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Josh Allen e suas 16 histórias sobre confiança, malandragem e até um gorila antes da NFL

Josh Allen chegou a mandar seus vídeos com suas melhores jogadas como quarterback para mais de 1000 técnicos das grandes universidades da NCAA, mas nenhum deles sequer respondeu o quarterback, que hoje é estrela dos Bills


Josh Allen sabia que seria um astro da NFL, mas sua maior dúvida era o campo que isso aconteceria.

Allen tinha 17 anos naquele tempo, estava no último ano da escola e se preparava para a temporada em um treinamento na Fresno State University. Josh, agora em sua quinta temporada como quarterback do Buffalo Bills, ficou famoso por não atrair interesse algum da primeira divisão do futebol americano universitário (NCAA) durante seu tempo de colegial na escola. O pior de tudo é que não foi "algum interesse". O interesse foi zero. Até mesmo da universidade próxima de onde residia. Ele esperava que este treinamento mudasse algo.

O que não aconteceu.

No primeiro dia, Allen estava eufórico para mudar esta perspectiva. Seu time da escola, em um jogo de 7 contra 7, venceu os dois primeiros jogos e o próximo jogo seria contra a antiga escola de Derek Carr, quarterback que por enquanto ainda está no Las Vegas Raiders, mesmo se despedindo da franquia. O QB já estava em seu ano de Draft, saindo da Fresno State, e se juntou aos jogadores e torcedores presentes, em uma tenda que o pai de Josh Allen tinha feito, para fugir do sol e do calor insuportável que estava no local.

Neste momento Josh, com todo seus companheiros de time do colégio ao lado, foi apresentado ao quarterback que entraria na NFL naquele ano, que disse em direção ao jovem QB: "Pega leve com a minha antiga escola, pode ser?"

Allen deu um sorriso sincero. No jogo, atropelou a escola adversária.

Carr olhou para ele, na lateral do campo, foi até ele e disse: "Ei, eu não disse para você pegar leve com meus meninos?"

Allen não piscou e devolveu: "Eu peguei leve", com o mesmo sorriso que o jovem quarterback tinha feito. Ele e Carr começaram a rir sobre isso. Josh Allen criou seu momento, mesmo perdendo a final.

Ou pelo menos ele pensou que tinha feito isso.

Quando 25 ou mais quarterbacks apareceram no dia seguinte, eles tiveram outro treinamento no centro de esportes da Fresno State University. Vários técnicos da universidade apareceram para analisar os jogadores que estavam presentes. Quando fizeram a primeira lista dos melhores quarterbacks escolhidos para atuar no principal no Bulldog Stadium (estádio oficial da equipe), Josh Allen não era um deles.

"Todo mundo dessa lista para aquele lado e quem não está na lista para lá", gritou um treinador, apontando para o campo menor. Enquanto isso os antigos companheiros de time de Josh Allen estavam pasmos: seu ex-quarterback estava indo para o campo menor.

Então, de um lado tinha um campo enorme, em que jovens quarterbacks lançavam para mais de 20 jardas, em frente aos treinadores universitários.

Enquanto isso, do outro lado, outros jogadores eram colocados no campo menor, lançando no máximo 10 jardas.

"Eu sou melhor do que esses caras", comentou Allen para Magnusson, que ouviu e foi até o outro técnico que leu as duas listas, para perguntar: "Você consegue falar com alguém e colocar o meu garoto com os outros? É onde ele pertence."

Sem nem olhar, aquele técnico disse: "Ele está bem onde está" e Josh Allen passou as outras duas horas lançando passes para ninguém que importava naquele momento. Este foi o instante que ele sabia que algum dia jogaria nos melhores campos possíveis de futebol americano e ficaria feliz com isso.

"Eu estava muito nervoso", comentou Allen, em 2017: "Eu queria muito estar naquele outro campo, com os jogadores que eles achavam os melhores. Eu não conseguia focar no meu jogo naquele momento."

A ascensão de Allen foi incrível: de uma fazenda na Califórnia, sem qualquer recrutamento de grandes universidades, em 2014, para ser o segundo jogador mais votado para o prêmio de MVP, em 2022, oito anos depois. Uma das histórias mais incrível e mais surpreendentes no futebol americano moderno. Mas esta narrativa existe por conta de vários pequenos contos.

A ESPN entrevistou mais de uma dúzia de amigos de Josh Allen, familiares e treinadores. Reunimos neste texto para mostrar as 16 melhores histórias sobre a jornada de Josh..


Os irmãos Allen, Josh e Jason, sempre foram os melhores jogadores dos esportes que participavam: baseball, basquete, futebol e até natação.

Eles tem um ano de diferença e tinham uma rivalidade saudável entre si, que resolviam diariamente em algumas brigas. Jason era o mais novo, mas sempre foi maior e tirava o melhor de Josh. Às vezes até demais.

Suas batalhas passaram a se tornar lendárias nos ambientes que frequentavam juntos. Algumas vezes no colegial, os jogadores iam para os vestiários e ouviam alguém dizer: "Josh e Jason saíram na mão de novo". Então todo mundo voltava para a quadra e assistiam os dois se digladiarem.

Um destes confrontos aconteceu em um treino, que começou com uma cotovelada e depois passou a ser trocação franca de socos para todos os lados. Os dois irmãos começaram a entrar em conflito mais fisicamente com o passar do tempo e, em alguns momentos, Josh jogava a bola em Jason, dava um empurrão maior e até o acertava enquanto marcava. Jason não deixou barato e mandou um cruzado no olho de Josh, o deixando roxo, até que os companheiros de time seguraram Josh antes que algo pior acontecesse.

Josh estava tão irritado que saiu de quadra, entrou no seu carro e deixou seu irmão para trás. Um técnico ligou para o pai deles, Joel, e disse o que aconteceu. Quando Jason chegou em casa, depois de uma carona de um companheiro de time, Joel os chamou para conversar na mesa da cozinha.

"Eu tinha que sentar com os dois e fazer o necessário, como pai que sou, e é meu dever", comentou Joel: "Alguns dias depois do acidente, eles tiveram outro confronto. Ferro se afia com ferro, né? Isso ajudou Josh a se tornar o competidor que é hoje."


Quando seus filhos ainda estavam no fundamental, Joel levava seus filhos para jogos de futebol americano perto de onde moravam. Em um desses dias, Joel teve uma ideia: fingiu que o jogo acabou e conduziu uma entrevista com Josh. Seu filho não entendeu de imediato, mas Joel explicou que ele seria um grande quarterback um dia e daria várias entrevistas. Josh tinha apenas 7 anos, entretanto seu pai viu a futura 7ª escolha do Draft sentado ao seu lado.

Então ele começou a fazer perguntas para Josh durante as partidas e na volta para casa. Joel fingia que estava com o microfone enquanto dirigia o carro. Tímido em um primeiro momento, Josh depois conversava com facilidade.

"Josh, grande jogo hoje. O que você tem a dizer sobre seus treinadores? Algum pensamento sobre o jogo hoje?", seu pai perguntava. Então ele direcionava o microfone feito com suas mãos em direação à Josh, que respondia:

"Primeiro de tudo, eu gostaria de agradecer minha linha ofensiva por fazer um grande jogo hoje", falava o quarterback dos Bills, enquanto seu pai dava um sinal de positivo, balançando a cabeça para cima e para baixo, e Josh continuava falando sobre "trabalho em equipe" e "boa escolha de jogadas."

Eles fizeram isso por um bom tempo, até que em um dia Josh invadiu a pergunta do pai, pegou o microfone imaginário e disse no banco de trás: "Pai, já é o bastante. Eu sei como dar entrevistas agora."


A fazenda da família Allen era um bocado longe do colégio. Os pais de Allen, Joel e Lavonne, tinham 2000 acres (809 hectares) onde cultivavam algodão, trigo e melão para viver. E viviam bem. Eles conseguiram dinheiro o bastante para criar a casa que era o sonho de toda criança: tinha um pequeno espaço para mini-golfe, lugar para rebater bolas de baseball, quadra de basquete, trampolim, piscina, banheira e muito espaço para correr.

Eles fizeram um lugar perfeito para festas, encontros e até algumas brincadeiras. Aliás, várias delas. Joel amava uma boa piada e seu filho também. Uma vez quando Josh e vários dos seus companheiros de time na época do colégio foram para sua casa, Joel contou aos garotos sobre a história de que tinha um corpo enterrado em algum lugar naquele terreno. Imediatamente todos pegaram suas lanternas e começaram a procurar por toda a residência.

Joel tinha um amigo que se escondeu perto dos arbustos e, depois de um tempo, as crianças acharam o corpo. Então este amigo se levantou e começou a correr atrás delas. As crianças gritavam e corriam sem parar. Naquele dia ninguém correu tanto como Josh.

Cansado de sofrer com isso, Josh decidiu que não sofreria por mais nenhuma armadilha de seu pai. Ele gostaria de conspirar junto com ele e Joel o aceitou com os braços abertos.

Há uns 15 anos, quando Josh tinha 11 ou 12 anos, sua família fez uma festa em que 100 pessoas estavam na casa. Enquanto as visitas chegavam, Joel começou a dizer para as pessoas que um gorila fugiu de um circo próximo da cidade. Este é o tipo de história que, antes das redes sociais, funcionavam. Enquanto o dia passava, Joel contava mais uma ou duas atualizações e continuava a notar o olhar de preocupação das pessoas.

"Fiquei sabendo que ele está próximo...", Joel dizia próximo dos adultos e suas crianças.

Josh estava de olho nas informações e dava conta de fazer sua parte. As fofocas já estavam fluindo, então mencionava algumas coisas para as crianças e falava sobre o que faria se o gorila aparecesse. Às vezes ainda perguntava para quem estava próximo: "Você lutaria com um gorila?" e balançava sua cabeça ansioso pela resposta, enquanto eles ficavam em choque com o que estavam ouvindo. Alguns deles começavam a entrar no plano de Josh e até mesmo traziam outras ideias.

A situação estava se acalmando, até que todo mundo ficou lá fora e de repente ouviram um barulho... Era o gorila que estava entrando na festa!

As crianças correram. Os pais mais ainda. Até Josh e Joel correram, segurando um pouco suas risadas.

Eles se comprometeram e levaram com seriedade até o fim. Em um dado momento não aguentaram segurar e cairam na risada. Gargalhadas tão altas que mal conseguiam respirar, como em várias outras oportunidades, mas desta vez todo mundo notou e começou a diminuir o passo.

No momento seguinte olharam o sobrinho de Joel tirar a parte de cima da fantasia.

"Isso não foi legal, cara", um dois pais falaram para Joel.

Mas o pai nervoso não estava tão nervoso assim e todos começaram a rir com o que tinham acontecido.


Josh ama seu sono. Ele nunca vai perder seu sono, não importa o que seja. Se um treino de basquete for 8 da manhã, ele estará lá apenas 7h59, porque quer aproveitar todo o tempo possível que pode ter com os olhos fechados.

Chegou em um ponto que precisou de alguém para acordá-lo. Durante a temporada do futebol americano do colegial, caso tivesse um jogo na sexta-feira de noite e tivesse que estar na escola às 9h, do outro dia, para ver um vídeo com seus treinadores, ele escolhia um dos seus amigos para ajudá-lo na empreitada. Desta vez o escolhido foi o recebedor Jordan Martinez, para ir a sua casa na sexta-feira, jogar um vídeo game, dormir e ajudá-lo a levantar na manhã seguinte.

Em uma destas vezes, Martinez começou a chamar Josh 8h em ponto: "Vamos, acorda! É hora de levantar."

E nada. Com o relógio marcando 8h10, Jordan aumentou o volume e começou a gritar: "Alô!! Acorda! Precisamos ir!".

Às 8h15, ele começou a empurrar Allen de um lado para o outro. Josh dizia: "Eu estou acordado", mas fechava os olhos e voltava a dormir.

Cinco minutos depois Martinez jogou água em Josh e começou a bater nele com travesseiros. Ele começou com alguns respingos pelo corpo, mas quando bateu 8h30 começou a jogar na cabeça de Allen.

Até que o quarterback ficou sentado e levantou dizendo "ok, ok, para. Eu já estou acordado." Fizeram um café da manhã rápido, em um clima logicamente ruim, se vestiram e tinham 15 minutos para chegar na escola. Os treinadores balançavam suas cabeças em tom de negação quando o relógio marcava 8h59, porque sabiam que seu principal quarterback e recebedor ainda estavam no estacionamento.


Em 1976, o avô de Josh, Buzz, doou o terreno para construir o colégio que seu neto estudou e jogou. Antes disso, a escola ficava em outro local, mais longe dali. Naturalmente, estas duas escolas (nova x antiga) começaram a crair uma rivalidade entre elas, com o antigo colégio dominando os jogos entre as equipes de Firebaugh por anos.

Quando Buzz morreu, em 2014, ambas as equipes jogaram entre si, no dia que seria o aniversário do avô de Josh, pai de Joel. Na semana do jogo, Josh colocou seu pai ao lado e disse: "Vou lhe dar o melhor presente que você pode receber, pai. Vamos ganhar deles dessa vez."

Joel ficou feliz com a confiança, mas, será que conseguiriam? Depois de tantas derrotas?

Mais ainda pelo atropelo do ano passado, quando perderam, por 42 a 6.

Desta vez, entretanto, Josh conseguiu.

Lançou 356 jardas e 4 touchdowns e seu colégio venceu, por 52 a 28.

Depois do jogo, Joel chorou no campo. Tentou não fazer isso, mas a emoção era grande. Limpou as lágrimas que escorriam em sua face e escorriam nos lábios. Ficou nessa por um tempo.

"Eu sou um bebezão", comentou Joel sobre o dia: "E eu não consegui segurar todo o choro naquele dia."


Quando seu último ano no colegial estava chegando ao fim, sua escola ganhou alguns equipamentos e isso era precioso para um colégio rural como o que tinham.

É por isso que os técnicos alertaram o segurança, Brady Jenkins, que uma bola sumiu. Por isso, ele começou a olhar ao redor, fazendo seu trabalho, e viu Allen com uma barriga um tanto quanto volumosa.

"Josh, você está com uma das novas bolas aí?", comentou Jenkins, apontando para sua barriga.

"Não", disse Allen, e então sorriu e levantou sua blusa. Ele realmente tinha e estava apenas andando e girando ela com as mãos.

"Você roubou uma das novas bolas?", perguntou Jenkins.

"Eu não roubei", comentou Josh Allen: "Eu apenas peguei emprestada."

Carrancudo e bruto, Jenkins continuava ali sério. Josh explicou que queria se sentir confortável com a bola, de marca nova, e estava apenas treinando um pouco com ela. Allen devolveu a bola. Jenkins a pegou e voltou para o seu escritório. Ele jogou a bola no canto e fez uma nota mental para guardá-la.

Anos depois que os Bills escolheram aquele Josh Allen na 7ª posição do Draft de 2018, Jenkins ouviu que o antigo quarterback do colégio voltaria às suas raízes, para conversar com os técnicos e ver o time atual. Jenkins ainda é segurança e também se tornou prefeito de Firebaugh. Decidiu que queria um autógrafo da antiga estrela.

Tinha o item perfeito para isso: a bola que Josh Allen escondeu em sua camiseta anos antes. Jenkins esqueceu de retorná-la naquele dia que a confiscou.

No dia que Allen chegou, o prefeito deu a bola para ele assinar e contou esta mesma história. Enquanto Josh assinava, ele olhou de lado para o segurança que um dia confiscou sua bola, com um sorrisinho 'safado', do mesmo jeito que fazia quando uma falcatrua era preparada e da mesma maneira que fez com Derek Carr anos antes.

"Eu não roubei", comentou Jenkins e Josh o interrompeu de prontidão:

"Deixa eu adivinhar...", ele começou a falar enquanto continuava com aquele olhar lateral: "você a pegou emprestada."


Quase no fim de sua carreira na escola, Josh não conseguia nenhuma atenção dos recrutadores universitários. Então ele foi para a Reedley Junior College. Em uma temporada, ele publicou suas maiores jogadas para os olheiros em um portal de vídeos e o mandou para 1.000 e-mails. Sim, tudo isso. Ele conseguiu contato com os técnicos, coordenadores ofensivos, treinadores de quarterback e todo mundo que pudesse alcançar.

A nota dizia:

"Olá, treinador. Meu nome é Josh Allen e eu sou quarterback da Reedley JC, da Califórnia. Tenho 1,96 de altura, 98 kgs e estou qualificado para jogar. Acho que seria uma grande aquisição para o seu esquema ofensivo! Por favor, olhe meu vídeo.

Sinta-se livre para conversar comigo em qualquer momento.

Muito obrigado."

O número de respostas que recebeu? Exatamente 0. 0 de 1.000.


O primeiro encontro de Ernie Rodriguez com Josh Allen aconteceu no último ano da escola.

Rodriguez contou ao coordenador defensivo de Reedley, Aaron Wilkins, que ele iria ver um jogador na escola de Firebaugh.

"Quem?", perguntou Wilkins, que conhecia Josh desde 2006, quando namorava sua prima, que se tornou esposa de Wilkins. Além disso, o treinou em vários esportes, incluindo futebol americano no segundo ano de colegial de Allen.

"Josh Allen", comentou Rodriguez.

"Certo. Entra no carro. Vamos lá", respondeu Wilkins.

Rodriguez, o coordenador ofensivo e técnico de quarterbacks, não sabia o quão próximos eles eram, mas depois de assisti-lo, Rodriguez e Wilkins faziam a viagem todas as semanas para ver o jogador.

"É uma cidade que normalmente não saem muitos atletas dela", comentou Rodriguez.

Depois que Josh aceitou jogar pela Reedley, Allen dirigia de 30 a 35 minutos, de Fresno até Firebaugh, para aprender o ataque da equipe. Então ele e Ernie Rodriguez se encontravam sozinhos, trabalhando em seus movimentos e no ataque básico que precisava.

Enquanto Josh Allen mostrava um pouco pateta e com personalidade dissimulada em Reedley, "quando era o momento certo, ele estava pronto", comentou Rodriguez: "Ele mudava completamente. Iria de um cara sem tanta seriedade, para uma mudança de humor imediata: 'Ei, agora é hora de levar a sério. Vamos."

Mesmo em Reedley, Josh não teve uma oportunidade de começar como titular. O quarterback conversou com Ernie, pedindo uma oportunidade. Esperar sua chance o fez mais humilde, depois de tanta titularidade no colegial, o que Rodriguez garantia que era importante para que a maturidade crescesse mais rapidamente.

"Foi perfeito para ele e eu sei que isso é algo complicado de dizer", comentou Wilkins: "Mas foi muito importante para ele e compreender que ele sempre precisa fazer por merecer."

Josh se esforçou ainda mais, principalmente para aprender sobre seu playbook e ficava depois dos treinamentos para tirar dúvidas, além de ver mais vídeos.

"Eu sempre falava: 'Fique paciente, tenha paciente, calma'", comentou Rodriguez: "E quando eu dizia que era o tempo dele, Allen tomava todo o controle do ataque e, como disse, do time inteiro."


Foi dito que durante os anos que a Universidade de Wyoming recebia o e-mail de Josh e respondia. Não é tão verdade assim, segundo Joel Allen. O pai de Josh disse que os técnicos de Wyoming vinham ver alguns dos companheiros de equipe de Allen, em Reedley, e alguns técnicos diziam: "Observe também o quarterback."

Allen teve um incrível crescimento no primeiro ano, aumentando alguns centímetros e quase 10 kgs. Josh sempre teve este canhão no lugar do braço, mas agora seu físico e sua velocidade eram de um running back, mais do que um quarterback.

Em algumas semanas, o técnico de Wyoming, Craig Bohl, estava na fazenda da família Allen. Josh e seus pais estavam do outro lado da mesa quando Bohl disse para Joel e Lavonne: "Seu filho será a cara do nosso time para os próximos quatro anos."

Todos da família fizeram contato olho a olho. Josh e Lavonne abriram um sorriso de orelha a orelha e Joel começou a bocejar, mas era fingimento. Ele só queria parar as lágrimas que estavam por vir, mas não conseguiu. Segundos antes elas começaram a cair em sua bochecha: "Como eu disse, eu sou um bebezão", comentou o Joel Allen.

E seu primeiro filho finalmente conseguiria o seu sonho naquele momento: uma bolsa de estudos em uma universidade da primeira divisão da NCAA.


No dia 4 de janeiro de 2015, Joel trouxe Jason e outros companheiros de time de Firebaugh para ajudar na mudança de Josh, de Reedley para Wyoming. O grupo chegou e foi direto para o dormitório, mas o quarterback não estava lá. Então eles colocaram o jogo de pós-temporada entre Cowboys e Lions enquanto esperavam Josh.

Ele apareceu e estava diferente: mais alto, literalmente e figurativamente, depois de um ano de dieta e muito trabalho de musculação.

"Eu ficava pensando: 'O que aconteceu com Josh? Ele está muito maior", comentou seu antigo amigo River Bruce: "Ele parece mais confiante, de uma maneira que eu nunca vi. Não é que não transmitia confiança antes, mas algo mudou. A versão que eu conhecia dele, onde ele ia e o que ele iria fazer."


Cameron Coffman se transferiu jogava em Indiana e se transferiu para Wyoming, procurando algum lugar que conseguiria jogar como quarterback titular. Depois de ficar um ano fora, por conta das regras de transferência, seria titular do time.

Allen se mudou para a universidade no natal e já estava no time. Coffman e um grupo de jogadores lançavam alguns passes e convidou Josh para participar.

"Depois de ver ele lançar por alguns minutos, eu lembro de ficar impressionado com o que estava fazendo, principalmente sobre seu talento físico", comentou Coffman.

Os seus próximos pensamentos?

"Ah, caramba, eu estou aqui para começar no meu último ano e esse cara vai me colocar no banco."


Em 2015, o treinador físico de Wyoming, Andrew Strop, estava com os quarterbacks em sua casa, assistindo golfe.

Enquanto sentavam para comer, Allen e Coffman começaram a se provocar, sobre golfe. Allen disse que conseguia vencer qualquer um no esporte.

"De jeito nenhum", todo o grupo respondeu.

Strop deu a sugestão de construir um jogo entre eles durante a semana e ver quem é o melhor, mas isso não foi o bastante.

"Não. Vamos ver isso agora", comentou Allen.

Então eles saíram e foram jogar golfe.

Josh Allen, no fim, venceu?

"Não, é claro que não ganhou", comentou Strop: "Eu acho que ele se desenvolveu melhor como jogador de futebol do que como atleta do golfe."


A presença de vídeo games era constante no time de futebol americano universitário de Wyoming, com Josh sendo o maior competidor. Como um antigo companheiro de time disse sobre ele: "É tão importante quanto qualquer outra coisa na vida do quarterback."

Quando Allen e Marcus Epps, hoje safety do Philadelphia Eagles, jogavam contra si, eles iam com tudo. O jogador defensivo normalmente ganhava do quarterback no NCAA Football e Madden.

Allen facilmente brigava durante os jogos e, tal como faz nos Bills, ele muda sua postura nos momentos decisivos e leva com mais seriedade.

Suas habilidades com jogos digitais pode estar em debate, dependendo de quem pergunta a ele. Alguns dizem que ele é muito bom em alguns jogos, enquanto isso o wide receiver de Wyoming, James Price, diz que: "Ele tem essa raiva durante os jogos porque perdeu demais no video game."


Uma coisa sobre Josh Allen que raramente se discute em Buffalo é que ele era torcedor do New England Patriots. Não é difícil achar fotos dele com uma camiseta do Tom Brady na internet.

Seus companheiros do time universitário sabiam disso.

No dia 3 de setembro de 2016, Wyoming venceu Northern Illinois, por 40 a 34, depois de três prorrogações. Josh venceu o jogo com um touchdown corrido, de 7 jardas, enganando vários defensores.

Depois do jogo, às 4h da manhã, Josh e alguns companheiros de time estavam sentados no sofá vendo a ESPN. O vídeo com os melhores momentos da vitória deles estava passando na tela.

"Cara, você deveria pensar sobre ir para a NFL neste ano e talvez você pode ser um agente livre em alguns dos times", um dos companheiros de time disse.

A ideia de Allen ser um dos prospectos mais bem avaliados ainda não existia.

"Nós conseguimos dar um jeito para que você seja reserva de Tom Brady?", um companheiro comentou: "Sério, imagina o qual louco isso seria?"


Um dia durante o treinamento de pré-temporada de Wyoming, em 2016, os especialistas estavam na lateral do campo quando um passe incompleto quase os acertou.

Normalmente, nessa situação, um jogador entregaria a bola para quem cuida dos equipamentos e a devolveria ao ataque.

Mas, Josh teve outra ideia.

"Lança para mim! Lança para mim, Cooper", gritava Allen para o kicker Cooper Rothe: "Aqui! Aqui!"

Rothe, calouro, pensou: "Bem, se o quarterback quer a bola, eu vou lançar para ele". Então ele lançou a bola para Josh Allen com o que Rothe diz que foi "provavelmente o melhor passe que já fiz na minha vida."

Mas, ao invés de receber a bola, Josh virou de costas e a deixou acertar seu capacete. Fingindo frustração, Josh virou novamente e levantou seu dedo em direção à Cooper e gritando com ele:

"Cooper, mas que diabos você está fazendo!"

Todos os treinadores começaram a gritar com o kicker e disseram ele para pagar uma penalidade, dando uma volta no campo.


Antes de jogar no famoso Idaho Potato Bowl, em 2017, palco do último jogo pré-NFL de Josh Allen, as equipes se enfrentaram no boliche, Wyoming e Central Michigan. O ataque titular e defesa se enfrentariam e veriam quem teria o melhor resultado no final.

Josh perdeu os últimos dois jogos da temporada regular por um problema no ombro direito e foi a última pessoa a jogar. Wyoming precisava de um strike ou perderia o jogo. O clima tenso entre as duas equipes pairava no ar e precisavam de uma jogada perfeita, então tudo ficava mais complicado.

Sem pressão.

Josh levantou, pegou a bola e a lançou. Nem olhou quantos pinos ele acertou. Ao invés disso, ele girou e saiu da pista e, claro, anotou um strike.

Seus companheiros de time celebraram como nunca. Ele trouxe um nível de confiança e mentalidade poderosa de volta para o time.

Os treinadores chegaram no outro dia de treinamento e notaram a completa diferença de postura que a equipe tinha.

Wyoming venceu, por 37 a 14, com Josh lançando 3 touchdowns e foi nomeado MVP da partida.

No palco, depois do jogo, enquanto recebia o troféu de MVP, foi perguntado para Josh: "Qual o próximo passo?"

Seus companheiros de time começaram a gritar: "Faz! Faz!"

Depois de uma pausa e um sorriso, Josh disse: "Eu estou me declarando elegível para o NFL Draft 2018."