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Como o mistério de um superfã do Kansas City Chiefs foi revelado por um assalto

Xaviar Michael Babudar, conhecido por ChiefsAholic, era um torcedor do Kansas City Chiefs que ia aos jogos vestido de lobo, fazia grande apostas no time e foi preso por roubo armado em dezembro. Artes ESPN

Ele foi buscá-la em um carro com banco de couro. Desviava do tráfego um pouco congestionado e com um silêncio estranho em uma noite de setembro, no Arizona. Era apenas um jantar com bebidas entre dois torcedores do Kansas City Chiefs. Não era um encontro, mas passou pela cabeça de Lindsay True se ele não havia cogitado essa ideia. Ela sabia apenas seu primeiro nome: Xaviar.

Eles se encontraram pelo Twitter dos Chiefs, uma comunidade que se uniou graças à devoção pelo time da NFL. Lá ele era conhecido como ChiefsAholic (algo como 'Viciado nos Chiefs') e era um dos torcedores mais famosos. O superfã soma mais de 40 mil seguidores com vídeos de atividade física e apostas esportivas, ao mesmo tempo em que viaja o país inteiro torcendo por Kansas City.

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No dia de jogo, ele era o indivíduo vestido de lobo, muitas vezes mostrado pela TV e em algum vídeo perdido nas redes sociais. O torcedor passa pelos churrascos que tem no estacionamento com sua vestimenta peluda, cinza, patas e máscara, tentando levantar os ânimos de seus parceiros pelo mesmo fim: torcer.. Ele era jovem e bem sucedido, ou pelo menos é o que dizia no Twitter.

Lindsay, de 23 anos, estava loira e tinha olhos azuis. Mal sabia como ele seria além daquela máscara de lobo antes de se encontrarem naquela noite. Mas ela o considerava um amigo. Ela terminava seu curso na Arizona State University, e Xaviar, junto com os Chiefs, a fazia se sentir em casa.

Xaviar disse a ela que se graduou em Kansas State, administrava alguns departamentos e tinha um apartamento em Chesterfield, nos arredores de St. Louis. O ChiefsAholic revelou que ainda era próximo da mãe e tinha família em Los Angeles. Não havia razão para duvidar dele ou qualquer ideia de que havia um mistério sobre sua vida.

Três meses depois, no dia 16 de dezembro, True estava de volta para Kansas City e viu um homem com uma camiseta roxa de Kansas State correndo, que lembrava muito Xaviar. Ela mandou mensagem para seu amigo, mas nunca foi respondida. Não era coisa dle. Talvez o superfã estivesse indo para Houston, para o jogo entre Chiefs e Texans, e pensou que talvez seu telefone estivesse quebrado. Mas, então, sua conta no Twitter foi silenciada, e True começou a se preocupar.

Os torcedores dos Chiefs se preocuparam também. Ele significava muito para a comunidade. Os pais presentes nos churrascos procuravam por ele e queriam uma foto do lobo com seus filhos.

No mundo online, o modo "ChiefsAholic" virou uma tendência de suas vidas, sempre mencionando aquele tipo de torcedor. Eles poderiam não saber seu nome, mas sabiam exatamente onde ele deveria estar na manhã de dezembro: em algum lugar entre Kansas City e o sudeste texano.

Enquanto os dias de silêncio continuavam passando, os fãs do supertorcedor começaram a inundar a internet procurando por ele. Alguns ficaram até desesperados: "Perdemos um torcedor!". Um ainda mandou mensagem para o perfil oficial do Kansas City: "Nos ajudem a encontrá-lo!!"

No dia 19 de dezembro, uma professora assistente e torcedora dos Chiefs, de Tulsa, em Oklahoma, chamada Erin (que não quis dar seu último nome), encontrou a resposta. Era o seu retrato falado, em uma cadeia no leste de Oklahoma. Sua revelação se espalhou pelas mídias sociais muito rápido e então a preocupação se tornou um estado coletivo de choque. Eles começaram a questionar quem era a pessoa em que eles confiaram e se realmente o conheciam.

True estava saboreando sua cerveja com seus pais quando a notícia chegou no seu telefone: "Bem, ele está OK", ela disse para a mãe: "Mas ele vai para prisão."


XAVIAR MICHAEL BABUDAR, segundo a polícia de Bixby, em Oklahoma, andou até o Sindicato de Crédito dos Professores de Tulsa, na manhã do dia 16 de dezembro, apontou uma pistola preta para a caixa do banco, Payton Garcia, e exigiu que ela entregasse a ele "as notas de 100", senão ele colocaria uma bala na cabeça dela.

Garcia disse que ele pulou ao outro lado, quebrou o vidro de segurança e disse para ela abrir o cofre, enquanto segurava a pistola nas costas da funcionária.

"Eu estava desesperada", comentou Garcia em uma entrevista para a ESPN: "Na minha cabeça, eu estava pensando: 'É isso. Se não conseguirmos abrir o cofre, hoje é meu último dia na Terra."

Os responsáveis pelo seu julgamento disseram que Xaviar fugiu de bicicleta e foi apreendido a algumas quadras do sindicato. Com Xavier Babudar, acharam uma mochila preta com uma máscara de paintball, óculos de esqui, luvas, uma jaqueta de zíper verde, uma calça de moletom verde, um tênis preto, uma pistola de ar preta e uma mochila com U$150 mil (R$774 mil na cotação atual).

Babudar foi acusado de roubo com arma de fogo e assalto enquanto mascarado ou disfarçado. Roubo com arma de fogo pode chegar a uma sentença de cinco anos ou até prisão perpétua em Oklahoma, enquanto assalto usando máscara ou disfarce tem pena de dois a cinco anos, segundo o condado de Tulsa, onde o crime ocorreu. Ele se declarou inocente e se recusou a comentar à ESPN sobre as acusações.

O delegado do distrito disse que não está ciente de outros crimes que envolvem Babudar, e uma fonte do FBI na Cidade de Oklahoma disse que não confirma e nem nega se Babudar está sob investigações por outros casos de roubo.

Entrevistados e documentos analisados pela ESPN descobriram que Babudar e sua família tem um longo histórico de problemas com a lei e muito do que ele publica sobre si nas mídias sociais não é real.

"Depois de se graduar por Kansas State, em 2016, eu estava trabalhando em um armazém, ganhando U$12 (R$108 reais na cotação atual) por hora", ele publicou no dia 13 de dezembro, antes da sua rede social ser silenciada: "Hoje eu gerencio várias lojas na região centro-oeste e vivo de maneira excelente, com apenas 28 anos. O trabalho duro vale a pena e não deixe NINGUÉM te dizer o contrário!"

Ele não tem bacharelado por Kansas State: a universidade não tem registro algum sobre Xaviar ter aulas nela. Não há evidência alguma sobre seu trabalho como gerente de armazéns. Ele trabalhou na Amazon por sete meses, de novembro de 2017 até maio de 2018, até pedir demissão voluntariamente, segundo a empresa.

Tirando a informação da polícia, mostrando que havia um trabalho no negócio de antiguidades da família, a ESPN não conseguiu achar qualquer informação sobre outros empregos. Em uma declaração juramentada da sua prisão em dezembro, Xaviar foi listado como sem-teto, autônomo e incapaz de pagar um advogado.

O homem que postou uma foto de si no Super Bowl LIV, em Miami no ano de 2020, que sempre parece conseguir bons lugares durante a jornada gloriosa dos Chiefs nas últimas três temporadas, estava em uma situação desamparada no outono estadunidense de 2016. Segundo a polícia, Xaviar Babudar estava vendo o jogo em um carro com seu irmão e sua mãe no subúrbio de Kansas City, enquanto os Chiefs enfrentavam o New York Jets. A polícia foi até o local porque uma companhia de seguros disse que havia um veículo suspeito no local, e a família foi obrigada a deixar o espaço.

A única raiz de Babudar é antiga, de seus tempos no colégio, segundo alguns documentos e entrevistas. Ele era de uma grande escola em Laguna Beach, na Califórnia, chamada Top of the World Elementary, confirmado pela escola do distrito em que viveu, além de viver em uma casa com mais de 220 metros quadrados, próximo do litoral. Mas em 2004, quando Xaviar tinha apenas 9 anos, seu pai, Michael, declarou falência. Dois anos depois, a mãe dos meninos, Carla, acrescentou ao caso um arquivo dizendo que Michael Babudar foi fazer um serviço comunitário, por conta de uma violação de trânsito, e nunca mais voltou.

Segundo o documento, Michael abandonou sua família e não teve contato com eles por dois anos, até que, em 2005, a casa foi vendida por um cobrador de dívidas: "Isso foi devastador para mim e para os meus filhos", está registrado no documento com o nome de Carla: "Nós não tínhamos o suficiente para comprar outra casa."

Michael Babudar não retornou as ligações feitas pela ESPN e o número de Carla Babudar foi desconectado. Quando atendeu, Noah Babudar, irmão de Xaviar, rapidamente desligou.

Documentos legais e registros policiais mostram um caminho pelo qual a família percorreu ao trocar a Califórnia por Utah e, depois, Kansas City, onde cometeram vários crimes em cada uma destas localidades. Em 2009, quando Xaviar tinha 14 anos, sua mãe foi condenada por um roubo em um mercado na cidade de Pleasant Grove, em Utah. Seus filhos estavam com ela e, por isso, foi também indiciada por contribuir na delinquência de menores. Ela deu à polícia nomes falsos e endereços falsos, segundo o registro policial.

Três anos depois, no Rancho Cucamonga, na Califórnia, Carla e seus filhos foram presos por falsificação de registros de refeições, em um restaurante chamado Souplantation, que era um buffet em que você poderia se servir o tanto quanto quisesse. Carla e Noah não resistiram e foram para a delegacia. Xaviar não foi indiciado, mas, aos 17 anos, uma reportagem de jornal da localidade dizia que o adolescente residia em uma detenção juvenil.

Quando tinha 21 anos, Xaviar foi indiciado por tentar roubar talheres e comidas de um mercado em Sandy, Utah, e, em eventos separados, mas no mesmo estabelecimento, foi acusado de trocar o preço dos produtos, na tentativa de comprar algumas coisas mais baratas.

Em pelo menos cinco ocasiões separadas, de 2014 a 2017, policiais pediram para a família Babudar deixar vários empreendimentos e estacionamentos que colocavam o carro em que residiam: "Eles normalmente dormiam no carro e poderiam ser desabrigados", anotou um oficial de justiça no registro após pedir a mudança. Em 2004, a situação era parecida, com um Mercedes "cheio de pertences e três lugares pequenos para adultos ficarem", segundo a polícia.

O endereço mais consistente de Xaviar e Carla nos últimos anos é em Overland Park, em Kansas City, em um shopping. As testemunhas disseram que Carla parava seu carro prata no fundo do estacionamento, longe das lojas. Algumas vezes, a mãe dos Babudar saía do estabelecimento com algumas sacolas, vestindo luvas de látex, que usava para mexer nas caçambas de lixo que estavam fora do shopping, segundo algumas fontes, que falaram para a ESPN em condições de anonimato, por medo de retaliação.

Xaviar dizia que ficava longe do Arrowhead Stadium em dia de jogo dos Chiefs, chegando para a partida depois de andar por quilômetros em um uniforme de lobo. Em agosto ele publicou sobre isso, dizendo que "não vou pagar U$65 (R$336) para estacionar meu carro". Além disso, também publicou sobre manter luvas descartáveis em seu carro para mexer com gasolina e comer fast food.

Carla e Xaviar iam para o jogo dos Chiefs e de Kansas State juntos. Uma vez ele publicou sobre ela "ter me criado sozinha e me levou ao primeiro jogo dos Chiefs quando eu tinha 3 anos". Um torcedor, que vendeu ingresso para eles e sentou na mesma seção, lembrou que Xaviar ficou em pé ao lado da mãe para protegê-la do sol forte no Arrowhead Stadium.


Parte da vida do ChiefsAholic é que ele tinha uma realidade de torcedor que nenhum de seus seguidores conseguia ter.

"Eu odeio dizer isso, mas ele quase representa todos os torcedores, tá ligado?", comentou Deion Hulse, um torcedor dos Chiefs que estava no jogo do Phoenix Suns com Xaviar Babudar, em novembro de 2021: "Eu quase o invejava. Eu adoraria estar em todos os jogos. Seria meu sonho e ele estava vivendo isso."

Xaviar poderia ser generoso. Ele não apenas levou Hulse ao jogo dos Suns, em 2021, mas convidou sua namorada. Chamou True para o jogo entre Suns e Golden State Warriors, pois tinha ingressos para a fileira número 11, próximo de algumas celebridades. Às vezes sua generosidade era aleatória, escolhendo algum seguidor sortudo no Twitter para ganhar alguma camiseta dos Chiefs ou até um tênis.

Todo jogo dos Chiefs em outro lugar que não fosse Kansas City e toda foto que ele tinha em outro estádio da NFL levantavam a questão que todos os seus seguidores fizeram por meses: onde ele consegue tanto dinheiro?

Era de apostas?

Babudar sempre falou sobre suas apostas nas mídias sociais, publicando algumas fotos recebendo U$1.000 (R$5.290) da plataforma FanDuel. Em outubro, ele publicou uma aposta do mesmo preço para que o tight end reserva dos Chiefs, Jody Fortson, anotasse um touchdown contra o Tampa Bay Buccaneers. Ele conseguiu, e Babudar ganhou U$18 mil (R$93 mil) com a aposta, publicando em suas redes sociais. Mas, na maioria das vezes, Xaviar perdia dinheiro.

A plataforma FanDuel disse que removeu seu usuário após a prisão.

Dois meses antes do roubo em Tulsa, uma aposta de U$80 mil (R$413 mil) foi feita no Hollywood Casino, em Kansas City, dizendo que a equipe era favorita contra o Buffalo Bills. A casa de apostas publicou o ticket nas mídias sociais, mas não nomeou quem foi o apostador. Um jornal local mostrou quem foi, e os rumores começaram a circular sobre quem estava por trás dessa aposta.

Vários administradores do Casino ouviram que Babudar tinha feito a aposta. Um trabalhador publicou sobre isso, mas logo deletou o tweet. Tanner Home, gerente do local, disse que "não comenta individualmente sobre um apostador."

Buffalo venceu Kansas City por 24 a 20.

Ano passado, meses antes do começo da temporada da NFL, Babudar publicou fotos em seu Instagram com grandes apostas: U$5 mil (R$25 mil reais) nos Chiefs (e pagaria dez vezes mais), e o mesmo valor em Patrick Mahomes eleito MVP da temporada (pagado oito para um). Com a combinação e o Super Bowl, Xaviar receberá U$90 mil (R$465 mil). Da prisão, em uma conversa de e-mail com a ESPN, em fevereiro, Babudar estava confiante nestas apostas.

"Minha família está avisada para receber a grana quando Mahomes vencer", escreveu Xaviar Babudar.

Ainda é de desconhecimento total se eles realmente vão receber este dinheiro.


No dia 03 de fevereiro, Babudar foi levado para o Tribunal do Condado de Tulsa vestindo um uniforme laranja e algemas nas suas pernas. Ficou preso por sete semanas e pediu para que sua fiança de U$200 mil (R$1 bilhão) abaixasse. Com 1,80m e musculoso, Babudar sentava quieto, com a cabeça baixa, enquanto o advogado assistente do distrito, Morgan Medders, traçava sua vida de contradição.

O homem, que em dezembro esteve no evento de caridade de Mahomes, que o ingresso para entrar era U$1.250 (R$6.460), e ainda comprou uma pintura autografada pelo quarterback na noite, por U$10 mil (R$51 mil), assinou uma declaração juramentada oficial ao ser preso, dizendo que era um sem-teto.

O homem, que se diz desabrigado, afirma Medders, tinha um carro de U$78 mil (R$403 mil) e tem um pagamento indicando o valor de U$150 mil (R$775 mil) há alguns anos. O advogado disse que o mandado de busca no carro da Babudar também revelou documentos que mostraram duas contas bancárias, totalizando aproximadamente U$58 mil (R$300 mil) em patrimônio.

"Suas ligações da cadeia indicam que ele está envolvido em várias apostas esportivas", comentou Medders no julgamento: "Além disso, em seu carro, há vários recibos indicando várias apostas grandes de U$4 mil (R$22 mil). Há também uma de U$20 mil (R$103 mil), que pode pagar U$46 mil (R$237 mil). Xaviar fez inúmeras declarações em ligações da prisão sobre como está ganhando muito dinheiro com o resultado do Super Bowl, e eu acredito que isso lance dúvidas sobre sua honestidade em frente ao tribunal."

No movimento de Babudar para reduzir a fiança, o criminoso disse que não tem laudo médico de qualquer questão mental. Ele relatou que há um membro da família que precisa de sua reabilitação na sociedade: sua mãe de 66 anos, que, em sua declaração, disse que iria se mudar para Tulsa e estar com ele durante toda a situação. Mas Medders afirmou que há uma série de crimes que conectam os dois, e isso também deixa em dúvida o caráter da reabilitação dele. Nas ligações, os dois expressaram preocupação sobre a polícia achar seu carro na academia onde ele estacionou, segundo o advogado.

"A mãe de Xaviar disse para ele: 'Graças a Deus eu peguei seu celular, carteira e várias outras coisas que estavam no porta-luvas'", Medders continuava a dizer: "'Graças a Deus não pegaram seu celular, porque teria várias coisas ruins nele.'"

Vídeos de segurança, segundo Medders, mostraram uma mulher mudando o carro de Babudar de lugar, para o fundo da academia, depois de ser acusado de roubar um banco.

A fiança de Babudar foi reduzida de U$200 mil (R$1 bilhão) para U$80 mil (R$413 mil), com a condição de que teria que usar um geolocalizador e não poderia sair do estado de Oklahoma. Quatro dias antes do Super Bowl, ele foi solto por pagar a fiança. No seu documento, a mãe de Xaviar registrou uma casa em Tulsa como seu endereço principal. Um dia depois, Mahomes venceu o prêmio de MVP e Babudar fez uma petição, pedindo para ir para Arizona, estado do jogo, dizendo que era uma viagem já planejada com sua mãe. Nela, o pedido reiterava que se isso não acontecesse, "causaria um considerável problema financeiro para o réu e sua família."

Quando o advogado de Xavier Babudar, Tracy Tiernan, foi perguntado pela ESPN, disse que seu cliente não poderia comentar sobre os problemas financeiros que enfrentaria caso não fosse para o Arizona. Quando foi perguntado se era para ver o Super Bowl, Tiernan disse: "Ele é um grande torcedor. Os fãs querem ele lá, é claro."

Mas não permitiram que ele saísse do estado para ver o Super Bowl.

Em um e-mail para a ESPN da cadeia, Babudar disse que assistiu à Final da AFC (Conferência Americana), entre os Chiefs e o Cincinnati Bengals em uma televisão pequena, em um cômodo fora da cela. Ele disse que ficou tão animado que várias pessoas disseram para ele se acalmar.

"Você pode colocar um lobo em uma jaula", Xaviar escreveu: "Mas ele ainda vai uivar pelo seu time!"


Talvez a única coisa autêntica da vida embelezada de Babudar era o seu amor pelo Kansas City Chiefs. Lindsay True sentia isso quando se comunicava com Xaviar, e foi provavelmente por isso que entrou no seu carro naquela primeira vez e confiou nele.

"Eu estudei psicologia forense", comentou True: "Eu assistia a todas estas coisas de crime. Eu ficava: 'Ele é um pouco suspeito?' Mas é claro que eu disse isso para minha família. Eu falei para os meus amigos. E ele tem todo estes seguidores no Twitter. Eu só não esperava que ele seria preso em Tulsa, por conta de um roubo armado de um banco."

Dias antes do Super Bowl, Babudar mandou um e-mail sobre o fato de não ter ido pessoalmente torcer para o seu time do coração e que isso o "matou". Mas, no fim de janeiro, ele estava na cela e deu sua previsão.

"O Kansas City Chiefs vai machucar (put the 'Hurt', como o nome de Jalen Hurts, quarterback dos Eagles) o Philadelphia e vai levantar a por** do Lombardi (troféu do Super Bowl) em Glendale!"

Antes de ser indiciado por roubo e pelas revelações, Babudar recebia muito carinho dos fãs dos Chiefs. Eles torciam para ele finalmente conseguir um encontro com Abby Berner, uma YouTuber de Kansas City. Os torcedores riam com seus desejos - um tanto quanto patéticos - de ser seguido pela conta oficial dos Chiefs e ganhar algumas coisas que sorteavam.

Para a torcedora dos Chiefs, Sierra Jasso, ele representava boas coisas que vinham com bastante trabalho - e ela ainda admirava o fato de que isso dava o dinheiro e a liberdade para que o ChiefsAholic conseguisse seguir seu time. Na última primavera, ela foi sorteada por ele e tem uma camiseta de Patrick Mahomes. Quando ela viu o retrato falado de Babudar, se sentiu enjoada.

"Minha filha tem várias fotos com ele", comentou Sierra Jasso: "E eu dei aquela camiseta que ganhei para o meu pai. Aquela camiseta foi comprada com dinheiro limpo? Eu não sei. Eu sou do tipo mãe protetora, então eu me senti traída e desapontada. Eu sei que isso parece estranho, porque nenhum de nós realmente o conhece pessoalmente, mas, acho eu, que tínhamos apenas uma ideia vazia do que ele era."

A primeira publicação de Babudar, no Twitter, após todo este alvoroço, veio no domingo do Super Bowl LVII, depois que a equipe venceu os Eagles, por 38 a 35. Ele publicou um vídeo da música de Tekashi69, chamada "Gooba", com sua foto na cabeça do rapper, que no começo dizia: "Você está nervoso, eu estou de volta, muito irritado, muito triste, haha, eu não ligo, continue nervoso...".

Três dias depois, na quarta-feira, 15 de fevereiro, suas contas no Twitter e Instagram foram excluídas.


Payton Garcia tentou voltar ao trabalho uma semana depois que Babudar foi preso. Garcia, de 25 anos, que trabalhou no sindicato por quase seis anos, sempre sente seu coração disparado quando alguém chega pela porta da frente, além de tremer muito. Ela voltou a trabalhar no mesmo lugar depois de um período. Ficou por dois dias em dezembro, mas não conseguiu se manter no emprego. Então, ela pediu as contas e se demitiu.

Sempre que ela ouve um barulho muito alto, ela retorna ao tempo em que o vidro de segurança foi quebrado e seu estômago se contorceu por medo do que Xaviar Michael Babudar estava fazendo. Ela tem pesadelos, ansiedade e algumas vezes sua realidade volta para o momento em que ela e seu companheiro de trabalho não conseguiam abrir o cofre, exatamente no momento agressivo, que colocou sua existência em cheque, naqueles minutos desesperadores que viveu.

Garcia ainda não achou um emprego. Quer trabalhar de casa, longe do barulho e do medo. Ela não sabia que Babudar estava solto por fiança e descobriu isso procurando na internet.

"Eu estou em desespero que poderei vê-lo por aí em algum momento", comentou Garcia: "É frustrante e assustador, porque eu não sei onde ele está. Quero dizer, ele pode estar em uma loja e eu encontrá-lo."

Seu advogado, Frank Frasier, disse que a letra do vídeo que Babudar publicou é misógina, e que sua cliente enxerga aquilo como uma ameaça. Frasier está frustrado que, depois de ser acusado de roubar um banco, Babudar é mais famoso ainda. O tight end dos Chiefs, Travis Kelce, ainda chamou Babudar de "lendário" em um podcast, em janeiro. O advogado entrou com um pedido para que revogue sua fiança.

"Ele está se beneficiando de um crime", comentou Frasier: "Esse palhaço está enterrando a seriedade de toda a situação criminosa."