Pouco antes e depois que o quarterback do Miami Dolphins, Tua Tagovailoa, saiu do jogo em uma maca, seu irmão mais novo, Taulia, ainda tentava ligar para sua mãe. Não havia resposta. Seus pais, Diane e Galu Tagovailoa, estavam no jogo entre Dolphins e Cincinnati Bengals, em Ohio. Taulia estava longe, quase 800km de distância, e precisava que alguém dissesse que Tua estava bem.
Como seu irmão, Taulia é um jogador de futebol americano, mas o que ele viu o assustou: Tua foi agarrado na meia altura e foi jogado no chão, caindo com as costas e de cabeça na grama sintética que normalmente os estádios da NFL possuem. Ele passou uns segundos no logo dos Bengals, com seu antebraço levantado e seus dedos estavam se contorcendo, próximos a seu rosto.
Era uma noite de quinta-feira, dia 29 de setemebro, mais de três meses antes do safety do Buffalo Bills, Damar Hamlin, ficar deitado no mesmo campo, em Cincinnati, enquanto os médicos corriam para ressuscitá-lo e salvar sua vida. Em ambas as noites, tudo se calou, muito diferente do que é visto em um momento de jogo. Diferentemente do que ocorreu recentemente, em setembro, tudo continuou acontecendo, mas Taulia Tagovailoa, quarterback titular da Universidade de Maryland, tinha que treinar no dia seguinte, visando o jogo contra Michigan State, no final da semana, e todo seu pensamento estava voltado a achar um vôo imediato para Tua.
Ele ligou para sua mãe. Novamente. E de novo. E de novo, até que começou a chorar: "A impressão era muito ruim", Taulia disse.
Quando Diane Tagovailoa respondeu, disse que Tua estava com os médicos e que precisava correr para o hospital. O pai dos quarterbacks pegou o telefone e disse para Taulia focar no jogo contra Michigan State Spartans, mas o universitário mal dormiu naquela noite. Em seu caminho para o hotel do time, no outro dia, recebeu uma ligação em vídeo, do seu irmão. Tua estava sorrindo.
Em um esforço para acalmar os medos de seu irmão, Tua, de 24 anos, disse seu nome, data de aniversário e outras informações básicas. Ele brincou que nunca teve uma concussão. Mas havia batido sua cabeça no chão duas vezes. A primeira não foi computada como concussão, mas a outra foi. Ele estava reticente por uma investigação pela NFL e pela Associação de Jogadores da liga(NFLPA) diante dos acontecidos, o que fez com que a política de análise de concussões do campeonato fosse transformada.
No natal, quando jogou contra Green Bay, Tagovailoa sofreu outra concussão e não entrou em campo desde este dia. Inclusive, não enfrentará o Buffalo Bills no duelo de Wild Card. As boas chances de Miami cresceram com Tua, principalmente pela sua transformação no terceiro ano de NFL, recebendo cantos de M-V-P em algumas partidas. Com o atleta, os Dolphins conseguiram 8 vitórias e 4 derrotas. Sem ele, apenas 1 ganho e 4 perdas. Seu pass rating liderou a NFL (105,5), deixando o quarterback do Kansas City Chiefs, Patrick Mahomes na segunda colocação, com 105,2.
Naturalmente, uma torcida que sofreu por muito tempo continua na expectativa por cada atualização sobre o estado de saúde de Tua. Quando o técnico Mike McDaniel revelou nesta semana que, infelizmente, Tua não estará presente no primeiro jogo de playoffs da equipe desde 2016, disse o quanto é frustrante para Tagovailoa. Mesmo em protocolo, o atleta celebrou com seus companheiros de equipe no último jogo, depois de se classificar para a pós-temporada, mesmo com o quarterback calouro reserva, Skylar Thompson, fazendo sua função. McDaniel disse o quanto esse objetivo era importante para Tua e que gostaria de estar presente neste momento especial.
Se voltarmos ao que aconteceu na semana 3, em que Tagovailoa estava listado como contundido, tal como nesta semana, e jogou, essa situação não é a mesma e não está em questão. Dois especialistas renomados sobre concussão disseram a ESPN que o trauma na cabeça de Tagovailoa, durante o jogo dos Bills, era uma aparente concussão. Dr. Julian Bailes, chefe do departamento de neurocirurgia da NorthShore University Health System, disse que isso significa muito, porque três concussões em um período curto é geralmente alcança um nível perigoso de danos. Por isso precisa ser cuidado e deixar o jogador fora do esporte por um tempo, possivelmente por meses, é essencial. Se Tagovailoa teve três concussões, Bailes acredita que ele não deveria entrar em campo.
"O cérebro não sabe se é playoff ou não", comentou o médico Bailes: "O cérebro não sabe apreciar os diferentes momentos da temporada. Ele precisa se recuperar."
No dia 26 de setembro, um dia depois que a cabeça de Tagovailoa foi ao chão, durante o jogo dos Bills, o Dr. Chris Nowinski estava na parte rural de Nebraska, dizendo para a viúva de um ex-companheiro de time universitário que seu marido, que morreu em 2021, teve problemas de concussão, mais exatamente um trauma crônico encefálico. Desde que ajudou a fundar o Centro de Encefalopatia e Traumatismo Crônico, na Universidade de Boston, várias conversas como essa aconteceram. Mas, naquele momento, ele estava tentando explicar para o filho do seu antigo amigo que seu pai não estava mais ali.
Foi uma semana longa para Nowinski, que oscilava entre tristeza e raiva. Ele chegou a mandar algumas mensagens no Twitter depois e no momento em que via o jogo dos Dolphins contra os Bills, pois estava incrédulo com a simples justificativa de que Tua Tagovailoa estava 'se ajustando de dores nas costas': "p**** nenhuma."
O quarterback dos Dolphins foi ao chão no segundo quarto contra os Bills e novamente sua cabeça foi direto para no gramado sintético. Ele se levantou sozinho, mexeu sua cabeça, voltou a postura e depois precisou ser levantado por dois companheiros de time. Mas retornou ao jogo depois do intervalo de jogo e liderou o Miami a uma vitória, por 21 a 19. Tagovailoa disse ao corpo médico que sua contusão nas costas piorou na jogada. Os Dolphins não registraram uma concussão, mas Nowinski disse à ESPN que ele acreditava ser sim um problema de concussão.
Na quinta-feira, dia 29 de setembro, horas antes do jogo contra os Bengals, Nowinski voltou a publicar sobre Tagovailoa: "Se Tua entrar em campo hoje, será um regresso no cuidado com concussão que a NFL tem. Se ele ter sua segunda concussão, vai acabar destruindo sua temporada ou até a carreira inteira. Todos os envolvidos deveriam ser processados e perder seus empregos, inclusive os técnicos. Todos nós vimos. Eles devem saber que isso não é certo."
O quarterback dos Dolphins jogou naquela noite, em Ohio, e depois foi atingido novamente, ficando inconsciente. Suas mãos estavam se contorcendo em posição de resposta, um movimento automático do corpo por causa do impacto que sofreu. Seus primos estavam tão afetados pela cena que criaram um grupo para conversar, com 15 pessoas preocupadas e passaram a rezar por ele.
Depois da concussão de Tagovailoa em Cincinnati, o Miami chegou a falar com o Doutor Bailes. Os Dolphins estavam examinando como eles deveriam proceder com o quarterback e Bailes disse que era uma das poucas vezes que foi chamado para isso. O médico é membro do comitê da NFL sobre questões de Cabeça, Pescoço e Espinha. Além disso, é do comite Mackey-Health and Safety, da Associação de Jogadores da liga. Além disso, foi parte do corpo médico do Pittsburgh Steelers durante o primeiro dianóstico de CTE (Trauma Crônico Encefálico). Foi este o momento pioneiro que forçou a NFL a repensar suas políticas sobre saúde dos jogadores e seus cérebros.
Bailes disse que não examinou Tagovailoa e acredita que os Dolphins fizeram o necessário no controle da concussão que aconteceu em Cincinnati, deixando o quarterback de fora, de 30 de setembro até 22 de outubro. Em todas as três contusões na cabeça de Tua, Bailes disse que as mecânicas das contusões foram "extremamente similares": foi jogado no chão e acertou a parte traseira de sua cabeça no solo, principalmente porque caiu de costas e não soube parar todo o impacto que recebeu na queda.
No dia 01 de outubro a NFLPA demitiu um consultor de trauma neural, envolvido na decisão de deixar que o quarterback de Miami retornasse ao jogo, contra Buffalo. Várias fontes disseram que a dispensa chegou depois que encontraram "várias falhas" nestas avaliações. Uma semana depois, após a investigação ser conduzida junto com a Associação de Jogadores da NFL, a liga adicionou "ataxia" na lista de sintomas que impede a volta de um atleta.
Ataxia é definida, pela National Health Service, como um grupo de disordens que afeta a coordenação, balanço e fala.
Nowinski disse que está crescendo a conscientização sobre as pancadas que ocorrem na cabeça em um período curto de tempo e são um risco a longo prazo. Ele ainda disse que os estudos mostraram que cada uma das concussões aumentam as chances de outra acontecer.
"O que achamos que acontece é o que chamamos de cascata neurometabólica: as mudanças metabólicas e químicas que ocorrem com a concussão", comentou Nowinski: "Uma vez que elas são acionadas, talvez precisem de uma diminuição deste estado para que ocorra de novo. A resiliência de seu cérebro pode diminuir com repetição de impacto. Há 86 bilhões ou quase isso de neurônios e trilhões de conexões entre eles, mas quando você tem uma concussão, você perde um número considerável delas, mas não é tão permanente. Mas, se os neurônios morrem ou os axônios são danificados, eles não são regenerados. Se você começa a perdê-los em cada concussão, eventualmente seu cérebro não vai conseguir se recuperar do dano e esta habilidade cada vez mais irá diminuir."
A sorte de Tagovailoa, pelo menos em uma perspectiva do futebol americano, mudou com uma ligação no dia 7 de fevereiro de 2022.
McDaniel foi nomeado técnico dos Dolphins e estava saindo da costa oeste estadunidense para a costa leste, no sul da Flórida, quando ligou, em vídeo, para o seu novo quarterback. O jovem técnico contratado, que era coordenador do San Francisco 49ers, disse à Tua que sabia das ambições do jogador em ser grande. E seu trabalho como técnico era conseguir colocar esta sua grandeza em campo.
"Eu vou garantir que quando você olhar para trás, pensando neste dia, você vai dizer: 'Caramba, foi um dos melhores dias da minha carreira também'", McDaniel disse a ele.
Tagovailoa, a quinta escolha geral do Draft da NFL 2020, selecionado pelos Dolphins, foi extremamente questionado até esta temporada. Em um momento, em 2021, Miami considerou procurar uma negociação por Deshaun Watson, utilizando o jovem quarterback, mesmo com todos os crimes que o antigo jogador do Houston Texans estava respondendo. Além disso, em agosto a investigação da NFL concluiu que o dono dos Dolphins, Stephen Ross e seu sócio minoritário, Bruce Beal, violaram as regras de persuasão. De 2019 a 2022 ambos tentaram conversar com o quarterback Tom Brady e com o agente do antigo técnico do New Orleans Saints, Sean Payton.
Brian Flores, técnico dos Dolphins naquele tempo, tinha uma relação difícil com Tagovailoa. Flores pensava mais na parte defensiva e é conhecido por ser intenso. No fim dos jogos ele substituiria Tua para colocar o veterano Ryan Fitzpatrick.
Mike Locksley, coordenador ofensivo de Tua em Alabama, disse que o quarterback é uma pessoa que não consegue produzir bem com disfunções.
"Nada que você não consiga mudar. Eu já vi várias situações que o técnico Nick Saban, de Crimson Tide, bravejava com ele", comentou Locksley, agora técnico de Maryland: "Ele não é difícil de treinar. Ele só quer ajudar seus técnicos e seus companheiros de time, às vezes isso é até um problema, quando coloca todo mundo acima de si."
McDaniel parecia um anti-Flores: extremamente engraçado, nerd, tranquilo e beirando a positividade. Tua não sabia como responder a tudo isso em um primeiro momento e ficou otimista, mas precavido. Porém McDaniel conseguiu o inspirar a trabalhar mais e melhorar.
A temporada 2022 começou, essencialmente, em um estacionamento perto da casa de Tagovailoa, no sul da Flórida. Ainda era verão nos Estados Unidos. Os recebedores de Tua o encontraram, alguns com o equipamento completo, para um treinamento de duas horas e meia, em um sol escaldante. O irmão de Tua, Taulia, treinou com eles e podia sentir o entrosamento crescendo entre eles.
Os Dolphins contrataram Tyreek Hill, que já esteve presente no Time da Temporada (All-Pro), e Terron Armstead, um potente linha ofensiva, na intertemporada para construir um suporte mais forte ao redor do quarterback. Hill, antigo recebedor favorito de Patrick Mahomes, estava lá, naquele sol, no campo de Tua, correndo algumas rotas e recebendo passes.
O primeiro jogo da temporada contou com uma vitória sobre o New England Patriots, por 20 a 7, e deu esperança. Mas os torcedores de Miami passaram por mais de uma dúzida de decepções com relação aos quarterbacks do time depois de Dan Marino. A fragilidade de se tornar vulnerável em esperança ainda é latente.
Tudo isso terminou subitamente na semana 2. Tagovailoa conseguiu 6 touchdowns, 469 jardas na partida, além de conseguir uma virada, por 21 pontos no último quarto, contra o Baltimore Ravens, fazendo Miami chegar a sua 2ª vitória na temporada e nenhuma derrota, trazendo toda euforia sobre o quarterback Tua. Principalmente porque ele não seria apenas o próximo QB da franquia: ele iria levar os Dolphins aos lugares mais preciosos na NFL, algo quenão acontece desde 1980 para eles.
"Isso é f*** demais", comentou Dan Marino depois dessa virada espetacular.
Mas tudo parecia cair por terra novamente na próxima semana, quando Buffalo venceu e foi só a primeira contusão na cabeça de Tua Tagovailoa.
Miami venceria cinco jogos até iniciar a sequência de cinco derrotas seguidas. Enfrentariam Buffalo novamente no dia 17 de dezembro e quase venceram os Bills naquele jogo cheio de neve. Mas, quando parecia que Miami voltaria aos trilhos, perderiam Tagovailoa, por conta de outra concussão, em uma derrota em casa, para o Green Bay.
No primeiro tempo daquele jogo, ele recebeu um tackle depois do lançamento, agarrado pela cintura. Girou o corpo na queda e, novamente, caiu com a parte de trás de sua cabeça no chão. Ele levantou e não saiu do jogo. Tua lançou três interceptações no último quarto. McDaniel disse aos repórteres que os Delphins reviram o vídeo deste jogo e notaram coisas que "os fizeram se coçar" sobre Tua. Depois de muita discussão e observação no dia seguinte, os treinadores disseram ao atleta para visitar o corpo médico e que o quarterback estaria no protocolo de concussão.
Ao mesmo tempo outra investigação pela NFL e pela NFLPA foi feita. Concluiu-se que o protocolo de concussão não foi violado, porque Tagovailoa não exibiu nenhum sinal visível de concussão durante o jogo.
Tagovailoa tem evitado entrevistas individuais e disse sobre seu desejo: que o próprio jogo falasse por ele. Quando está saudável, isso realmente basta. Ele lançou para 3.548 jardas e 25 touchdowns, mesmo com todos os problemas que teve. Ele completou 64,8% dos passes, com três, das oito interceptações, sendo lançadas naquele último quarto contra Green Bay.
Vinny Passas, técnico de Tua no colégio, no Havaí, estava no meio de um treinamento, no dia 26 de dezembro, quando o alerta chegou ao seu celular: Tua Tagovailoa teve uma nova concussão. Ele disse que não conseguia lembrar a última vez que seu antigo atleta se machucou tantas vezes e muito menos de tantos momentos difíceis quanto 2022 se apresentou.
Ele sabe o quão difícil é para Tua deixar de jogar. Passas treina o colégio do Havaí há mais de 40 anos e foi mentor de quaterbacks nesse período, ajudando Marcus Mariota, do Atlanta Falcons, por exemplo. O técnico comentou o quanto faz parte da cultura local jogar mesmo com contusões.
Os pais de Tua não responderam aos pedidos de entrevista para esta reportagem. Em entrevista para o "Football Night in America", em outubro, quando o quarterback dos Dolphins retornou da concussão em Cincinnati, o atleta falou que suas contusões foram "um pouco difíceis" para os seus pais. Tagovailoa reconheceu à todos que é um quarterback que sempre opta por tentar, mesmo nestas condições, e que espera os recebedores ficarem livres, ao invés de mandar a bola para fora quando a pressão chega. Tua comentou que está aprendendo e agora pensa sobre sua longevidade.
Seu primeiro jogo de volta foi contra o Pittsburgh e ele tentou driblar os defensores, duas vezes.
Adam Amosa-Tagovailoa, antigo linha ofensiva de Navy (Marinha), que é primo de Tua, disse que quando eram menores, eram ensinados a nunca desistir. O avô, Seu, tinha um papel fundamental nisso e sempre contava a história do leão e da gazela.
"A gazela acorda, reconhece o perigo e corre dele", comentou Amosa-Tagovailoa, dizendo sobre seu avô e de Tua: "Enquanto o leão acorda com fome, está sempre faminto e buscando seu próximo alimento."
No fim, a vibe positiva do técnico McDaniel e os brilhantes momentos de Tua não conseguiram conter a inevitável conclusão: o futuro de Tagovailoa, em Miami, é, novamente, obscuro. Os Dolphins terão que esperar até maio para decidir se vão exercer a opção de reter o jogador no último ano de contrato.
Miami vai assinar um contrato de vários anos depois de tudo que aconteceu, em que provou ser capaz de jogar em um nível incrível, mas também tem problemas quanto ao seu estado de saúde? Tagovailoa já tinha problemas relacionados a sua saúde antes do Draft, em 2020, porque sua carreira em Alabama acabou em um sack e um ombro deslocado, além de algumas fraturas, concussão e um nariz quebrado na carreira universitária.
"Você não pode fazer um acordo com tanto dinheiro para um jogador sem certezas de que pode ficar saudável", comentou um executivo da AFC: "Se ele não tivesse este histórico médico, você poderia pensar em fazer algo. A concussão é dinâmica e difícil de entender as complicações médicas disso. Os Dolphins estão em uma posição arriscada, porque é um bom jogador, parecido com Kirk Cousins. Se você der a ele bons jogadores, ele vai ser produtivo. Se você pedir a ele para ganhar o jogo e colocar o time nas suas costas, aí já é muito."
Mesmo com todos os problemas de 2022, o neurocientista Nowinski, que é co-fundador da Concussion Legacy Foundation, disse que não considera Tua propenso a ter mais concussões ou problemas com ela. Disse que é algo ainda muito subjetivo entender como funciona e, nos últimos anos, viu o quão diferente isso é em cada pessoa. Mas ele está preocupado que as franquias da NFL o marquem com isso, justificando pagá-lo menos ou não dar a ele tantas oportunidades.
"Eu estou extremamente preocupado com a impressão que ele vai deixar e ela não é justa", comentou Nowinski: "Eu olharia que ele teve uma concussão, o que acontece. Então recebeu um diagnóstico errado, cuidou e recebeu uma segunda concussão, ou foi atingido muito forte em um primeiro momento. Mas, em ambos os casos, o deixou suscetível por meses a outra agressão tão agressiva, causando outra concussão, principalmente porque estava mais suscetível do que a primeira, o que, nós vimos como funciona. Nenhuma delas foi culpa de Tua. Ele joga futebol americano por muito e muito tempo. Nunca teve estes problemas... Nós precisamos dar tempo a ele para se recuperar antes mesmo de dar a ele qualquer tipo de julgamento."
A NFL não compartilha os dados de concussões durante a temporada, mas sempre os entrega no final de cada edição. Em 2021 foram registradas 187 concussões na pré-temporada e durante a temporada regular. Este ano, a liga conduziu três investigações sobre a aplicação do protocolo de concussão: uma com o recebedor do New England Patriots, DeVante Parker, e duas com Tagovailoa.
O agente de Tua é Leigh Steinberg. Por décadas veem representando grandes quarterbacks da NFL, de Steve Young, do 49ers, até Mahomes. Steinberg é conhecido por se preocupar sobre a segurança dos seus jogadores, muito antes destas análises cerebrais chegarem na liga. O agente está dando seminários para educar seus jogadores e sobre os efeitos a longo prazo de concussões desde 1990. Ele se recusou a agregar algo nesta reportagem.
Em uma entrevista em novembro, Taulia Tagovailoa disse que estava "realmente nervoso" em ver seu irmão jogar na semana 7, contra Pittsburgh. Ele não sabia como Tua iria jogar ou se mover, mas seu irmão não pulou nenhuma etapa e estava confortável em jogar.
Há algumas decisões a serem feitas pelo Miami e por Tua. Junto com a sua mulher, Annah, serão pais este ano. Quando foi perguntado sobre se há diferença do jogo de seu irmão, Taulia falou sobre o entrosamento e pensou um pouco mais sobre isso. Disse que a maior diferença é que Tua tem um filho e é isso que o motiva e ajuda em todas as esferas de sua vida.
"Eu acho que um filho realmente mudou a vida dele", comentou Taulia: "Quando ele chega em casa, é muito mais do que futebol americano. É seu filho ali. Você sempre quer ser bom para ele. Você quer sempre que ele cresça e diga: 'Esse é meu pai'".


