoner Project, que dá apoio para presos por crimes ligados ao uso da maconha.
"Estou empolgado com a oportunidade de apoiar quem esteve do meu lado na noite do draft e durante a minha jornada", escreveu Tunsil.
ANTES DO CONTRATO de 75 milhões de dólares (R$ 393 mi), que Tunsil assinou no último dia 19 de março e garantiu 60 milhões de dólares (R$ 314 mi) ao agora três vezes escolhido para o Pro Bowl, ele precisou da confiança de uma franquia para ter chances na NFL.
Quando a polêmica virou o grande assunto do draft e o nome de Tunsil começou a cair, quatro dirigentes dos Dolphins se reuniram. Stephen Ross, o dono, Chris Grier, general manager, Mike Tannenbaum, vice-presidente de operações, e Adam Gase, o treinador. E os quatro concordaram.
O Baltimore Ravens, que tinha a sexta escolha, seria o destino. Mas o vídeo fez a franquia desistir de selecioná-lo - de acordo com o repórter Adam Schefter, da ESPN.
Jimmy Sexton, agente do jogador naquele momento, ligou para os Dolphins e disse que o vídeo era de dois anos antes, garantindo que ele não seria suspenso pela NFL por uso de substâncias quando chegasse ao elenco de Miami.
"Não foi sobre ele se transformar da noite para o dia", comentou Stephen Ross, em 2016. "O trabalho que fizemos com ele, as pessoas com quem conversamos, conhecendo ele, deu pra ver que ele era um bom garoto. Vai ser uma ótima escolha."
NA TEMPORADA 2022, poucos jogadores de linha ofensiva foram melhores que Tunsil - mesmo jogando nos Texans, que venceram apenas três jogos e tiveram a segunda pior campanha da NFL.
O time sofreu 38 sacks, a 14ª melhor marca da liga. E ele venceu 91,9% dos duelos nas trincheiras, 17º entre offensive tackles, além de permitir apenas um sack (2º melhor) e 17 pressões ao quarterback (6º melhor).
Esta é a segunda vez que Tunsil tem o maior contrato da história entre os jogadores da posição. Em 2020, ele já havia assinado por três anos e 66 milhões de dólares com Houston.
